(Foto: Agência Brasil)
(Foto: Agência Brasil)

Certa vez, vindo da cidade de Rio Sono, na região centro-leste do Tocantins, trafegando pela rodovia BR-010, com destino a Palmas, passando pela Reserva Indígena da etnia Xerente, um grupo de 4 índios bateu com as mãos, pedindo-me carona. Eles iriam para a cidade de Tocantínia, a quase 20 quilômetros daquela parada.  Três deles subiram a carroceria da camionete e outro aboletou-se na cabine comigo e uma amigam minha, companheira daquela viagem. Este trecho da BR-010 no Tocantins teve pavimentação iniciada e pontes construídas na década de 1990 pelo Governo do Tocantins, mas embargadas pela Justiça Federal, a pedido da Fundação Nacional do Índio (Funai), em nome daquele povo. Perguntei ao índio se ele gostava de viajar de carro, no que ele respondeu que sim. Então, perguntei-o, novamente, porque, então, eles impediram a pavimentação daquele trecho e a conclusão das pontes. “Não foi índio, foi Funai”. Ou seja, a Funai os usam para a militância da falsa proteção.

(Agência Brasil)
(Agência Brasil)

Atualmente,  indígenas de mais de 250 etnias vivem em pouco menos que 14% do território brasileiro. Eles sofrem ameaças de violência, risco de perder direitos em decorrência da pressão dos latifundiários, mineradoras e usinas. Muito dessas etnias lutam por mais autonomia, tentando conquistar sua independência econômica por meio da comercialização de seus produtos e com o turismo. Há etnia, inclusive, que defende o arrendamento de suas terras para projetos agropecuários, mas são impedidos pela burocracia e pelo esquerdismo radical enraizados na Funai.

As etnias que conseguem trabalhar, sem a tutela direta deste órgão federal, são independentes economicamente e movimentam muito dinheiro.

Levantamento apresentado à Agência Brasil pelo Instituto Socioambiental (ISA), em abril deste ano, aponta que, somente na safra 2017/2018, índios da etnia Kaiapó, do Pará, obtiveram cerca de R$ 1 milhão com a venda de 200 toneladas de castanha do Pará. Outros R$ 39 mil foram obtidos com a venda de sementes de cumaru, planta utilizada para a fabricação de medicamentos, aromas, bem como para indústria madeireira.

A castanha rendeu aos Xipaya e Kuruaya, no Pará, R$ 450 mil, dinheiro obtido com a venda de 90 toneladas do produto. Cerca de 6 mil peças de artesanato oriundo das Terras Indígenas do Alto e do Médio Rio Negro renderam R$ 250 mil aos índios da região. Já os indígenas da TI Yanomami (Roraima e Amazonas) tiveram uma receita de R$ 77 mil com a venda de 253 quilos de cogumelos.

Os exemplos de produções financeiramente bem-sucedidas abrangem também os Baniwa (AM), que venderam 2.183 potes de pimenta, que renderam R$ 46,3 mil. As 16 etnias que vivem no Parque do Xingu obtiveram R$ 28,5 mil com a venda de 459 quilos de mel.

Ou seja, índio só é uma “vaquinha” de presépio pela vontade de uma exagerada ou falsa proteção dos vermelhos da Funai. Nas etnias onde pouco se produz, ou se produz apenas para a subsistência, o alcoolismo, a  prostituição, doenças, entre essas a depressão são muito grande entre os índios

Nesta sexta-feira, no interior de São Paulo, o presidente eleito Jair Bolsonaro, fez uma declaração polêmica sobre indígenas. Segundo ele, “Em todos os acordos no passado, sempre notei uma pressão externa no tocante a cada vez mais demarcar terra para índio, demarcar reservas ambientais. Na Bolívia tem um índio que é presidente. Por que no Brasil devemos mantê-los reclusos em reservas como se fossem animais em zoológicos? O índio é um ser humano igual a nós.”

O presidente eleito está coberto de razão neste sentido. O índio, assim como os chamados brancos, é um ser em evolução, preciso, a seu modo, de bem estar, independência econômica, acesso as tecnologias. Do que adianta ter território imensos, mas improdutivos?

diaindio_mapaocupacaoNem o Estado brasileiro, muito menos a iniciativa privada têm o direito de tomar o que pertence aos indígenas, no caso suas terras; nem violar sua cultura, seus costumes. Mas deve facilitar que eles tornem suas áreas produtivas,  por meio de iniciativa própria, parceria ou arrendamento de suas terras.

Jair Bolsonaro estará errado, nesta questão, se fizer conchavos ou esquemas que  passem para trás ou aniquilem os costumes, a cultura, o patrimônio dos índios brasileiros. Em síntese: é preciso mudar a visão e os rumos da Funai.

Antônio Oliveira