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O autor e seus dois netos. (Foto: Álbum de família)
O autor e seus dois netos. (Foto: Álbum de família)

Carro saindo da quadra residencial para o nosso passeio de domingo e o Heitor reforça o seu pedido de semanas:

– Vovô, “cassuela” (cachoeira)!

O Lucas, o irmão maior, reforça  a sua vontade:

– Não, vovô. “paia da sucupila” (praia da sucupira, uma das praias mais tranquilas de Palmas, localizada em uma chácara particular, mas a aberta ao público).

“Cassuela”, “sucupila”, “cassuela”, “sucupila”, “cassuela”, “sucupila”… Parei o carro e interferi:

– Vamos fazer uma votação, então. Lucas, praia ou cachoeira?

– “Paia” – respondeu-me ele.

– Heitor, cachoeira ou praia?

– “Cassuela” – apontou o mais novo.

– Perdeu, Lucas.  Eu quero cachoeira, também, 2 a 1.

Não conformado com a derrota, Lucas abriu a boca no mundo chorando, até que   o explico que “é bom que vivamos numa democracia, onde a maioria é quem decide. Você perdeu, paciência e espere pela próxima vez”.

Enquanto ele continuava a chorar, o Heitor, ao lado tripudiava da derrota do irmão:

– “Cassuela”, “cassuela”, “cassuela”….

Engatei a marcha e prosseguimos. No cd player do carro, Chico Buarque odiava a ditatura em prosas e versos e eu escapei de outra disputa dos dois. Aliás, com os dois. Sempre que saímos os três, durante dias úteis eu insisto em estar sintonizado no radiojornalismo de uma rede nacional de rádio, enquanto que os dois pedem música, geralmente “Titãos” (Titãs). Nos finais de semana é interprete/grupo do meu gosto contra interprete/grupo do gosto deles.

E nós, sempre, nos divertimos e aprendemos muito um com o outro.

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