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*Por Roberto Sahium

Peixe quaresmeiro

Sustento genuíno dos tocantinenses a caranha assada na folha da bananeira vem do tempo em que a caranha do papo cinzento avultava no Rio Tocantins. De costume especial entre a cidade de Marabá no Pará até o Rio Paranã, no Tocantins.

Caranha assada na folha da bananeira é uma delícia (Foto: Divulgação)
Caranha assada na folha da bananeira é uma delícia (Foto: Divulgação)

Quem quiser tirar os noves fora e conhecer de fato a legitima caranha do Tocantins, arrume uma canoa com guia, arranje também uma traia boa de pescaria e ruma pra num trecho de um pedral aflorante no Rio Tocantins. Sugerimos um pesqueiro famoso, bom das rotundas, localizado uns 15 km acima da cidade de Pedro Afonso.

Neste pesqueiro quem arrasta cavaqueira, dizendo que não costuma voltar de mãos vazia é o Luis Carlos, funcionário aposentado do BASA.

Na minha experiência de pescador amador tenho a dizer, quão pouco menos abaixo a um pedral, basta alguns arremessos para arrastar para canoa uma reluzente cinza prata, briguenta e valente, a dita e bem dita Caranha do Tocantins. Isto claro foranto os dias da Semana Santa e dias de águas viradas.

Mas na realidade o que quero aventar é sobre a caranha assada na folha de bananeira, prato que foi muito consumido em larga escala aqui nestas paragens, corriqueiramente anterior à abertura da Estrada das Onças, digo: a rodovia de integração brasileira, a Belém Brasília, construída pelo Engenheiro Agrônomo Bernardo Sayão.

Antes, porém de falar desta fabulosa matula, cobiço mostrar que em quase todas as residências, principalmente as das cidades interioranas do Brasil, como um todo. Isto tocante há uns 40 anos atrás, qualquer quintal possuía uma moita de bananeira. Plantio, cujo principal intento era a produção de frutos para a família.

Outras utilidades a propósito das moitas de bananeiras, esconderijos, deixo para imaginações vossas os textos intrínsecos.

Deste modo, quanto às folhas de bananeiras de serventia diversas, usadas e abusadas, desde toalhas de mesa, forro de chão para escarnar caças e animais abatidos, servir de envelope para assar carnes e peixes, e até o bolo de arroz na folha de bananeira ainda hoje é iguaria judiciosa nas festanças e recreios, lá pras bandas de Arraias.

Não tenho nada contra os papeis alumínios empregados para envelopar as carnes nos assados atuais. Não quero fazer comparações, mas as folhas de bananeira se utilizadas nos assados, como envelopes podem ter certeza, potencializa o sabor dos pratos. A folha de bananeira não é como o papel alumínio, que não respira. É algo vivo e, quando se coloca na grelha, queima um pouco e dá mais paladar ao sustento.

Pois bem, abundosa oferta de caranhas nas feiras de Palmas, e ainda e fartas moitas de bananeiras no meio rural, o período da quaresma e nomeadamente da semana santa, lembro-os, em especial os beiradeiros que cá residem, a opção sustentável “a caranha assada na folha de bananeira” tem benção do alto ao baixo clero.

Engenheiro Agrônomo Roberto Sahium (Foto: Secom/Palmas)
Engenheiro Agrônomo Roberto Sahium (Foto: Secom/Palmas)

*Roberto Jorge Sahium é Engenheiro Agrônomo, Associado da Associação de Engenheiros Agrônomos do Tocantins – AEATO, Membro da Academia de Letras da ATER-Brasileira, Extensionista do Ruraltins e está Secretário do Desenvolvimento Rural de Palmas.

 

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