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*Por Thuany Gonçalves

Um senhor chamado Lunga, era acostumado a acompanhar funerais. Ele vivia querendo saber quem havia falecido para poder se deslocar até o velório. Um dia desses, a noite, ele estava dormindo e acordou assustado, sonhando com a morte do seu vizinho. Em seguida, foi logo se levantando para se vestir e ir ver se o seu sonho tinha algum sentido. E por mais estranho que seja, realmente tinha. Chegou na casa do vizinho, viu que tinha sido o primeiro da rua a chegar e, como já estava tarde da noite, ainda não havia dado tempo de a família comunicar o pessoal da cidade. Mas seu Lunga nem se incomodou. O importante para ele era saber que já estava presente no velório. A mãe do falecido, mesmo triste, até brincou:
– Seu Lunga, seu Lunga! Eu ainda desconfio que você ‘’fareja’’ falecimento.
E no dia seguinte, estava seu Lunga já preparado para se encaminhar ao cemitério.
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(Ilustração: Divulgação)
Outra vez, seu Lunga ficou sabendo do falecimento de um conhecido, porém era na cidade vizinha. Ele não tinha condução para chegar ao velório. Foi aí que ele ouviu dizer que não tinha funerária na cidade e que iam ter que encaminhar um carro para levar o caixão. Seu Lunga passou algumas horas sumido.
A caminho da cidade vizinha, o motorista do carro da funerária, apelidado de Marco Veiro, resolveu parar o carro para abastecer e fazer um lanche. Logo depois, seguiu viagem. Era final de tarde e já escurecia. De repente, ele escutou um barulho vindo na direção do caixão. Não demorou muito e quando ele olhou, o caixão estava destampado.  Como estava escuro, só viu a sombra de um corpo sentado no meio dele, que por sinal, perguntou:
– Já chegamos?
Marco Veiro assustado, parou o carro e gritou:
– O que é isso, meu Deus?! O morto não morreu.
E ele escuta:
– Calma, calma! Sou eu…
O motorista fica ainda mais amedrontado e, em seguida, os dois começam um diálogo:
– É o Lunga! Vim dormindo, mas acabei acordando no caminho.
– Ora, seu Lunga! Quer me matar do coração? De certo, eu sabia que você estaria no velório. Mas não imaginei que fosse vir escondido no carro da funerária e logo no caixão onde vai ficar o corpo.
-É que eu estava sem carona, Marco Veiro.
Os dois sorriram da situação, e depois dessa conversa, seguiram para o velório. Chegando lá, estavam velando o corpo e no outro dia foram para o cemitério. Ao final, seu Lunga voltou para casa.
Os dias se passavam e seu Lunga continuava frequentando todos os velórios da sua cidade e das cidades vizinhas, como se fosse um evento. Todos já ficavam à sua espera, porque presente, já sabiam que ele ia estar.
Anos depois,  seu Lunga morreu. Não era surpresa… foi um dia extremamente triste na cidade. Compareceu gente até das cidades vizinhas. Era um exagero de tantos amigos, conhecidos e até mesmo quem estava presente só por conhecer sua fama.
A cidade estava quase toda na igreja, depois, quase toda no cemitério. Estavam entristecidos com aquela situação. Tamanha surpresa foi na hora de fechar o caixão. A tampa dele se desencaixou por três vezes, até conseguirem, finalmente fechar. Então, de forma descontraída, um amigo gritou:
– Ora, seu Lunga,  se comporte aí dentro! Não é possível que logo no seu velório você não queira ficar!!
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*É estudante de Jornalismo na Universidade Federal do Tocantins (UFT).

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