BIOFLOCOS – Vantagens do sistema na aquicultura

BIOFLOCOS – Vantagens do sistema na aquicultura

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Por Antônio Oliveira

"Na realidade, a utilização da mesma água pode chegar a mais de três anos" (Foto: Divulgação)
“Na realidade, a utilização da mesma água pode chegar a mais de três anos” (Foto: Divulgação)

O     uso da água está entre os maiores custos e impactos ambientais da piscicultura, além de obstar o desenvolvimento da atividade em regiões com pouca água – ou dificuldade de acesso a ela -, como o semiárido brasileiro.

Para vencer estes obstáculos, os pesquisadores estão recomendando a tecnologia do bioflocos, que diminui o volume de água no cultivo do peixe. É o caso de Eduardo Rodrigues, diretor técnico da estatal Bahia Pesca.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

E o que é bioflocos? São partículas suspensas na água, compostas por microalgas e bactérias agregadas a restos de ração, fezes e microrganismos vivos e mortos.

Para a fabricação dessas partículas são usadas dois tipos de bactérias: as heterotróficas, que são aquelas que degradam a matéria orgânica, e as bactérias desnitrificantes, que convertem amônia em nitrito e nitrato, que são forma de nitrogênio que são assimiláveis pelos animais.

Conforme o diretor técnico da Bahia Pesca, empresa do Governo da Bahia, Eduardo Rodrigues, é a ação dessas bactérias que faz com que a água do viveiro ou tanque seja reutilizada.
– Na realidade, a utilização da mesma água pode chegar a mais de três anos – diz ele.

No sistema convencional, a água precisa ser trocada quase que diariamente, uma vez que, à medida que as colônias das bactérias maturam, o processo que se encarrega de remover a matéria orgânica ou amônia se torna mais eficiente, evitando descartar a água, gerando altos custos e impactos ambientais para a aquicultura, conforme Rodrigues.

O diretor técnico da Bahia Pesca recomenda que a melhor espécie para cultivo por este sistema é a tilápia.

– É um peixe rústico e bem resistente ao manejo e às oscilações de oxigênio dissolvido na água – diz.

Com tudo, há estudos com outras espécies e até outros tipos de organismos aquáticos, como por exemplo camarão, no sistema de bioflócos.

A Bahia Pesca está incentivando muito o uso de tanques com bioflocos, já que a necessidade de renovação é pequena. Eduardo Rodrigues explica que, desde que a água tenha qualidade para produção, não há restrições para a fonte utilizada ao instalar o sistema.

– O sistema é de baixo custo e pode ser uma alternativa na geração de alimento e renda para agricultores familiares, em áreas de baixa demanda hídrica – afirma.

Além disso, o sistema também pode ser usado em regiões onde o uso de sistemas convencionais não são possíveis de serem implantados.

O sistema usado pela Bahia Pesca é um sistema de baixa renovação de água. Ou seja, o sistema utiliza “água nova” apenas para repor perdas por evaporação ou devido à retirada de matéria orgânica não decomposta.

– O sistema de produção adotado pela Bahia Pesca utiliza tanques circulares de 20 m³, com sistema de aeração e caixa auxiliar de remoção de matéria orgânica – explica Rodrigues.

Os principais benefícios deste sistema – continua Eduardo Rodrigues -, são a redução de custos e a facilidade de lidar com o sistema. O manejo é realizado em tanques pequenos e não precisa de estruturas elaboradas para a captação ou o descarte de água. Por causa do tamanho do tanque, o processo de despesca (retirada dos peixes dos viveiros) é fácil, sem a necessidade de passar rede.

– O piscicultor é beneficiado por ter um sistema de produção de baixo custo, fácil manejo e pouca utilização de água – afirma.

Uma produção em sistema extensivo de cultivo, como em viveiros escavados, é mais cara. Para produzir de 1.000 a 1.500 quilos de peixe, são necessárias estruturas auxiliares, como bombas e tubulação. Além disso, esse sistema demanda uma área de pelo menos 900 m² de lâmina d’água. Tudo isso encarece a implantação do sistema.

Já para a implantação do sistema de bioflocos, basta um tanque de 20 m³, aerador, gerador, tubulações e caixa de remoção de material orgânico, custando aproximadamente R$ 9.500,00, segundo Rodrigues.

– O custeio por ciclo produtivo estimado é de R$ 4.200,00 – conta.

Eduardo Rodrigues explica ainda que, para manter o sistema adequado aos peixes, é preciso prestar atenção às condições químicas da água. Isso porque o sistema utiliza pouca água e evita a renovação.

– O principal cuidado é a manutenção da qualidade da água – diz Rodrigues.

Mas o piscicultor deve estar atento aos níveis de oxigênio dissolvido, pH e níveis de amônia, nitrito e nitrato.   Eduardo Rodrigues orienta que o ideal é que o tanque possua uma faixa superior a cinco miligramas por litro de oxigênio dissolvido na água. O pH deve estar entre seis e nove. Já a amônia precisa ser inferior a três miligramas por litro, o nitrito a uma miligrama por litro e o nitrato a 200 miligramas por litro.

A pesquisa para desenvolver o sistema de bioflocos, realizada na Bahia Pesca, aconteceu em um centro de pesquisa no recôncavo baiano. Lá, foram implantados tanques para realização do experimento. Os testes foram realizados entre setembro e dezembro de 2016. Em 2017, a pesquisa vai testar a tecnologia no semiárido baiano.

– Os resultados são bem animadores. Não foi observada mortalidade significativa e os peixes têm apresentado bom desempenho zootécnico (ganho de peso e baixa conversão alimentar) afirma Rodrigues.

A Empresa agora está procedendo a  implantação desses tanques no semiárido do estado.

Fonte: Bahia Pesca e Sfagro

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