Em sua palestra, Andrade vai mostrar que o setor de árvores plantadas na Bahia tem características que o fazem destacar diante de outras regiões produtoras
Em sua palestra, Andrade vai mostrar que o setor de árvores plantadas na Bahia tem características que o fazem destacar diante de outras regiões produtoras

*Da Redação

Consulados de vários países estarão participando da Bahia Farm Show 2018, que foi adiada para 5 a 9 de junho próximo. Conforme o Corpo Consular na Bahia (CCB), que reúne consulados locais de 34 países, esta participação se dará com o apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Turismo (SETUR), da Prefeitura de Luís Eduardo Magalhães e das entidades promotoras da Bahia Farm Show (BFS), como AIBA e ABAPA. Essa participação, conforme admite o próprio Corpo Consular, contribuirá com a internacionalização “cada vez maior da feira, dos seus participantes e produtos”.

A missão é Coordenada pela Cônsul da Grécia e Decana do CCB, Miriam Souza e conta com os Cônsules de 9 países – Finlândia, Argentina, Cuba, Holanda, Uruguai, Suíça, Alemanha, Bélgica e Grécia. Os Cônsules participarão de visitas técnicas, das principais atividades programadas pela feira e, em especial, no 30/5, às 14h, no auditório da AIBA, estarão reunidos com os diretores e membros da AIBA e ABAPA para discutir possibilidades de cooperação e planejamento de ações conjuntas.

O Cônsul da Finlândia na Bahia, Wilson Andrade, também Vice-Decano do Corpo Consular, está participando da Missão e acredita que os Consulados na Bahia podem contribuir muito para as relações comerciais entre o Oeste da Bahia e os países representados, pois sinalizam uma janela de acesso às embaixadas em Brasília, verdadeiros portais de acesso aos exportadores e importadores de produtos, tecnologias e capitais dos diversos países.

Segundo Andrade, o Brasil e a Bahia têm baixa taxa de internacionalização, em torno de 12% do seu PIB, enquanto que países que mais rápido se desenvolveram têm taxas acima de 40%.

– Há 20 anos, o Brasil e China tinham apenas 1% cada das vendas e compras mundiais. Hoje o Brasil continua com 1%, enquanto que a China ultrapassa os 14%. Ademais as exportações da Bahia e Brasil estão muito concentradas em poucos destinos, poucos produtos e poucos exportadores. É, portanto, urgente neste momento de recuperação da economia, que os produtores e indústrias invistam para acessar o mercado internacional visando exportação, importação, novas tecnologias e investimentos estrangeiros – analisa.

Segundo Wilson Andrade, que é Presidente da Comissão de Comércio Exterior da Associação Comercial da Bahia (COMEX-ACB) o Oeste da Bahia precisa – e tem possibilidades – de atração de investimentos estrangeiros para implementar a verticalização das suas cadeias produtivas, principalmente de café, algodão, soja, madeira e milho, gerando assim produtos de maior valor agregado,  empregos,  divisas e rendas adicionais,  contribuindo ainda mais para a desconcentração do desenvolvimento da economia baiana.

Setor Florestal 

Wilson Andrade que também dirigente da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), vai apresentar o setor florestal  na palestra “Florestas plantadas: investimento sustentável” que será ministrada às 9h de 30/05, no Auditório Pavilhão Coberto –Sala 2. De acordo com Andrade, existem, no Oeste da Bahia, importantes projetos na área de energia, secagem de grãos e serrarias com uso múltiplo. “E espera-se o forte desenvolvimento de produção de energia a partir da biomassa do eucalipto de maneira a atender a crescente demanda da região, com produção local, a exemplo do que é realizado em outras regiões”, acrescentou.

– Precisamos planejar uma melhor combinação entre produção e consumo de madeira plantada. Na Bahia temos áreas com excesso de oferta e outras distantes do consumo. Além disso, a Bahia é líder de produtividade, mas importa ainda 80% da madeira consumira para serraria, moveis, e construção civil –  analisa Andrade.

Em sua palestra, Andrade vai mostrar que o setor de árvores plantadas na Bahia tem características que o fazem destacar diante de outras regiões produtoras.

– Uma delas é o fato de continuar crescendo anualmente acima da média de crescimento nacional. Outra característica é o fato de a Bahia, com suas condições edafoclimáticas e pela tecnologia das empresas, contribuir para que o Brasil seja líder mundial em produtividade do eucalipto. Destacamos também o fato da produção em quatro polos distintos no Estado da Bahia (Sul e Extremo Sul, Litoral Norte, Sudoeste e Oeste) o que contribui – e muito – para a desconcentração da produção e da economia. Além disso, nosso setor recebe alavancagem de diferentes segmentos que utilizam madeira plantada em seus processos produtivos: papel e celulose; construção civil; movelaria; partes e peças de madeira; mineração; e energia de biomassa – adianta Andrade.

Demanda no Oeste 

– Estamos consumindo nossos estoques sem a devida reposição e num dado momento a demanda será maior que a oferta. Neste momento, quem tiver madeira para vender poderá vender a um bom preço, e ainda assim corre-se o risco de as empresas consumidoras de madeira serem obrigadas a adquirir madeiras de longas distâncias. Os sistemas Agroflorestais ou (ILPF) Integração Lavoura Pecuária Floresta vêm se mostrando viável para uma região com uma aptidão também para pastagens. A julgar pelo tamanho do rebanho bovino do oeste da Bahia, podemos chegar a uma área aproximada de 500.000ha de pastagens. Se conseguirmos demover os fazendeiros e empresários a destinar parte da sua área de pastagens para projetos florestais, a região teria um maciço florestal com capacidade de absorver a instalação de indústrias de base madeireira sem perder a aptidão da pecuária. As instituições ligadas ao homem do campo e profissionais das áreas de pecuária e floresta têm um desafio de mudar este cenário e mostrar que o plantio de florestas é, sim, uma alternativa viável para suas propriedades, que há linhas de crédito para tal investimento, que há um mercado consumidor e que cada um poderia dispor de uma poupança verde na sua propriedade – afirma Moisés Pedreira, engenheiro e consultor florestal.

*Fonte: Assessoria de imprensa do Corpo Consular.

Observação: este matéria foi produzido pela Assessoria antes do adiamento do evento em questão. Portanto, as intervenções citadas neste texto serão alteradas.