Joaquim R. Ferreira possui 14 canteiros na Horta Comunitária da Arse 112, e há dois anos instalou uma casa de vegetação em parte desses canteiros (Foto: Regiane Rocha/Secom-mas)

Da Redação*

Dezenas de agricultores de hortas urbanas de Palmas aprenderam as vantagens do cultivo protegido de hortaliças. A parte teórica das orientações foi repassada durante palestra na Escola de Tempo Integral (ETI) Almirante Tamandaré, na Arse 132, e a segunda parte contou com a exemplificação das boas práticas usando como exemplo o que é feito na Horta Comunitária da Arse 112.

A realização do Agosto Verde é uma iniciativa da Prefeitura de Palmas, via Secretária de Desenvolvimento Rural (Seder) e parceiros.

Conforme o secretário da Seder, Roberto Sahium, a agricultura familiar é responsável pelo abastecimento de parte dos alimentos frescos que chegam até a mesa dos palmenses. As hortaliças são o carro-chefe das hortas da capital e ajudam ainda mais a disseminar o conceito de agricultura urbana.

Sahium, a agricultura familiar é responsável pelo abastecimento de parte dos alimentos frescos que chegam até a mesa dos palmenses
(Foto: Regiane Rocha)

– Palmas possui um grande potencial. Trabalhos para que os números só cresçam e que as famílias tenham toda a assistência necessária para o sucesso de seus empreendimentos –  explica o gestor.

O diretor de assistência técnica da Seder, Bonfim dos Reis, iniciou a palestra apresentando o Diagnóstico da Produção e Consumo de Hortaliças da Agricultura Urbana e Cinturão Verde de Palmas, de 2016. Conforme dados da pesquisa, o mercado local de folhosas é 100% atendido pela produção local com cebolinha, coentro, couve, alface, rúcula e plantas medicinais. Um novo diagnóstico será publicado no primeiro semestre de 2020.

O número de pessoas que consomem hortaliças diariamente na Capital chega a 123 mil. A recomendação feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo de 400 gramas ou cinco porções diárias de hortaliças, mas apesar da grande oferta desses produtos em Palmas, o consumo ainda é inadequado.

Reis também lembrou que além do conhecimento técnico, os pequenos produtores podem aumentar as possibilidades de escoamento dos alimentos com a formalização seja via microempreendedor Individual ou por meio de cooperativas.

– Esse caminho aumenta as possibilidade para a venda em grandes supermercados e empresas de alimentação, locais que exigem a emissão de notas fiscais –  orienta.

Palmas possui atualmente 22 hortas assistidas pela Prefeitura de Palmas, por meio da Seder, e uma em fase de construção na Arso 131.

Dezenas de agricultores de hortas urbanas de Palmas aprenderam as vantagens do cultivo protegido de hortaliças
(Foto: Regiane Rocha)

Produção em ambiente protegido

O professor-doutor da Universidade Federal do Tocantins (UFT), também especialista em Agronomia, Ildon Rodrigues do Nascimento, ministrou palestras sobre os conceitos, histórico e modalidades do uso do cultivo protegido; manejo do solo e do ambiente; e as novas tendências do cultivo protegido e suas aplicabilidades para as condições edafoclimáticas do Tocantins.

Segundo ele, a maior parte do que é consumido no Tocantins vem de outras localidades, mesmo com todo o potencial que o estado possui.

– Temos que melhorar o aspecto técnico para fazer a informação chegar aos produtores –  informa.

Ainda conforme Nascimento, um dos fatores que contribui para esse cenário é a temperatura.

– É preciso moldar a planta para que se desenvolva nas condições climáticas do Tocantins – lembra ao elencar outro fator: o mercado.

– Tem que saber o que produzir e como produzir –  explica o professor.

Nascimento informa que no mundo são mais de 4 milhões de hectares de cultivo protegido. No Brasil os estados da região Sul são as maiores produtores nessa modalidade.

– As vantagens estão no controle do ambiente com várias safras por ano; aumento da produtividade e qualidade; redução do ciclo da cultura; produção na entressafra; redução no ataque de pragas e doenças; menos agrotóxicos e uso eficiente de água –  enaltece.

Dentre as desvantagens estão o investimento inicial elevado para a construção dos túneis, telados, casa de vegetação e estufas agrícolas. A exigência do conhecimento técnico e treinamento no manejo das estruturas e espécies é outro gargalo.

– A salinização do solo (excesso de adubo); as opções de rotação de cultura; a falta de políticas públicas de incentivo e a aquisição de substrato também são listados entre os problemas que os produtores poderão enfrentar – enumera Nascimento.

Sobre o cultivo protegido, o diretor de assistência técnica da Seder, Bonfim dos Reis,  explica que a instalação da casa plástica com 10 metros de cumprimento e 10 de largura, custa em torno de mil reais, incluindo a mão de obra, madeira (eucalipto tratado) e a lona agrícola transparente de 150 micras (resistência do material).

– Essa lona é mais resistente ao sol e vento. A durabilidade é maior –  garante.

Joaquim Rocha Ferreira, de 61 anos, possui 14 canteiros na Horta Comunitária da Arse 112, e há dois anos instalou uma casa de vegetação em parte desses canteiros. Segundo ele durante o período chuvoso a produção continua graças a proteção que as plantas recebem.

– Investi R$ 2 mil para construir e só tenho a comemorar a rentabilidade obtida – enaltece.

Os outros canteiros que Ferreira possui também serão inseridos em uma casa de vegetação.

Maria Oliveira, de 56 anos, cultiva alface, couve, cheiro verde, salsa e cebolinha na Horta Comunitária da Arse 102 e está bastante animada como tudo que aprendeu e pretende instalar a cobertura para proteger as hortaliças dos seis canteiros que estão sob seus cuidados.

*Fonte: Secom/Palmas, com edição de Cerrado Rural Agronegócios