Por Antônio Oliveira

Conforme o site clebertoledo.com.br, em publicação datada desta quinta-feira, 6, o prefeito da segunda maior economia do Tocantins, Araguaína, Ronaldo Dimas, está muito insatisfeito com o atual secretário de Indústria, Comércio e Serviços (SICS), Ridoval Chiareloto. Conforme Dimas, o executivo, vindo de Goiás para gerir tão importante e bem sucedida pasta até a gestão do araguainense,  Dearley Khun, no final do ano passado, “até hoje não conhece Araguaína”; “precisa mais de dinamismo”; “não tem o menor conhecimento do Tocantins e não demonstra interesse em conhecer o estado”. O prefeito disse ainda “ter todo o respeito à história goiana dele e também em relação à idade. No passado deve ter sido bom secretário da área em Goiás, mas o que ele tinha lá recentemente era um prêmio de consolação como presidente da Agência de Regulação”.

Não só Dimas reclama, com razão.

Dimas: " Ridoval não tem o menor conhecimento do Tocantins e não demonstra interesse em conhecer o estado"
Dimas: ” Ridoval não tem o menor conhecimento do Tocantins e não demonstra interesse em conhecer o estado” (Foto: Divulgação)

Eis aí um assunto que há muito tempo eu gostaria de discorrer, mas me segurei para meu artigo não ser interpretado como uma revanche à frieza e a irresponsabilidade dispensadas à minha pessoa e ao meu trabalho pelo dito secretário, corroborando com o tratamento do chefe de gabinete do governador Mauro Carlesse. Em 15 anos de parcerias com os governos do Tocantins, por meio desta pasta, a da Agricultura e das correlatas estaduais ligadas aos agronegócios (Adapec e Ruraltins), nunca fui tratado como o fui,  recentemente,  na SICS, via seu titular. Aliás, depois de uma entrevista jornalística que fiz com ele, assim que assumiu esta secretaria e, depois de uma conversa com ele de interesse de Estado, percebi logo que aquele segmento governamental do desenvolvimento econômico do Tocantins regredira em termos de titular e senti saudade de seus ex-titulares Eudoro Pedroza, em suas três gestões consecutivas; do Alexandro de Castro, que sucedeu Eudoro e procurou corresponder A atuação política e técnica deste, e mais recentemente, embora por pouco tempo, o Dearley Khun. Ressalvo, aqui, a competência técnica, e a atenção que o quadro de funcionários da SICS sempre tratou a mim e aos demais parceiros da pasta.

(Estes fatos me afastaram do governo, fazendo-me perder o interesse pela velha parceria de resultados. Mas tenho meus fillhos, netos e empreendimento no estado. Só tenho que torcer para o governo tenha sucesso)

Porém, pensem o que quiser, eu não vou deixar de exercer meu senso crítico construtivo – que não tem o objetivo de desgastar os governantes -, mas, no papel de jornalista, procurar orientar quando a coisa não está certa; ou propagar, louvar os acertos. Assim sempre fiz e vou continuar fazendo, de forma equilibrada e apartidária enquanto eu tiver vida e capacidade de escrever. Bem como até houver respeito ao meu trabalho e aos meus diretos de cidadão e empreendedor.

Pois bem! Não se pode negar que o governador Mauro Carlesse, com sua visão empreendedora, pois que veio do empreendedorismo privado, está bem intencionado em desenvolver social e economicamente o Tocantins. Sua gestão vai bem em alguns setores, como, para citar alguns poucos exemplos,  o da Comunicação Social; da Agricultura, Pecuária e Aquicultura; da agrodefesa e da Administração, com titulares com largo conhecimento do Tocantins e de seus valores humanos, experiência técnica e política.

Mas sua gestão ainda está travada em alguns setores. E aqui, com certeza pessoal e do que tenho ouvido nas ruas da capital, do interior, do Parlamento Estadual e de lideranças políticas, empresariais e comunitárias, Tocantins a fora, aponto não só a SICS, com um titular com pose de secretário de estado rico ou de ministro, mas, também, o chefe de gabinete do Palácio Araguaia, Divino Allan, tido por muitos, ao longo da história política do Tocantins, como irresponsável, incompetente e mentiroso – e há muitas razões para isto, desde os tempos do saudoso prefeito de Gurupi, João Cruz. Mauro Carlesse deu super poderes à alguém que nem é político, nem técnico e o resultado é o desgaste do seu governo e a antipatia gerada nas referidas lideranças. Allan faz pouco caso até das mais expressivas lideranças políticas do estado, do Parlamento estadual e dos municípios e pensa que ser governo é “fechar o estado para uns e abrir para outros”, de acordo com suas empatias e antipatias.

Outro setor que está travando a administração do Estado, tornando-o lento e burocrático – defeitos que Carlesse sempre, ao menos no discurso, condenou -, é o tal de “Conselho Gestor”. Este, entre outras atribuições, analisa o que o Estado pode ou não fazer, como aquisições de bens e serviços. Até ai tudo bem, está certo, excetuando a demora nas decisões. Mas o absurdo é este Conselho, ter que opinar se o que o Estado deve para seus fornecedores pode ser pago ou não. Nenhum um órgão da administração direta ou indireta pode mandar um empenho para pagar direito para a Fazenda. Tem que passar antes pelo Conselho, que leva dias meses para dar um veridito. Está errado, é uma trava não só na administração pública, mas no empresariado.

O que não se entende é que o governador tem uma equipe política e outra de comunicação que deveriam  lhe informar os bastidores internos e das ruas – ou não? -, mas prefere se desgastar por esses gargalos.

É hora de mudar este status antes de um desgaste maior, com conseqüências nefastas para o contexto geral do Tocantins.

Antônio Oliveira