CRÔNICA – De barriga cheia

CRÔNICA – De barriga cheia

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Por Antônio Oliveira

Sou um observador do comportamento de meus netos – sua evolução física, espiritual, intelectual, etc. De suas tiradas do dia-a-dia, muitas vezes faço crônicas, como as fazia nos tempos de criança de meus filhos – tenho, inclusive, um livro inédito com uma coletânea de crônicas baseadas nas tiradas dos meus filhos e, hoje, dos meus netos.

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(Foto: Cáritas Gomes de Oliveira Almeida)

Por estar mais próximo fisicamente de dois deles,  Lucas, 5 anos, e o Heitor, pouco mais de dois anos, são os que mais observo e fotografo,  e os que mais me divertem, muitas vezes aprendendo com eles.

A gente aprende, mas também deve dar bons exemplos, sem hipocrisia e embromação – crianças percebem  e cobram isto. Elas miram muito nos exemplos dos pais, dos tios e dos avós. É por causa disto que, eu que de bebida alcóolica, só uma cerveja lá uma vez por outra, nunca mais trisquei na chamada “loira gelada”. Bom, o porquê, um dia explico em outro crônica. Antecipo que a decisão tem uma razão procedente.

Como não posso publicar um livro de crônicas a cada 30 que eles me fazem escrever, uso este espaço aqui para publicá-los. Não por vaidade ou qualquer outro sentimento de orgulho e ostentação. Simplesmente porque acho, posso estar enganado, que muitas pessoas gostam e se divertem com os casos que publico, não tendo eu a pretensão de ser  “o rei da cocada preta”, em termos de literatura do tipo em voga, ou de avô ou pai. Se esses casos me divertem e muitas vezes me constroem (e reconstroem), acredito que na maioria dos meus contatos aqui. Um dia, não só estes, mas muito mais pessoas terão a oportunidade de comprar um dos meus livros com este tipo de crônica. Projeto, entre muitos que tenho, na área de literatura, jornalismo e audiovisual,  para os próximos 40 anos de vida ativa.

Vamos a mais uma, partida do Heitor, este, entre os seis netos, é que mais apronta dentro dos limites de sua espetacular energia, inteligência e percepção – é fenomenal na composição das palavras e na formação de frases.

Dias desses, a mãe dele guardou para ele e o Heitor dois chocolates como sobremesa. Mas não falou nada para eles.

Terminado o almoço, a Lucas havia esvaziado o prato e o Heitor, sempre atento às brincadeiras (ele é agitado, não para), não. Cáritas deu um bombom para o Lucas e disse que para o Heitor só depois que ele voltasse à mesa e terminasse o almoço. Ele, que sempre contesta, birrou que não, que queria o bombom.  A mãe foi irredutível.

Heitor voltou à cozinha, beliscou rapidamente o prato e, depois,  voltou para a sala.

– Mamãe, estou de barriga cheia!

 

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