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SANIDADE – Parâmetros para avaliação da qualidade da água para bezerros

Enquanto o leite é a principal fonte de água para o bezerro, o consumo de água adicional é necessário para manutenção do crescimento e da saúde. O fornecimento de água desde os primeiros dias de vida do animal é fundamental para incentivar o consumo de concentrado, o que reflete em adequado desempenho animal. Pesquisas demostram que animais que não recebem água apresentam redução de até 31% no consumo de matéria seca e, consequentemente, de 38% no ganho de peso. Para cada litro extra de água consumida, há um aumento na ingestão correspondente a 82 g/dia de concentrado e um aumento no ganho de peso de 56 g/dia. Embora a importância do fornecimento de água seja conhecido e repetido em palestras, treinamentos e visitas técnicas, ainda é comum encontrarmos produtores que não disponibilizam água para animais em aleitamento. Alguns produtores se justificam no consumo de água via leite; enquanto outros relatam que quando fornecem água observam aumentos na frequência de diarreias. Nestas situações o que vemos é o fornecimento de água de baixa qualidade para os animais, seja pela falta de higienização dos utensílios para seu fornecimento; seja pela composição desta água. A qualidade inicial da água terá impacto também na qualidade do sucedâneo fornecido, já que será utilizada para sua diluição. Assim, é importante fazer monitoramento de sua qualidade.

Figura 1. Exemplos de bebedouros mal higienizados para fornecimento de água para bezerros
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Conteúdo mineral na água
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A dureza da água é uma propriedade físico-química que se baseia principalmente nas concentrações Ca, Mg, Fe. Turbidez da água, sólidos parcialmente dissolvidos, equilíbrio ácido/base e conteúdo mineral são fatores que podem afetar a aceitação, palatabilidade e ingestão da água. Alguns minerais em particular, como o cobalto, cobre, ferro, sulfeto de hidrogênio, manganês e enxofre também são prejudiciais quando estão em altas concentrações. A forma sob a qual o enxofre está presente depende do pH da água e da concentração de ânions e cátions presentes na água. O sulfeto de hidrogênio, característico pelo odor de “ovo podre”, é volátil, e nenhuma medida especial precisa ser tomada no momento da coleta da amostra. Este composto tem demonstrado diminuir a palatabilidade da água, aceitação e consumo em bovinos adultos, mas para bezerros desaleitados não se tem valores referências sobre as concentrações de sulfeto de hidrogênio na água. Os níveis seguros de minerais para bovinos leiteiros são mostrados na Tabela 1.

Tabela 1. Guia para a qualidade de água fornecida para bezerros

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Interações minerais e problemas metabólicos associados

O elemento cobre interage com o manganês e vários outros elementos. O equilíbrio ácido/base e o balanço cátion/ânion influenciam a magnitude destas interações. Pesquisas americanas relatam que bezerros em aleitamento desenvolvem pedras nos rins quando alimentados com substitutos do leite reconstituído com água contendo altos níveis de Mg. Em trabalho simulando altas concentrações de Mg na água, foram fornecidas dietas líquidas contendo 0,1; 0,3 ou 0,6% de Mg e a quarta dieta 0,6% de Mg mais 2% de NaCl. A suplementação de 0,6% de Mg resultou em 70% dos vitelos com desenvolvimento de cálculos renais (pedras nos rins). A adição de 2,0% NaCl à 0,6% Mg durante 112 dias, reduziu a presença de pedras nos rins de 30% dos animais, conforme determinado por autópsia. Concluiu-se que a adição de NaCl à dieta reduziu a formação de pedra nos rins.

O iodo tem sido utilizado como desinfetante ou no processo de desinfecção do cordão umbilical de bezerros. Pesquisadores investigaram o efeito da adição de 0,57; 10; 50; 100 ou 200 ppm de iodo no sucedâneo lácteo dos 3 aos 38 dias de idade. Este estudo revelou sinais típicos de toxicidade com níveis de 100 e 200 ppm de iodo, incluindo corrimento nasal, formação excessiva de lágrima e saliva. Enquanto a digestibilidade da proteína do leite foi reduzida apenas com as duas doses mais elevadas de iodo, a dose 50 ppm de iodo suplementar resultou em maior iodo plasmático, bile, e tecidos não tireoidianos após cinco semanas de aleitamento. Estes dados resultaram na definição de limites 10 ppm de iodo, conforme apresentado no NRC (2001).

A solubilidade dos minerais e micro minerais no sistema digestivo dos bezerros está relacionado com a capacidade de absorção. Um exemplo é o elemento alumínio. Experimentalmente, cloreto de alumínio adicionada às dietas de bezerros, mesmo em baixos níveis, tem demonstrado diminuir o consumo de MS, ganho de peso, cinzas nos ossos e composição de fósforo nos ossos. Além disso, o conteúdo de alumínio no solo pode reduzir a digestibilidade do P.

Contaminantes orgânicos

Já do ponto de vista microbiológico, E. coli, coliformes, bactérias totais e orgânicos tóxicos são considerados contaminantes. As contagens de microrganismos, normalmente realizadas pelos laboratórios, predizem somente seu número presente, sem considerar o potencial de crescimento sob diferentes condições de ambiente e temperatura. É possível que mesmo com baixas contagens de coliforme, E. coli e salmonela podem crescer e alcançar níveis perigosos. Em geral, adiciona-se cloro para tratamento de água contaminada, mas deve-se lembrar que os limites devem ser respeitados. Os limites de ferro na água também devem ser considerados, pois altas favorecem a proliferação de salmonela.

Uma característica que interfere bastante na utilização da dieta líquida é o pH da água, o qual deve ser próximo da neutralidade, já que afeta a coagulação da caseína, ou seja, na formação de coágulo no abomaso dos bezerros. A correção do pH da água pode ser feita com ácido cítrico, um ácido orgânico, quando necessária.

Considerações Práticas

Garanta água limpa e fresca aos seus bezerros.
Faça análises periódicas da água fornecida aos animais, para assegurar os níveis de macro e micro minerais, contagem de microrganismos, bem como valores de pH.
Lance mão de métodos eficientes, baratos e disponíveis no caso de ter que alterar a concentração de minerais ou a carga microbiológica na água fornecida aos animais.

Referências

Johnson, T.R. Water quality for calves. Tri-State Dairy Nutrition Conference. May 2 and 3, 2005, p. 37 -43.