Por Antônio Oliveira

Uma tecla que venho batendo há anos, quase que sozinho entre o jornalismo de agronegócio no Brasil: o setor comunica-se mal e tem lideranças arrogantes. Com isto, não quero denegrir a imagem de ninguém, como pessoa ou como instituição, mas apenas chamar a atenção para a necessidade que o homem do campo tem de andar de bem com o homem da cidade – este entendendo a dinâmica e a importância daquele, não dando ouvidos às maldades de pseudo ambientalistas e de alguns países concorrentes do Brasil na produção de alimentos, fibras e biomassa, que tentam de toda a forma denegrir a imagem do agronegócio brasileiro. Some-se a este problema, a carência de jornalistas especializados em agronegócios e a máquina acadêmica de incutir na cabeça de jovens formandos ou recém formados conceitos de extrema esquerda, nos quais estão contidos que o agro é o Diabo. Já bati esta tecla, inclusive, entre diretores da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócios (ABMRA). Esta acredita piamente que fazendo comunicação e marketing restritos aos grandes meios do eixo Sul/Sudeste é o bastante para comunicar o agro. Grande equívoco. (Como o é também o espírito de “Rei da Cocada Preta”, de muitas multinacionais, tipo Bunge e Cargil). Quem integra e informa as duas pontas – cidade e campo -, vivendo o dia a dia do agroregional, onde ele tem mais peso, é a mídia regional. Mas é chic atender e bajular um repórter global – de globo e suas correntes no topo do Brasil. (E falta de inteligência e visão em menosprezar um profissional de comunicação regional).

(Foto/montagem extraída do site Agrotvnews)
(Foto/montagem extraída do site Agrotvnews)

No MATOPIBA, por incrível que pareça, há instituições representativas e grandes empresas de agronegócios que quando recebe um contato publicitário, saem com esta: “Vou te dar uma ajudazinha”. Caraca! Isto é ignorância, além de falta de visão de comunicação e marketing.

Muitos sempre acharam que é loucura, suicídio comercial meus, por eu ter veículos de comunicação focados no agronegócio, bater nesta tecla. Mas, na verdade, penso que o formador de opinião não deve apenas jogar confetes por interesses pessoais e financeiros. Quando se luta pela promoção de uma causa, o jornalista tem que ter a coragem de bater e virar a mesa para o bem de um causa.

[Em tempo, dirimindo algum mal entendido ou malícia: tenho veículos de agro há mais de 15 anos. Nunca coloquei o bom jornalismo no setor acima de interesses comerciais].

O agro brasileiro – ressalvando casos isolados de picaretas e aventureiros que estão nele – faz um dos melhores trabalhos no mundo. No campo e fora deste, porém não sabe, principalmente no interior do Brasil, ganhar a simpatia, por mérito, das sociedades urbanas. Repito: por falta de conhecimento da comunicação e do marketing. E,  também pela arrogância de diretores e chefetes nas instituições que representam este importante setor da economia brasileira. Se acham do tipo funcionário do Banco do Brasil, antigamente.

A falta de uma boa comunicação e marketing não está apenas entre o agro regional. Está também nos governos dos três entes federados. Tenhamos, por exemplo, os quatro estados da região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). São estados com grandes potencialidades para os agronegócios (bem diversificado); são alvos das atenções do capital nacional e internacional. Mas os governos desses estados nunca tiveram uma política de comunicação específica para os veículos de comunicação de agro – quando programam estes. A mesma campanha que uma secretaria de comunicação envia para um jornal de editorial convencional é a mesma que é enviada para um veículo de agro, que chega à mesa de investidores do ramo no Brasil e mundo a fora. Pior ainda que os titulares das pastas correlatas aos agronegócios, desenvolvimento econômico, vigilância sanitária e extensão rural não têm autonomia para decidirem o que veicular, exceto em campanhas de vacinação ou outra técnica. E olha que estes estados têm muito o que mostrar de cases de sucesso e potencialidades para o mundo, atraindo investidores. Mas justiça seja feita, no caso do Tocantins, em termos de comunicação jornalística, é melhor entre estes quatro estados, em termos de geração de informação de interesse do agro, por meio de suas pastas e vinculadas. Os outros três são horríveis nesta área.

Mas, felizmente, estão aparecendo colegas e veículos que estão, também, tendo a coragem de  sacudir os líderes do agro para se comunicarem melhor; se inserir nos meios sociais com desenvoltura e simpatia. Considere, quem me lê, que toda regra tem exceção.

Em Palmas, o site e programa de rádio Norte Agropecuário, outro veículo também voltado para a região do MATOPIBA, debateu – “Agro deve tratar comunicação como insumo e mostrar para sociedade sua importância” – este assunto nesta semana, ouvindo jornalistas – entre estes está este editor -, publicitários e uma das maiores lideranças do agro no Tocantins.

Uma boa reflexão, veja: