Por Antônio Oliveira*

Continua rendendo o festival de besteirol sobre o Agronegócio realizado pelo programa Papo de Segunda, do canal a cabo GNT, apresentado por Fabio Porchat, Emicida, Chico Bosco e João Vicente, e com a participação de Bela Gil. Durante o programa, sem qualquer conhecimento técnico, os apresentadores e sua convidada falaram dados irreais e conceitos inexistentes, inventados por eles, levando o público à compreensão equivocada do que são as atividades realizadas no Agro. As declarações, muitas até ridículas, provocaram a indignação de todos os que atuam no seguimento deturpado.

Apresentadores e convidada do “Papo de Segunda”, passam informações equivocadas e maldosas sobre o agro” (Foto: divulgação)

– Não bastasse deturparem as informações em prol de criarem subsídios para seus pensamentos próprios e teorias, utilizaram expressões e termos que denigrem a imagem do produtor rural e de todo um setor extremamente importante para a economia do país – diz a Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA).

Há 40 anos, esta representação do agro tem como um dos seus principais propósitos o fomento das boas práticas do marketing e da comunicação no setor em questão. Assim, ela tomou a iniciativa de pleitear por todos os meios legais o direito de ter espaço para esclarecer e corrigir as informações equivocadas apresentadas no programa.

– Essa medida foi adotada em respeito ao produtor rural, aos pesquisadores, às empresas em toda a extensão do setor e a toda a população, que precisa receber as informações corretas para saber que o campo trabalha de sol a sol, de forma séria e honesta para colocar alimentos na mesa de todos, inclusive na mesa desses apresentadores – destaca Ricardo Nicodemos, vice-presidente executivo da ABMRA.

O vídeo do programa foi assistido por diversos profissionais e pesquisadores, que avaliaram as informações e dados errados e fizeram uma análise do conteúdo. Um dos pesquisadores que contribuiu neste trabalho foi o Professor PhD da Embrapa, Eduardo Delgado Assad, cuja avaliação foi utilizada como base na solicitação do direito de resposta. Além desses profissionais, a ABMRA também pediu apoio para outras importantes entidades de classe do setor, que estão se unindo neste movimento para levar a verdade ao grande público.

A ABMRA contratou o escritório jurídico Coelho & Morello Advogados Associados, que tem núcleo  especializada em comunicação e audiovisual, para conduzir as negociações com a GNT e todo o processo por vias jurídicas, caso seja necessário.

– O respeito à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa são fundamentais à democracia, porém devem ser fundamentados em fatos reais, tecnicamente embasados em estudos e experiências utilizadas no presente, passado e futuro. As informações divulgadas no programa citado não condizem com a realidade científica dos estudos realizados e tampouco do agro – destaca o advogado João Paulo Morello, sócio da banca jurídica contratada e especializado no tema.

Ainda conforme ele, as declarações “revelam, sim, uma postura leviana, traduzida em expressões de baixo calão, confundindo o telespectador, revelando dados errôneos de efeitos negativos ao meio ambiente por conta do agronegócio que não condizem com a natureza científica nem com a evolução tecnológica desenvolvida em nosso país”.

– As consequências de tais declarações revelam-se danosas a um dos maiores e mais eficazes pilares do crescimento da economia nacional, sendo imprescindível o exercício do direito de resposta para elucidar as errôneas e maliciosas afirmações – pontuou.

E continuou:

– Não se trata de uma esquete humorística ou de um programa de humor em que a questão da informação não tem tanta importância. Esse é um programa de cunho jornalístico, com entrevistas e debates entre pessoas de notoriedade pública. E, neste caso, não se pode permitir que informações inventadas sejam colocadas como verdades. Não se pode denegrir a imagem de ninguém em um programa de TV nem tampouco de todo um setor econômico – destaca Nicodemos.

Um dia depois da exibição do programa, este editor fez deste fato tema de seu comentário no canal da Cerrado Rural Agronegócios. Assista, abaixo: