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Da Redação*

A declaração do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, de que “Nós queremos vender soja e minério de ferro, mas não vamos vender nossa alma para a China”, motivou a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) a enviar uma carta para o chanceler. Na carta, a parlamentar que já foi ministra da Agricultura, alerta sobre o impacto negativo que uma eventual ruptura nas negociações com a China traria para o agronegócio brasileiro. Para Kátia, ao fazer aquela afirmação, o chanceler espalhou a semente da insegurança na economia.

Ela lembrou que mais de 80% da soja brasileira exportada tem a China como destino.

Senadora Kátia Abreu: "Conquistas odem ser perdidas" (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
Senadora Kátia Abreu: “Conquistas odem ser perdidas” (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

– Temos de lutar para ter proximidade com outros países, como estamos fazendo com relação aos Estados Unidos, mas sem pôr em risco o que conquistamos na Ásia. Não é justo que o senhor venha causar desassossego e provocar turbulências com declarações que podem tirar uma grande fatia do nosso mercado – afirmou.

Na carta, a senadora do Tocantins argumentou que, nos últimos anos, houve grande esforço por parte dos produtores rurais e dos governos brasileiros no sentido de ampliar as exportações para China. Destacou que ela própria, como ministra e como presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), foi ao país ao menos oito vezes para tratar de acordos comerciais.

Kátia Abreu pede que o ministro trabalhe para manter e ampliar as relações comerciais com o país asiático.

– Li que o senhor é um homem temente a Deus. Também tenho fé e peço-lhe que reze, em português e em mandarim, para manter e ampliar nossas relações comerciais com a China. É a coisa certa a fazer – concluiu.

Veja a íntegra da carta enviada:

“Sr. Ernesto Araújo, Min. Relações Exteriores

Como Senadora da República e na condição de defensora incondicional da Agropecuária brasileira, venho manifestar imensas preocupações diante da incerteza que paira sobre o futuro dos negócios do Brasil com a China.

Ao afirmar que “nós queremos vender soja e minério de ferro, mas não vamos vender nossa alma para a China — e questionar se a relação com o país é benéfica —, o Senhor espalhou a semente da insegurança na economia brasileira. 

Não é justo que o Senhor venha causar desassossego e provocar turbulências com declarações que podem nos tirar uma grande fatia do nosso mercado.

Mais de 80% da soja brasileira é exportada para os chineses. Temos de lutar para ter proximidade com outros países, como estamos fazendo em relação aos Estados Unidos, mas sem pôr em risco o que conquistamos na Ásia.

Nossas exportações agrícolas ultrapassam os US$ 102 bilhões ao ano, com superávits comerciais anuais superiores a US$ 88 bilhões. Estima-se que a safra agrícola deve, neste ano, alcançar 230,7 milhões de toneladas, a segunda maior da história desde 1975.

O maior responsável por este êxito é o agricultor. Graças a ele, nossa Agropecuária é mundialmente reconhecida pela excelência. Foi uma conquista de anos e anos de trabalho. 

Diferentemente dos nossos competidores, temos uma infraestrutura de transporte abaixo da crítica. Nossos portos estão entre os menos eficientes do mundo, a carga tributária dos insumos é altíssima e os juros são exorbitantes. 

Conheço o setor agropecuário. Fui presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e fui ministra da Agricultura. Estive na China e em outros países para ampliar nossas vendas. 

Tenho quase três décadas de vida pública voltada para a defesa da nossa agricultura – que representa a melhor chance do nosso Brasil avançar em direção a uma vida melhor para a maioria da população que se confronta diariamente com dificuldades quase intransponíveis. 

Esse setor gera mais de 30 milhões de empregos diretos no país e responde por mais de R$ 1,4 trilhão de ganhos à nossa economia. 

Sr. Ministro Ernesto Araújo, li que o senhor é um homem temente a Deus. Também tenho fé e peço-lhe que reze, em português e em mandarim, para manter e ampliar nossas relações comerciais com a China. É a coisa certa a fazer.

Atenciosamente, 

Senadora Kátia Abreu”

*Com edição de Cerrado Rural Agronegócios

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