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A Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) têm o péssimo costume de, nos momentos mais polêmicos envolvendo a classe dos agropecuaristas, enfiarem a cabeça dentro do buraco, feito avestruzes, e não darem retorno à sociedade, por meio da imprensa.

É fácil explicar a importância da irrigação e seu uso no oeste da Bahia (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
É fácil explicar a importância da irrigação e seu uso no oeste da Bahia (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Imprensa que, na sua maioria, tem dado muito espaço divulgando as ações das duas entidades de classe, aproveitando e publicando seus releases, muitas vezes na íntegra, assumindo, literalmente, as suas afirmações – o que não é o nosso caso -, ao invés de, no mínimo, editá-las, colocando-as  “na boca” das duas.

Os agricultores, sobretudo os irrigantes dos cerrados baianos se viram, neste novembro azul, sob o fogo cruzado de moradores de quase todas as cidades do oeste da Bahia, sucedendo aos atos de vandalismo nas fazendas do Grupo Igarashi.

No momento em que, entre 8 mil pessoas – segundo os organizadores -, e 4 mil -, segundo a Polícia Militar -, foram às ruas da simpática cidade de Correntina protestarem contra a ocupação dos cerrados baianos – convenhamos, uma visão equivocada, mas no direito deles -, sacudindo as três esferas de governos, inclusive com a reunião do Prefeito daquela cidade com oito secretários de Estado com vistas a encontrarem uma saída pacífica para o confronto, e mídia nacional,  o que fazem a Aiba e a Abapa? Simplesmente se calaram, enfiaram a cabeça dentro do buraco, dando margem para os oponentes do agronegócio se municiarem ainda mais.

Aliás – uma pausa no assunto -, costumo falar – e isto eu falei para os líderes da Associação Brasileira de Marketing Rural e de Agronegócio, em recente encontro com eles, em São Paulo – que o agronegócio, principalmente no interior do Brasil, comunica-se mal e tem líderes arrogantes.

Voltamos ao assunto em foco.

As duas instituições do agronegócio – ou, mais diretamente os seus presidentes, entendemos que a posição de um líder não representa a posição do todo -, já deveriam ter convocado uma coletiva de imprensa com os veículos regionais e, por tecnologias da comunicação, com os nacionais, fazendo esclarecimentos, expondo suas posições, defendendo-se, colocando a realidade da irrigação no oeste da Bahia. E olha que, além dos avanços na agricultura sustentável, a Aiba tem muito de positivo para comunicar. Mas, por arrogância ou falta de experiência, não sabe comunicar.

O cúmulo deste posicionamento, ocorreu com Cerrado Rural Agronegócios, que vem cobrindo este atual confronto desde as primeiras horas e buscando o equilíbrio. Buscamos as associações para se posicionarem em relação aos tópicos elaborados durante a reunião entre referido prefeito e o Governo da Bahia, numa tentativa de jogar luz entre as duas partes em confronto.

E o que fizeram as duas corporações? Adotaram a tática do silêncio.

Ora, a imprensa – ao menos parte dela -, não é inimiga. É o elo entre diversos segmentos de classe, e poderes e a sociedade. Se faz estratégia do silêncio é com inimigos, não com os jornalistas e seus veículos. Não querem se posicionar, ao menos respondam aos veículos o clássico “não temos nada a declarar”. É direito das fontes.

Isto é falta de respeito e de visão de comunicação social e do nosso papel da imprensa.

Antônio Oliveira

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