ARTIGO – Ô mundinho violento esse!

ARTIGO – Ô mundinho violento esse!

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Por Daniel de Paula*

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Divulgação

Não está lá muito fácil sair de casa para qualquer finalidade sem uma pontinha de receio. O pavor está se espalhando por todo lado e de todas as fontes. Hoje, qualquer vento suspeito pode meter medo em quem sai pra passear, trabalhar ou se exercitar. Nem no campo, onde a gente se refugiava para viver a tranquilidade de paisagens bucólicas do Interior do Brasil, dá mais para ter segurança. A violência está por toda parte.

Não sai da minha cabeça que a impunidade de toda ordem é motivadora dessa onda de violência, pelo menos no Brasil. Como sempre gostamos de comparar com o resto do mundo, dizem que pelo menos aqui não tem guerra. Já pensaram se tivesse? Isso aqui seria o pior lugar do mundo para se viver, se é que já não se considera assim em algumas áreas ocupadas e dominadas por grupos que só não recebem rótulos de terroristas porque praticam a violência com fins lucrativos – roubo, tráfico.

O terrorismo ainda nos espanta. Desde aquele boom das ações assustadoras, como foi o 11 de setembro – a pior tragédia que eu guardo na retina, por não ter acompanhado os horrores da guerra, do holocausto –, o modismo de pregar o fanatismo atirando a esmo e reivindicando os atentados tem avançado mundo afora. Até nas praias da Tunísia um fanático saiu metralhando todo mundo para “punir” quem se divertia nas férias. No mesmo dia, só para ficar nos atos mais recentes, teve gente morrendo em atentado na, Tunísia, na França e no Kuwait. No ano do Ramadã, os líderes do tal Estado Islâmico, quase um substituto do Al Qaeda, pregam a violência como forma de “educar” o mundo. Vai saber onde explodirão a próxima bomba.

O que chama atenção é a banalização da violência, com diferentes motivos. No Brasil, considero também uma violência os escândalos de uma política e de uma economia devastadas como temos visto nos noticiários. Mas machuca mais a alma do que o corpo. O que está assustando em escala crescente é a inconsequência – derivada da impunidade – de bandidos, black-blocs ou invasores, independente da razão que tenham.

É o falso herói José Rainha ligado a depredações de pedágios e queima de fazendas. Desocupadas aniquilando anos de pesquisa em uma fábrica de Itapetininga/MS. Menores roubando e trocando tiros com a Polícia, morrendo em seguida, para atiçar ONGs de direitos humanos e nos trazer à memória aquelas frases contundentes – e para mim, muito corretas – do coronel Ivaldo Barbosa Rodrigues, comandante de policiamento especializado do Maranhão: “É melhor ser julgado por sete do que carregado por seis” e “não aguento mais enterrar pai de família”, referindo-se ao direito à legítima defesa de seus colegas. Índios invadindo fazendas. Esse último caso, no sul do Mato Grosso do Sul, foi o que motivou esse texto, relacionando tudo o que está afligindo a população no mundo.

O Estado sempre assume uma posição político-pacificadora. Mas a morosidade e os impasses criados pela própria Lei dificultam a paz. Seja no mundo, onde forças de paz são compostas por dirigentes da ONU, que acaba de completar 70 anos com mais esforços do que resultados. Ou aqui, onde a Justiça fica refém de interpretações e jurisprudências que permitem até as autoridades máximas maquiarem as pedaladas financeiras do governo. Fazer Justiça com as próprias mãos, mais arriscado ainda, porque a violência vai sempre gerar a violência – e a razão vai para o lado menos populista.

Nesse novo caso do MS, os produtores se uniram e tiraram da fazenda Madama os indígenas que de madrugada invadiram atirando e queimando as panelas das famílias que ali viviam, atemorizando todo mundo que está ali trabalhando. O amigo advogado Pedro Puttini Mendes, presidente da Comissão de Assuntos Agrários e Agronegócio da OAB/MS, lembrou em um texto o Artigo 193 da Constituição: “A ordem social tem como base o primado do trabalho e como objetivo o bem-estar e a justiça sociais”. Mas, para o governo que nos rege há 13 anos, a primeira parte não existe. Sempre deu o peixe, sem ensinar a pescar. E as impunidades cada vez mais evidentes alimentam a inconsequência que temos observado em algumas ações de delinquentes que querem tirar o peixe a todo custo.

No caso dessa semana, os produtores se uniram para retirar os indígenas da propriedade rural, mas se os exemplos ruins da violência pelo mundo forem absorvidos aqui, como já aconteceu em outras ocasiões menos pacíficas, então estaremos na mira da mesma violência desenfreada que se espalha pelas ruas, praias ou campos do Brasil e do mundo.

(Daniel de Paula, é publicitário e jornalista desde 1989. Trabalhou em impressos, rádios e televisão a partir de São Paulo, onde foi criado e onde se formou, com destaque para oito anos como comentarista dos canais Sportv/TV Globo até 2004. Hoje é repórter do Canal do Boi, canal integrante do SBA (Sistema Brasileiro do Agronegócio – Extraído do site Rural Centro)

 

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