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Da Redação*

O Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido nesta segunda, 6, em São Paulo, pela ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio e B3 – Brasil Bolsa Balcão e que reuniu 870 participantes, discutiu importantes questões do agronegócio brasileiro. Por exemplo: os impactos para o agronegócio brasileiro em um mundo marcado por uma guerra comercial entre Estados Unidos e China, que tem deslocado o pêndulo geopolítico para a Ásia, a necessidade de valorização da OMC – Organização Mundial do Comércio e do multilateralismo e a discussão das novas fontes de financiamentos para o agro, além de uma análise do que é prioritário e urgente em relação aos debates das próximas eleições.

No encerramento do evento, Felipe Paiva, diretor da B3 salientou a importância da parceria firmada com a ABAG.

– Nossa conclusão é a de que, juntos com a ABAG, conseguimos potencializar os resultados do agronegócio em nosso país – afirmou.

Já o presidente da ABAG, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, salientou a importância dos debates realizados, sobretudo em relação à nova geopolítica mundial.

– Em meio a toda a problemática interna que envolve, entre outras coisas, a absurda tabela do frete, o principal ponto destacado nas discussões foi o da volta do pêndulo da geopolítica mundial para a Ásia, com a China ganhando peso, cenário em que o Brasil pode se tornar mero expectador ou assumir de vez seu protagonismo mundial como um importante exportador de alimentos, energia e fibras – comentou

A questão do cenário externo apontada por Carvalho foi detalhada na palestra Geopolítica e Mercado Internacional: Impactos para o Brasil, na qual o embaixador brasileiro em Washington, Sergio Amaral pontuou que o agronegócio brasileiro tem dois desafios nos próximos anos. A seu ver, a curto prazo será necessário ampliar e manter a produtividade, a médio prazo, o setor vai necessitar dar um salto em termos de internacionalização, exportando não apenas alimentos, mas também tecnologia e serviços.

Ambos os desafios, de acordo com o embaixador, terão de ser enfrentados dentro de um cenário onde predomina uma guerra comercial entre Estados Unidos e China.

– Não somos alvo, mas sofremos as consequências de forma indireta – disse, acrescentando que nem tudo pode ser negativo.

Presidente da Abag, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, e diretor da B3, Felipe Paiva, fazem o encerramento do Congresso Brasileiro (Foto: Divulgação)
Presidente da Abag, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, e diretor da B3, Felipe Paiva, fazem o encerramento do Congresso Brasileiro (Foto: Divulgação)

– Se os chineses imporem sanções, por exemplo, na exportação da soja americana, eles (chineses) vão precisar de outros mercados para suprimir a demanda e o Brasil pode ser beneficiado, juntamente com a Argentina, assim como se a China fechar um acordo com os Estados Unidos, pode ser que percamos um mercado importante –  analisou.

A questão americana, aliás, também pode ser uma oportunidade para o Brasil porque, segundo Amaral, o país havia perdido o trem das relações comerciais internacionais em governos anteriores.

– Em decorrência da política adotada pelo governo Trump, o trem parou e nosso país, agora, tem a oportunidade de embarcar neste trem, por meio do Itamaraty, que reiniciou a negociação por acordos com diversos blocos e países – ponderou.

Nesse sentido, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, comentou, durante a abertura do evento, que a agenda de negociações do Itamaraty engloba acordos com o Japão, Canadá, Coreia do Sul e com os países da Aliança do Pacífico, além de estar revitalizando os acordos comerciais do Mercosul. Nunes ainda destacou dois pontos relacionados ao agronegócio: a luta contra as barreiras sanitárias e fitossanitárias e que em termos de sustentabilidade o Brasil é uma referência e não precisa receber lição de nenhum país.

– Há ainda muita coisa a ser feita, mas nossa produção agrícola preserva mais de 60% da cobertura vegetal, original, inclusive – disse.

Em sua apresentação na abertura do evento, o presidente da ABAG, Luiz Carlos Corrêa Carvalho fez questão de salientar a importância de o país não se isolar num cenário mundial marcado por um aumento de medidas protecionistas.

– Nesse sentido, para o Brasil e para o Mercosul, o fortalecimento da OMC – Organização Mundial do Comércio é fundamental. Para se ter uma ideia, segundo a própria OMC, uma guerra comercial poderia fazer recuar o PIB global em mais de dois pontos percentuais – afirmou Carvalho.

Em sua saudação inicial, o presidente da B3, Gilson Finkelsztain, afirmou que, para o país atender as expectativas mundiais em termos de produção e exportação, será necessário diversificar a busca por recursos.

– Nesse aspecto, a área de mercado de capitais brasileiro teve grande evolução nos últimos anos. O melhor exemplo disso foi a consolidação dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), afinal de contas, no ano passado eles representaram uma movimentação de R$ 30 bilhões, um volume que foi o dobro do ano anterior –  informou.

Também participaram da abertura do evento, o prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira, a superintendente Federal do Ministério da Agricultura em São Paulo, Andrea Moura, do secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, Francisco Jardim, o deputado federal Arnaldo Jardim, do presidente da APEX, Roberto Jaguaribe, o presidente da Abitrigo, embaixador Rubens Barbosa, o representante permanente do Brasil na OMC, Alexandre Parola, o presidente da CNA, João Martins da Silva Junior, o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, o coordenador dos países produtores do Cone Sul, Gustavo Idigoras, e o presidente em exercício da Embrapa, Celso Luiz Moretti.

Homenagens

O Congresso Brasileiro do Agronegócio prestou duas homenagens, por meio dos seus já tradicionais prêmios. Para o Prêmio Norman Borlaug, a escolhida foi a consultora em Biossegurança e Biosseguridade, Leila dos Santos Macedo, que é bacharel em Química, mestre e doutora em Microbiologia e Imunologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi pesquisadora titular da Fundação Oswaldo Cruz no tema Biossegurança e de 1995 a 1999, fez parte e presidiu a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), período em que teve contribuição decisiva para dissipar conflitos entre os diversos órgãos relacionados com a questões de biossegurança. Foi durante sua passagem pela Comissão, que o primeiro transgênico foi aprovado no Brasil.

Para o Prêmio Ney Bittencourt de Araújo – Personalidade do Agronegócio, o homenageado foi o Presidente da CNA – Confederação Nacional da Agricultura, João Martins da Silva Junior. Pecuarista, com 50 anos de experiência na área, é graduado em Administração de Empresas e foi fundador e primeiro tesoureiro da Central de Cooperativas de Leite da Bahia. Na década de 1980, foi vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia, entidade que veio a presidir em 2000. Exerceu cargos nas direções do Sebrae – Bahia, Senar-BA, no Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia, entre outras instituições.

O evento foi palco também da divulgação das linhas mestras do “Plano de Estado – Brasil 2030 – Agro é Paz”, apresentado e organizado pelo ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues.

– Nossa proposta não é apresentar um plano com sugestões ao próximo governo, mas sim redigir um Plano de Estado, com o olhar voltado para um horizonte mais longo: até 2030. Não se trata de pedido ou demanda ao governo, mas sim uma ampla proposta de longo prazo – afirmou o ex-ministro. O Plano foca os seguintes eixos: Cenário para o agro face à demanda global para 2030; Macroeconomia Brasileira e os Desafios; Segurança Jurídica; Política Agrícola; Associativismo e Cooperativismo; Competitividade Internacional do Agro Brasileiro: Visão Estratégica e Políticas Públicas; Logística: Transporte e Armazenagem; Inovação; Sustentabilidade e Imagem.

*Fonte: Assessoria de imprensa do evento, com edição de Cerrado Rural Agronegócios

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