CRÔNICA DA AGROTINS – O desabafo do governador, o picolé, as...

CRÔNICA DA AGROTINS – O desabafo do governador, o picolé, as facas e o arroz “katiana”

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Por Antônio Oliveira

Numa solenidade oficial e/ou privada, sempre há – em cena e fora de cena – uns lances de reflexão e de bom humor. Eu fico sempre atento aos detalhes.  A de abertura oficial da Agrotins Brasil 2016, nesta quarta-feira, 4, em Palmas, pelo governador Marcelo Miranda e sua comitiva de auxiliares do primeiro escalão, tiveram vários de bom humor e um de desabafo contra quem não tem noção do que diz. Esta partiu do governador  Marcelo Miranda que diz ter lido, no dia anterior, à noite, uma infeliz declaração (o infeliz é por minha conta) – não citou de quem – que a Agrotins deste ano seria um fracasso e ele teria uma grande decepção.

Agrotins 2016 - Visita aos estandes Governador - Foto Washington Luiz (4)
Governador visita expositores. (Foto: Secom-TO)

Ora, no ano passado, devido a situação de sucateamento em que a nova equipe de governo assumiu o Estado, quando a máquina administrativa não tinha crédito nem para comprar um pacote de café e devia a estrutura de quase duas edições de feiras anteriores, o evento foi um sucesso. Neste ano, quando muitos acreditavam que a feira não seria realizada devido a crise econômica em que vive o país, ela está proporcionalmente melhor do que as anteriores. Mérito para o secretário do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária do Tocantins, promotora do evento, Clemente Barros e sua competente e dedicada equipe voltada para a organização da Agrotins.

Aliás, sobre a feira, o sempre bem humorado Roberto Sahium, ex-secretário de Agricultura do Estado por três mandados consecutivos e atual secretário de pasta correlata no município de Palmas, disse no seu discurso: “Dizem que a Agrotins é a minha cara. Não, a Agrotins é a cara, os braços e as pernas do governador Marcelo Mirada”.

Agora os lances bem descontraídos, desencontros e tiradas de humor.

Terminada a solenidade oficial de abertura, o governador Marcelo Miranda sai para  visita aos estandes e logo encontra um carrinho de picolé. Não perdeu tempo, enfiou a mão no bolso e…. pagou um apenas um para ele e saiu a saborear a guloseima. Fotógrafos e cinegrafistas reclamaram. Ora, governador também é gente.

Nesta visita, acompanhado de sua equipe e demais autoridades, eu peço uma entrevista exclusiva, em vídeo, com o chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Carlos Magno, que acompanhava o Governador. Ele me responde que a hora que eu quisesse. Marquei para antes do meio-dia – ou seja, uma hora depois –  no estande da Embrapa.

Saí daquela caminhada, fui fazer outros trabalhos e depois me dirigi para a estrutura da Embrapa, escolher local e montar o equipamento de gravação. Meio-dia, treze horas, catorze horas e o Dr. Carlos Magno, nada. Depois fiquei sabendo que o Governador ainda estava lá no núcleo da Agrotins,  em  visita e depois almoçaria e que lá pelas três horas estaria no estande da Embrapa, acompanhado do Governador.

Dez para três chegam os dois e comitiva. Brinquei com o Carlos Magno em relação ao horário marcado e o castigo que levei esperando e sem almoço.  Cordialmente, o Governador responde que eu deveria ter ficado para almoçar com eles. Eu não imaginava que  ele ficaria mais tempo no Centro Agrotecnológico de Palmas, local de realização da Agrotins.

Antes, chegou ao ambiente, o superintendente  do Sebrae no Tocantins, Omar Hennemann, contando gostosas piadas e fazendo o marketing da entidade que superintende, distribuindo um kit garfo e faca para churrasco à pessoas-chaves do desenvolvimento econômico e social do Tocantins. Eu aviso para o governador: “Cuidado, que o Omar está distribuindo faca”.

Neste ínterim, encosta um caminhão de esgotamento sanitário ao lado dos banheiros químicos, a poucos metros do hall de acesso do estande da Embrapa para descarregar as “casinhas”. Omar , marqueteiro e estrategista nato, logo avisou, inclusive, para  a segurança do Governador, de que aquilo ia “cheirar mal”. Bons entendedores, os seguranças trataram de pedir que o caminhão se afastasse e não fizessem aquele trabalho naquele momento.  Nada mais que correto.

Após visitar o interior do estande e cumprimentar funcionários da Embrapa e visitantes, o governador foi ver as vitrines vivas. Carlos Magno e outros pesquisadores falaram de uma variedade de arroz que seria lançada nesta quinta-feira, 5, naquele local.

O Governador passou por mim e cochichou, bem humorado:  “’Tou intrigado com este nome – Catiana”. Eu  brinquei: “Deve ser em homenagem a ministra Kátia Abreu”. ( Esta e o Governador  tem uma história de idas e vindas no campo da política no Estado – mas nada que ultrapasse os limites do respeito pessoal mútuo, se é que, de vez em quando, tempestiva, a Kátia roda à baiana).

Na explanação que dois pesquisadores fizeram sobre  a nova variedade de arroz, eu provoquei. Perguntei a eles qual a origem da denominação daquele arroz. Fomos explicados de que se trata de uma homenagem, não a Kátia Abreu , mas a uma comunidade antiga que cultivava arroz – coisa assim. “Pronto, Governador”, disse eu.

Terminada a visita, na despedida, Marcelo Miranda me diz: “Cuidado com as facas”.

Antes de entrar no carro, foi presenteado, pelo Omar, por cinco kits delas.

Comentei com o Governador que ele havia batido um recorde: em toda a história do Tocantins, foi o Governador que mais tempo permaneceu na Agrotins – mais de cinco horas seguidas.

– Eu gosto – disse-me.

– É outro mundo – respondi-o.

 

 

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