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algodao2-1-640x364Os produtores de algodão que investiram em novas tecnologias, mesmo com o aumento de seus custos em campo, conseguiram garantir sua rentabilidade, a partir da safra 2014/15. É o que mostra o mais recente estudo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), intitulado “A Cultura do Algodão: Análise dos Custos de Produção e da Rentabilidade nos Anos-safra 2006/07 a 2016/17”. O documento foi publicado pelo órgão no último dia 12 de junho.
O bom desempenho da cotonicultura colocou o Brasil em um posicionamento importante: hoje, mais de 80% desse produto nacional são devidamente certificados, cenário que coloca o país como líder mundial em certificação e comprovação de adoção de processos sustentáveis em campo. É o que afirma o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Marcio Portocarrero.
– A retomada do cultivo do algodão no país se deu a partir de 2001, quando os cotonicultores buscaram adotar a mais alta tecnologia disponível no Brasil e no mundo, com o uso de sementes OGM (Organismos Geneticamente Modificados), monitoramento eficiente de pragas e doenças, e monitoramento da fertilidade dos solos – analisa Porto Carrero.
Ele lembra ainda que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBIO) aprovou a primeira variedade de algodão transgênica nesse período.
– A partir disso, as empresas de biotecnologia investiram no Brasil, visando disponibilizar materiais resistentes a pragas, após o evento Bacilus Turigiensis, que confere resistência a lagartas.
Defensivos e fertilizantes
O mesmo estudo também aponta que, no período avaliado, o uso de defensivos agrícolas e fertilizantes representou 58% dos custos operacionais. Segundo Portocarrero, a aplicação de fertilizantes é racional.
– As propriedades, além disso, possuem um sistema de monitoramento de fertilidade por talhão. Os produtores aplicam no solo ou na planta somente o necessário ao bom desenvolvimento da cultura. E o principal objetivo, nesse caso, é a racionalização de custos com fertilidade e melhor resposta das plantas.
Quanto aos defensivos agrícolas, o diretor executivo da Abrapa diz que, a partir da implantação do sistema de monitoramento de pragas, doenças e ervas daninhas, que é realizado constantemente nas lavouras, determina-se o produto, a dose e a época mais adequada para a aplicação.
– Hoje, os produtores de algodão fazem manejo de pragas utilizando produtos químicos e biológicos. Isso confere mais eficiência ao controle e uma relativa redução e custo.
Um dos entraves apontados por Portocarrero está no fato de os defensivos agrícolas serem cotados em dólar e, por isso, sofrem oscilação de preço, de acordo com a variação cambial.
Reivindicação
– O que nós reivindicamos, às autoridades brasileiras, é a modernização do sistema de registro de defensivos, tornando-o mais rápido e eficiente, permitindo a entrada de novas moléculas químicas no mercado. A partir da maior oferta de produtos, forçaria uma redução de preço por parte das indústrias.
Segundo o diretor executivo da Abrapa, hoje, para se registrar um novo produto no Brasil ou para registrar um produto genérico, leva-se entre sete a dez anos.
– E, quando esse produto entra no mercado, já está ultrapassado no resto do mundo.
– Isso resulta na falta de opções para o controle de pragas, doenças e ervas daninhas, levando à resistência de pragas, doenças e plantas, e obrigando os produtores de algodão a aumentarem o número de aplicações ou a dose dos produtos, elevando seus custos de produção – testemunha.
Possuímos um programa de certificação socioambiental que preconiza a adoção de boas práticas, com redução progressiva do uso de defensivos agrícolas – diz, referindo-se ao caso do algodão brasileiro.
– Atualmente, 81% do algodão, aqui produzido, são devidamente certificados. O Brasil é líder em certificação e comprovação de adoção de processos sustentáveis na produção – reforça.
– Adotamos um protocolo que orienta os produtores na aplicação correta de boas práticas ambientais, sociais e econômicas, a partir de um vasto material de orientação, que chega às propriedades certificadas por meio de programas de treinamento a seus técnicos e gerentes – afirma em relação ao processo de certificação das propriedades algodoeiras.
Máquinas e beneficiamento
O estudo da Conab mostra ainda que os custos de produção com operações com máquinas e beneficiamento corresponderam a aproximadamente 16%, no cultivo de algodão.
– Não consideramos o custo, com operações com máquinas, baixo. Ele é realista e corresponde às expectativas dos produtores. Com a evolução da engenharia mecânica, as maquinas agrícolas apresentam alta eficiência e rendimento nas lavouras. Não observamos redução no custo dessas máquinas e implementos agrícolas, mas a oferta aumentou muito, contribuindo para o equilíbrio desse fator de produção – diz ainda diretor executivo da Abrapa.
Despesas financeiras
Ainda conforme o estudo da Conab, as despesas financeiras indicam que o cotonicultor brasileiro não utiliza capital próprio para fazer frente às despesas de custeio da sua safra.
Ainda conforme Portocarrero, os produtores de algodão contam com, basicamente, três fontes de financiamento. A primeira delas envolve o crédito rural oficial, “que financia o custeio das lavouras com limite máximo de R$ 3 milhões por produtor, o que representa apenas 375 hectares de algodão”.
– Isso sem esquecer que esse recurso deve financiar também soja, milho, feijão e etc. – ressalta.
– Dessa forma, os produtores de algodão buscam adiantamento com as traders, financiamento direto das indústrias químicas e ainda utilizam recursos próprios acumulados de uma safra para a outra – pontua.
Conforme o diretor executivo da Abrapa, “em um cenário de três safras prejudicadas pela seca, os produtores estão bastante descapitalizados e renegociando suas dívidas com todos os fornecedores de recursos acima citados, razão pela qual observou-se a redução de área cultivada na presente safra”.
Preços de comercialização
A Companhia Nacional de Abastecimento indica também, em seu estudo, que os preços de comercialização do algodão sofrem uma forte influência do mercado externo, mantendo-se, de modo geral, acima da inflação no período analisado, o que significa que não houve perdas reais.
Segundo o documento da estatal, a partir do ano-safra 2015/16, os cotonicultores obtiveram melhores resultados em todos os quesitos da rentabilidade. Apesar disso, ainda existem algumas lacunas que necessitam melhorias, como a gestão do processo produtivo e a comercialização.
Portocarrero explica que, se o produtor vem de duas ou três safras com produtividade abaixo da média, mesmo que o mercado esteja praticando preços competitivos, o prejuízo é contabilizado a partir da baixa produção obtida.
– Essa é a realidade dos produtores do Brasil, nos últimos anos. Apesar de o mercado internacional estar com preços relativamente bons, a produção caiu muito devido aos efeitos do El Niño. Na presente safra, espera-se uma recuperação de produtividade acima da média histórica, pois o clima está bastante favorável e o mercado está pagando bem pelo nosso algodão.
Da Ascom/SNA – RJ, com edição de Cerrado Rural Agronegócios

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