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AGORA É GUERRA – Ou o cotonicultor acaba com o bicudo ou o bicudo acaba com ele

O bicudo é a principal praga da cotonicultura. Se não combatido, dizima toda uma lavoura. (Foto: Divulgação)
O bicudo é a principal praga da cotonicultura. Se não combatido, dizima toda uma lavoura. (Foto: Divulgação)

Não tem meio termo: ou os cotonicultores da Bahia acabam com o bicudo-do-algodoeiro ou bicudo vai acabar com a cultura do algodão na região. Via de regra, também com o produtor.

Foi assim no Paraná. No início da década de 1990, o Estado produzia mais de 50% do algodão brasileiro. Hoje os paranaenses não suprem nem a demanda do Estado pela fibra.

Foi assim, também, na região de Guanambi, no sudoeste baiano. Bem antes da introdução do algodão no oeste da Bahia, a região já chegou a plantar ate 250 mil hectares da fibra, sendo o maior produtor do estado da Bahia. Entrou em decadência e, graças às tecnologias, investimentos em pesquisas e a organização da categoria, retomou a produção a partir de 2008, chegando a uma área de mais de 50 mil hectares nas duas últimas safras.

Motivo da decadência da cotonicultura no Paraná e no sudoeste da Bahia? Um bichinho “arretado” de atrevido e guloso, adora a seiva das maçãs do algodão e se não combatido a lavoura é destruída em pouco tempo: o bicudo-do-algodoeiro.

Terra arrasada, a cultura, principalmente a do Paraná, migrou para estados como Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul  e oeste da Bahia.

Principal praga do algodoeiro nas américas, o bicudo-do-algodoeiro gera um custo entre US$ 100 e US$ 150 por hectare para que possa ser controlado.

De acordo com pesquisadores, juntamente com a Helicoverpa armigera, o bicudo-do-algodoeiro ocupa a primeira posição no ranking de pragas de relevância econômica para a cultura do algodão, seguida por outras como a lagarta falsa-medideira, o purgão, os ácaros, o percevejo marro e a mosca-branca.

E para evitar que este besourinho malvado faça um estrago geral, inviabilizando de uma vez por toda a cotonicultura nas regiões produtoras da Bahia – Oeste e Sudoeste -, o Programa Fitossanitário da Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa), na versão 2015/2015, reforço o seu empenho no sentindo de conscientizar os cotonicultores para o monitoramento e manejo do bicudo e outras pragas em cada uma de suas microrregiões, conforme informou a Abapa por meio de sua assessoria de comunicação.

Essa nova versão do Programa se balizou no avanço das pragas nas duas regiões.

– Estamos em uma guerra, se não houver seriedade e determinação, certamente perderemos. As novas ações do Programa Fitossanitário, vêm com a proposta de controlar efetivamente as pragas que atacam a nossa lavoura, e combater o bicudo-do-algodoeiro. Esperamos contar com o comprometimento de todos, ressaltou o presidente da Abapa, Celestino Zanella.

Conforme a Associação, Dentre as ações levantadas,  a campanha “Agora é Guerra”, lançada em outubro, durante o 10º Congresso Brasileiro do Algodão, pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), tem ganhado força na Bahia.

– Os produtores baianos aceitaram o desafio. Estamos avançando e traçando nosso próprio caminho, em cima do que já fora proposto pela Abrapa. Temos muitas ações sendo desenvolvidas e precisamos diminuir a proliferação dessa praga nas nossas lavouras, pontua o coordenador do Programa Fitossanitário do oeste da Bahia e diretor da Abapa, Celito Breda.

O bicudo-do-algodoeiro gera um custo entre US$ 100 e US$ 150 por hectare para que possa ser controlado. (Foto: Divulgação)
O bicudo-do-algodoeiro gera um custo entre US$ 100 e US$ 150 por hectare para que possa ser controlado. (Foto: Divulgação)

A Abapa informa ainda que como parte do planejamento da Campanha, uma série de ações efetivas foram traçadas, no intuito de combater definitivamente o bicudo-do-algodoeiro na região oeste. Nesse mês de novembro, foram distribuídos cerca de 500 adesivos de divulgação e  realizadas quatro reuniões nas microrregiões produtoras.

– Vale salientar que cada microrregião conta com um, ou dois líderes, que tem que ser um produtor da linha. Esperamos assim, que todos se comprometam”, explica Breda.

Com base nessas reuniões, está sendo elaborado um “Manual de Boas Práticas”, que, ainda de acordo com a Abapa,  servirá de parâmetro para ações coletivas e preventivas para o controle populacional do bicudo.

Conforme Celito Breda, essas ações trarão melhorias ao Programa.

– O Programa, por si só, infelizmente não está mais convencendo o produtor sobre as suas atribuições. Os produtores precisam se conscientizar que estamos caminhando para uma situação de insustentabilidade que tem que ser revertida com urgência, disse.

Porém, ele acrescenta que o combate ao bicudo não é um bicho-de-se-cabeças, não.

– A boa notícia é que não existem grandes mistérios para que possamos reverter este cenário. No momento que acabarmos com os criatórios da praga no interior das lavouras de soja e milho, a situação facilmente estará sob controle, pois bicudo que não nasce não dá trabalho, nem prejuízo, pontuou.

Todas essas ações, inclusive a Campanha, foram debatidas e discutidas, em uma reunião que aconteceu no dia 15 de outubro, com a presença de produtores, consultores, representantes das entidades, técnicos e gerentes de fazendas, e dos pesquisadores, José Ednilson Miranda (Embrapa) e Paulo Degrande (UFGD).

Dentre as novas medidas para melhor desempenho do Programa, estão também, explica a Abapa,  seguir o Protocolo criado durante o Workshop do Bicudo, criação de um canal para denúncia (disk denúncia), assinatura de termo de compromisso para todos os produtores, eliminação das tigueras no perímetro urbano, vistoria nas lavouras dos vizinhos, dentre outras.

– É inegável que todos sabem o que tem que fazer, são 15 anos insistindo e alertando os produtores sobre os procedimentos. Porém, muitos não se convenceram sobre a consequência de suas ações ou omissões. Nenhuma prática vai ser eficiente, se nós continuarmos permitindo plantas de algodão, fora da lavoura de algodão, enfatizou Celito Breda, numa referência  à importância da destruição de soqueiras e tigueras.

O programa conta com a parceria da Adab, Fundeagro, Embrapa e Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).

(Com informações da Ascom/Abapa)