Home Artigos ARTIGO TÉCNICO – Diferimento de pastagens: ajustando a alimentação do rebanho para...

ARTIGO TÉCNICO – Diferimento de pastagens: ajustando a alimentação do rebanho para a época seca do ano

Por

Vitor Del Alamo Guarda, Fabiana Matos de Queiroz e Higor Carvalho Monteiro

Sierra Exif JPEG

Tal técnica apresenta elevada quantidade de forragem, porém de baixo valor nutritivo (Foto: divulgação)

Estacionalidade de produção de forragem é o termo empregado para o período do ano em que ocorre diminuição da produção das pastagens em virtude da redução na disponibilidade de fatores ambientais, como luz, temperatura e, no caso da região do Matopiba, água, devido a uma estação seca de seis meses.

Assim, temos o que chamamos de período das águas – em que os pastos estão altamente produtivos, se bem nutridos e manejados – e a época de seca, momento em que os pastos reduzem ou cessam seu crescimento.

A estacionalidade é conhecida há muito tempo e não podemos mais tratá-la como um grande problema da produção animal em pasto. É uma característica ambiental, bem descrita, à qual devemos nos adaptar, definindo estratégias para aumentarmos o sucesso dos diferentes sistemas de produção animal em pasto.

Desse modo, o planejamento alimentar do rebanho é fator crucial no desempenho do sistema de produção, que proporciona aumento da competitividade da produção animal frente a outras culturas agrícolas, que se expandem cada vez mais por todo o Brasil.

Para a realização do ajuste da oferta de forragem na época seca do ano, pode-se trabalhar com redução da taxa de lotação, que na prática é a venda de animais, ou armazenando alimento.

Nesse último caso, uma alternativa barata e muito fácil de implantar para reduzir os efeitos da estacionalidade de produção de forragem é o diferimento da pastagem.

Essa técnica, conhecida também por vedação dos pastos ou produção de feno em pé, consiste em selecionar determinadas áreas da propriedade e excluí-las do pastejo, permitindo o acúmulo de grande massa de forragem.

Essas áreas são vedadas de forma programada, do meio para o fim do período das águas, como forma de garantir forragem para ser pastejada no período seco.

Tal técnica apresenta elevada quantidade de forragem, porém de baixo valor nutritivo. É importante salientar que o diferimento de pastagem não se faz somente impedindo a entrada de animais nas áreas selecionadas.

Ações de manejo devem ser planejadas e adotadas, uma vez que o grande acúmulo de massa pode levar ao tombamento da planta, dificultando sua desfolha e, consequentemente, diminuindo o aproveitamento do material acumulado.

A escolha da espécie adequada a ser utilizada é fundamental, uma vez que essa espécie deve apresentar bom potencial de crescimento e capacidade de manter o valor nutritivo durante o período de vedação. Nesse sentido, as espécies do gênero Brachiaria (ex: capim-marandu, braquiarinha) e Cynodon (ex: capim-coastcross, tifton 85) são as mais indicadas para o diferimento devido ao hábito de crescimento prostrado (plantas rasteiras, decumbentes) e também por acumularem maior quantidade de folha em relação ao colmo. Espécies do gênero Andropogon, muito comum na região do Matopiba, e de Panicum (ex: capim-mombaça, BRS Zuri) e Pennisetum (ex: capim-elefante), de crescimento cespitoso (entouceirado), apresentam rápida perda do valor nutritivo, devido a maior quantidade e proporção de colmo, o que afeta o consumo dos pastos pelos animais e, consequentemente, o desempenho.  Elevada produção de colmos nos capins do gênero Panicum  e Pennisetum.

Algumas estratégias são utilizadas com o objetivo de melhorar o valor nutritivo dos pastos das áreas vedadas. Uma delas é a realização de pastejo intenso imediatamente antes do início do diferimento dos pastos.

Desse modo, todo material de baixa qualidade presente, como colmos e folhas velhas, será removido e a rebrotação terá plantas mais jovens e de melhor valor nutritivo.

Outra estratégia é o uso da adubação para favorecer o crescimento e o acúmulo de massa. Vale ressaltar que essa técnica não gerará grandes desempenhos ao rebanho devido ao seu baixo valor nutritivo.

No entanto, é uma técnica prática e barata e que, acompanhada de suplementação proteica adequada, possibilita ganhos e também melhores gestão e desempenho do sistema pecuário adotado.

 

Vitor Del Alamo Guarda, pesquisador em Forragicultura e Pastagens Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO) E-mail: vitor.guarda@embrapa.br

Fabiana Matos de Queiroz Bolsista Pibic – CNPq Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO)

Higor Carvalho Monteiro Estagiário Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO)