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A artesã Ilana Ribeiro montou um roteiro receptivo ao visitante do povoado Mumbuca, onde o turista recebe informações sobre como é produzido o artesanato em capim dourado e outros atrativos (Fotos: Aldemar Ribeiro / Secom/TO)
A artesã Ilana Ribeiro montou um roteiro receptivo ao visitante do povoado Mumbuca, onde o turista recebe informações sobre como é produzido o artesanato em capim dourado e outros atrativos (Fotos: Aldemar Ribeiro / Secom/TO)
O Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Turismo e Cultura (Seden), em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro) e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), está implementando o programa de Turismo de Base Comunitária. A proposta tem como mote o fato de  que “não só de roteiros ecoturísticos no Jalapão e no Cantão, além das festividades religiosas e culturais, se desenvolve o turismo tocantinense”
O programa tem como   proposta d fomentar a atividade turística, a geração de renda e o surgimento de novos postos de trabalho,  qualificando e capacitando  comunidades tradicionais (quilombolas e indígenas), pequenos extrativistas (quebradeiras de coco) e colônias de pescadores para o receptivo e comercialização de produtos artesanais e alimentícios em locais estratégicos de grande visitação e movimentação turística do Tocantins.
Conforme  o diretor de Planejamento e Projetos Estratégicos da Seden, o turismólogo Marcos Miranda, a proposta interinstitucional conta com R$ 900 mil do Banco Mundial e visa qualificar, inicialmente, as comunidades quilombolas de Mumbuca e Boa Esperança, em Mateiros; Prata, em São Félix do Tocantins; e Barra da Aroeira, em Santa Tereza; todas localizadas em municípios da região do Jalapão.
De acordo com o diretor, um diagnóstico socioeconômico já foi realizado. As próximas etapas consistem em desenvolver ações de aprimoramento no artesanato local, fortalecimento da economia local por meio da geração de renda, além do incentivo à manutenção das atividades tradicionais realizadas por aquelas comunidades.
– Nossa proposta é viabilizar o empoderamento daquelas comunidades por meio da atividade turística e a produção de produtos alimentícios, visando a geração de renda e a manutenção das atividades tradicionais –  afirmou.
De acordo com o diretor, a proposta visa qualificar as comunidades para a recepção de turistas com o oferecimento de mais opções de lazer aos visitantes do Tocantins com hospedagens alternativas, café da manhã regional e formação de pessoas locais em condução de trilhas e guias de turismo regionais. O turismólogo ressalta que após as comunidades do Jalapão, o programa será direcionado a povos de duas comunidades indígenas localizadas na Ilha do Bananal (Karajá e Javaé), posteriormente em municípios que possuam colônias de pescadores e na região extremo-norte do Tocantins, com as quebradeiras de coco do Bico do Papagaio.
Sociobiodiversidade
Para Marta Barbosa, diretora de Sociobiodiversidade da Seagro, o trabalho em conjunto visa identificar as culturas das comunidades tradicionais, pequenos extrativistas e pescadores, no objetivo de fomentar a geração de renda com a utilização de matérias primas do cerrado tocantinense.
– O Turismo de Base Comunitária conta com a política pública da sociobiodiversidade, que trabalha com os extrativistas de capim dourado, coco babaçu, buriti, isto é, tudo aquilo que eles têm como produto extrativista para que possam desenvolver essa política, apresentando e comercializando os seus produtos. Este trabalho é um processo que se inicia na região do Jalapão pela procura turística, mas que pretende se estender em outras regiões, voltado para o fortalecimento do turismo de base comunitária e o desenvolvimento rural sustentável’, afirmou.
Fomento a novos negócios
O agricultor familiar Salomão Montezuma comercializa parte do que produz a aposta na presença de árvores frutíferas centenárias como atrativo turístico para os visitantes
O agricultor familiar Salomão Montezuma comercializa parte do que produz a aposta na presença de árvores frutíferas centenárias como atrativo turístico para os visitantes
Morador do povoado Prata, comunidade quilombola localizada em São Félix do Tocantins, a cerca de 230 quilômetros de Palmas, o agricultor familiar Salomão Montezuma de Souza já comercializa parte do que produz em sua terra para o programa Compra Direta Local, da Agricultura Familiar. Segundo ele, a presença de árvores frutíferas centenárias no povoado pode servir de atrativo turístico para os visitantes.
– Aqui tem pés de laranja  é do tempo dos meus avós e ainda hoje dá fruta. Acho que essa é uma informação interessante para repassar para os visitantes – afirmou.
Já o agricultor familiar Juraci Montezuma espera aumentar a produção e venda de rapadura, tijolo e outros doces produzidos no beneficiamento da cana-de-açúcar.
– No ano passado enfrentamos uma estiagem muito forte. Já este ano estamos bem de chuvas. Quero aumentar a produção de rapadura para vender para os turistas – afirmou.
Artesã produzindo Capim Dourado - Foto 1
Objetivo é capacitar comunidades tradicionais para a recepção e comercialização de artesanato, como o Capim dourado e alimentos em locais de grande movimentação turística
Segundo o prefeito de São Félix do Tocantins, Marlen Ribeiro, serão investidos R$ 2,3 milhões na montagem de uma agroindústria no povoado para o beneficiamento da cana-de-açúcar e produção de rapadura, açúcar mascavo e outros produtos, por meio do Programa de Desenvolvimento Regional Integrado e Sustentável (PDRIS).
– Nosso município é a capital da região do Jalapão. Agregamos atrativos naturais para todos os gostos e com o fortalecimento da economia local, vamos gerar renda para os moradores das comunidades quilombolas – argumentou.
Receptivo e Hospedagem
No povoado de Mumbuca, comunidade quilombola distante 30 quilômetros de Mateiros, a moradora Antônia Ribeiro adaptou a própria casa para receber, modestamente, turistas interessados em se integrar ao modo de vida de uma comunidade tradicional. Contando atualmente com sete leitos, a pousada oferece quartos com ventilador e café da manhã regional pelo preço de R$ 60 por pessoa. Aos que desejarem uma refeição, pode-se experimentar o tempero local pelo preço de R$ 30 os pratos com porções individuais.
Outra atitude empreendedora foi o que a guia local e artesã Ilana Ribeiro Cardoso realizou. Aliando a proposta do turismo de convivência ao turismo de Base Comunitária, ela montou um roteiro receptivo ao visitante do povoado, onde o turista recebe informações sobre como é produzido o artesanato em capim dourado, passando pela oralidade da história do povoado em um bate papo com “Doutora”, líder local, assistindo apresentações de canções regionais pelas crianças e artistas locais, visitando um atrativo turístico e terminando degustando uma refeição caseira.
– Desde os 18 anos trabalho no receptivo de visitantes no meu povoado. Agora chegou a vez de montar uma agência que possa mostrar para os nossos visitantes a forma de vida das pessoas da minha comunidade – concluiu.

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