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A gente faz escolhas o tempo todo. É bom termos o poder de escolher. E é partir daí que obtemos o resultado de tudo que fazemos. Uma escolha pode significar a diferença entre bem e mal, certo e errado.

"Quando usamos o nosso poder de escolha, podemos optar por aquilo que é melhor para a nossa saúde¨ (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
“Quando usamos o nosso poder de escolha, podemos optar por aquilo que é melhor para a nossa saúde¨ (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Pois então, em um supermercado, passava pelas prateleiras em meio às compras e uma moça ao meu lado com características de mulher naturalista, ambientalista, sei lá, dessas que parecem veganas ou vegetarianas, observava a senhora que enquanto escolhia seus produtos alimentícios entre estes, tinha ali, leite e legumes, ambos embalados e aparentemente iguais, perguntara a pessoa que estava em sua companhia, (porque estes produtos são iguais e estão separados, com valores diferentes?) Percebi então que aquela moça estava incomodada, desejando responder-lhe suas perguntas. Então ela se aproximou da senhora e lhe disse em seu forte sotaque nordestino: Me desculpe, me chamo Maria e ouvi a senhora questionar sobre os produtos, acho que posso lhe ajudar, se me permite. Qual o seu nome?

Aquela senhora agradecida lhe respondeu que sim, seu nome é Ana e que ficaria grata com sua explicação.

E Maria então começou lhe dar praticamente uma aula daquele assunto.

Sra Ana, eles têm a mesma aparência, mas não são iguais!

Para que estes produtos cheguem às prateleiras do supermercado, até a nossa mesa, eles passam primeiro por um processo, desde o cultivo, produção até a industrialização. Aqueles que não são industrializados precisam de aprovação dos órgãos responsáveis, para poder serem consumidos. São diversos os critérios de avaliação até chegarem ao consumidor final. E é no processo produtivo que se enquadra os critérios exigidos, que garantem a qualidade do produto, diferenciando o que é convencional do orgânico, que muitas vezes causam alteração de valores, se a produção for orgânica e pequena. Já aqueles que têm maior escala de produção tem uma oferta de preço melhor, o que normalmente acontece nos produtos convencionais, onde a produção ainda é maior. A produção desses alimentos é feita assim: gasta-se muita água, usa-se muito fertilizante, na maioria das vezes químico, jogando muitos venenos que causam doenças e até matam… também aplicando muitos hormônios e antibióticos nos animais, derrubar e queimar a mata nativa, é também parte do processo produtivo, quem faz essas práticas, acabam ocupando muitos hectares com único tipo de cultivo, e aí a terra vai ficando cansada tudo para que produção seja rápida e maior, só visam lucro, acham que se continuarem abusando da terra desse jeito, não vão acabar ficando sem ter como produzir. E quem sofre com essa ambição dos grandes empresários produtores, somos nós, que vamos só assistindo os recursos naturais indo por água abaixo. A Senhora me desculpe dona Ana, de falar desse jeito, mas é a pura verdade e conhecendo um pouco dessa realidade, eu preciso multiplicar o que sei para que assim talvez tenhamos um número maior de pessoas para defender nosso planeta. Não que a Senhora não defenda, não quero ofendê-la, mas se parte do que estou lhe dizendo for novidade pra senhora, já é de grande valia.

Ana lhe responde: Imagina, minha filha, continue, preciso saber mais sobre o que estamos levando pra nossa mesa e como estamos contribuindo com a devastação da nossa terra, comprando cada vez mais desses empresários, enquanto poderíamos estar ajudando aumentar a produção sustentável.

Empolgada em falar do que gosta, Maria continua…a senhora Ana, mesmo confusa com tanta informação continua ouvindo Maria…

É claro que em nosso dia a dia, não vemos mal algum nos produtos que adquirimos, já que satisfazem as nossas necessidades e temos “acesso livre” a esse produto. Mas, não deveria ser assim. Aí um dos motivos de não serem iguais. Existem outras maneiras de produzir alimento, conservando as fontes de água, usando controle biológico e natural, em vez de agrotóxicos, diversificando cultivos, poupando a terra e melhorando sua fertilidade com adubação orgânica, aí estamos ajudando os animais também crescerem com saúde.

Então Ana impressionada com a opinião de Maria, volta a questionar:

Mas minha filha, como é que vou conseguir diferenciar esses produtos Maria?, se me deparo com uma diversidade de produtos com aparência igual, alguns com valores diferentes, mas não sei distinguir aquele que é mais saudável?

Maria, defensora da natureza e com seu amplo conhecimento sobre produção de alimentos, meio ambiente, sistemas de produção, lhe responde: Alimento saudável dona Ana, é aquele que faz bem a todos, incluo também o meio em que o homem vive e como ele produz. Então, precisamos aprender rastrear o que estamos consumindo, de onde veio, como foi feito, quem fez…o local que esse alimento é produzido deve ser totalmente sustentável, as pessoas que fazem parte desse processo produtivo devem ter uma forma de vida como tal, não podem apenas produzir diferente, os hábitos também devem fazer parte do sistema.

Como posso chamar de alimento saudável se este, produzido de maneira insustentável esgota todos os recursos para que ele seja produzido novamente?

A senhora satisfeita começa a fazer nova seleção de produtos para seu carrinho, desta vez observando melhor o que diz na embalagem e buscando identificação de qualidade e rastreio do produto.

O diálogo poderia ir além das formas de produzir, seria interessante falar sobre os riscos que a produção convencional traz, não apenas ao consumidor do alimento, mas àquele que produz também. O uso inadequado e excessivo do agrotóxico aumenta o risco para a saúde das pessoas e a contaminação do meio ambiente.

Quando usamos o nosso poder de escolha, podemos optar por aquilo que é melhor para a nossa saúde.

Mas será que ter hábitos saudáveis de alimentação se resumem apenas no consumo de alimentos produzidos ecologicamente correto?  Claro que não! A conversa não para por aqui, tem muita pauta que trata a respeito, e vai além da maneira de produzir. Alimentação saudável envolve formas de vida, atividade física, preparo dos alimentos e a maior influenciadora a esses novos hábitos de consumo, é a mídia que atribui valores a verdades que sempre existiram, porém não tinham tanta influência na sociedade.

A mídia pauta a vida e a vida pauta a mídia. A mídia pauta o mundo e forma ou deforma mentalidades.

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*É Engenheira Agrícola, especialista em extensão rural e agricultura familiar e acadêmica de jornalismo da UFT

 

 

 

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