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Agricultura do oeste baiano – Crise de determinação e de coletividade

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Por Celito Eduardo Breda

Estamos preparados para iniciarmos a safra 2015/16?

Sem dúvida, motivos não faltam para nos preocuparmos. Mas como sempre é preciso otimismo e “pé no chão” para encarar todos os desafios e vencê-los um a um. Sempre que tivemos crises e desafios, também é verdade, que foram momentos de oportunidades.

Mas vamos nos ater aqui as questões fitossanitárias, as quais perduram, talvez dentre os principais problemas da região.

Bicudo do algodoeiro – É uma praga muito conhecida por todos os cotonicultores, relativamente de fácil controle, praticamente só se alimento de algodoeiro, se reproduz somente em algodoeiro. Então por que tamanha dificuldade no seu controle e por que tantos prejuízos acumulados (calcula-se mais de 1.000 reais/ha/ano de custos e perdas)?

Foto 01Resumidamente, deduzimos que a dificuldade no seu controle está na falta de determinação e de ações coletivas. A discussão do assunto é frequente e a orientação das empresas de defensivos, pesquisadores e consultores é maçante e incansável e mesmo assim os erros clássicos perduram, tais como: erro na destruição de soqueiras; vazio sanitário muito curto em alguns casos, eliminação de tigueras no meio da soja e do milho pouco eficiente; aplicações de inseticidas ainda carecem de um padrão bom de qualidade. Como resolver isto?

Formar um padrão de manejo e controle microrregional entre os produtores de cada núcleo com ações de controle de soqueiras, tigueras, vazio sanitário de no mínimo 60 dias; três aplicações de inseticidas antes e durante o b1 (primeiro botão floral, que ocorre aos 26, 28 dias); manter frequência de aplicações (máximo 10 dias de intervalo, sendo que alguns momentos ou talhões exigem intervalos bem menores); utilização de tmb’s (tubo mata-bicudo) durante o vazio sanitário; utilizar armadilhas para monitorar onde a praga está com maior pressão; monitoramento com padrão de excelência de preferência com os sistemas modernos de registro através de tablets ou iphones; aplicar os melhores produtos do mercado (em torno de 6 produtos somente. Dentre os melhores citamos o malathion/paration/fipronil); evitar o uso de piretroides (com notável problemas de resistência geral); dar preferência às aplicações UBV e BVO, principalmente aéreas; utilizar índices de controle abaixo de 3% durante todo o ciclo; aplicação padronizada de inseticida durante a desfolha e destruição de soqueiras, entre outros.

O sucesso do manejo e controle do bicudo é a combinação de ações padronizadas e coletivas. Tudo com muita determinação e organização. Do contrário todos pagarão pela ineficiência do conjunto.

Manejo da mosca branca – É uma praga que se hospeda e causa altos custos e prejuízos na soja, algodão e feijão, mas também tem ocorrência no milho nos últimos anos.

Infelizmente, não temos um vazio sanitário total na região. A técnica preconizada pelos entomologistas em nosso programa fitossanitário global de ter no mínimo 60 dias sem culturas hospedeiras às principais pragas da região, durante setembro e outubro.

Neste caso da inexistência do “vazio total” o descontrole da mosca branca está muito evidente. Ela tem o privilégio de ter comida o ano todo. Formamos a chamada “ponte verde” (o ano todo com oferta de alimento/hospedeiros) para ela e todas as outras pragas.

Qual o custo disto? Na soja, com certeza, acima de U$ 50/ha na média (casos de se gastar até U$ 100/ha no ciclo); no algodão este custo passa de U$ 80/há; no feijão irrigado é mais cruel ainda – esta praga praticamente inviabilizou a cultura em nossa região (já tivemos 45 mil hectares e hoje menos de 6 mil hectares).

Qual é a solução para tudo isto? – Vamos resgatar o que está no nosso “DNA”: arrojo e determinação.

A solução, inevitavelmente, passará por uma questão de consciência geral, seguida de iniciativas regionais e formação de grupos organizados para vencermos de forma coletiva. Sem seguirmos as premissas básicas e as ações determinadas dentro e fora da porteira, teremos grandes dificuldades de obtermos as soluções em tempo hábil e sucesso generalizado em nossa região.

Então, procure logo seus vizinhos e comece já as mudanças em busca de mais equilíbrio no manejo total das principais pragas.

*É diretor técnico da Coperfarms e diretor da Fundação Bahia e da Abapa