leite11
Adversidades encareceram o leite e derrubaram o consumo no quarto trimestre de 2016 (Foto: Divulgação)

Dois mil e dezesseis foi, por alguns motivos, diferente dos anos anteriores, sobretudo, em relação ao regime de escassez de chuvas, que impactou as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. Este cenário elevou os custos de produção e reduziu as pastagens.

Os grãos ficaram mais caros, principalmente o milho, fato que colaborou para que houvesse um aumento dos gastos com a alimentação dos animais, prejudicando, entre outros setores da pecuária brasileira, a produção de leite e derivados.

Esta análise é de Wilson Massote Primo, diretor executivo do G100, instituição que oferece assistência econômica, financeira e técnica a cooperativas e pequenas indústrias de laticínios do país.

– O clima impactou fortemente na oferta de leite, provocando uma subida anormal dos preços ao consumidor, contribuindo para que, a partir de julho de 2016, fossem intensificadas as importações (com destaque para o leite em pó), visto que os preços internos mais altos e o efeito cambial favoreceram mais as importações – ressaltou Massote Primo.

Medidas do Governo

Segundo representantes da cadeia leiteira, principalmente de Rio Grande do Sul (Estado que já decretou uma grande crise no setor), a concorrência das importações tem prejudicado os produtores locais.

– O governo deveria estabelecer medidas anticíclicas na economia, favorecendo o aumento do emprego e a recuperação dos salários. Enquanto isso não ocorre, deve promover uma forte fiscalização da qualidade dos produtos importados e também no mercado, para averiguar se existe uma utilização indevida de reidratação de leite, fora da região do Nordeste – opina o diretor executivo do G100,

– Também deveria ser adquirido mais leite fluido e/ou em pó das cooperativas e indústrias, para ser utilizado em programas sociais, principalmente, para as pessoas desempregadas e desassistidas.

Perspectivas para 2017

Primo também traça suas perspectivas para a cadeia leiteira em 2017:

Wilson Massote Primo, diretor executivo do G100 (Foto: Divulgação)
Wilson Massote Primo, diretor executivo do G100 (Foto: Divulgação)

– Não observamos, até o momento, nenhuma ação proativa do governo que venha a atuar sobre as variáveis que causaram os danos em 2016, seja para o produtor, para a indústria e/ou para o consumidor. Se voltar a situação climática igual a este ano, certamente, mais dificuldades serão sentidas em toda a cadeia, no ano que vem.

Para o diretor executivo do G100, a crise política e econômica do Brasil, que deve persistir em 2017, afetou o desempenho da cadeia produtiva de leite e derivados, e do agronegócio de modo geral.

– A instabilidade política e econômica provocou um menor PIB (Produto Interno Bruto) 2015/16, sobretudo, devido ao desemprego e à inflação, com importantes reflexos no consumo – salienta.

Conforme o executivo, esse cenário foi potencializado por um período maior de seca nas regiões produtoras de leite e de grãos, que encareceram o leite e derrubaram o consumo no quarto trimestre de 2016. Outros fatores, como as importações, “provocaram uma baixa dos preços ao produtor, mas os custos não caíram proporcionalmente”.

– Isso, com certeza, desestimula o homem do campo a produzir mais em 2017. Portanto, tornam-se urgentes iniciativas de políticas anticíclicas, que sejam capazes de proteger os produtores e as pequenas e médias cooperativas e empresas de laticínios, salvaguardando as estruturas produtivas do setor – reforça Primo.

Da equipe SNA/RJ, com edição da redação deste site