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*Da SNA

A cadeia nacional da pecuária de corte começa o ano com expectativa de mudança significativa no quesito sanidade animal. É que a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) deve anunciar o Brasil como país livre da febre aftosa, com vacinação, durante reunião anual da entidade que acontece em Paris, capital francesa, em maio de 2018.

Segundo o presidente interino do Conselho Nacional da Pecuária de Corte (CNPC) e membro da Academia Nacional de Agricultura, Sebastião Costa Guedes, o Brasil já está preparado para esse processo.

– Este é o caminho para a evolução da nossa pecuária. Outros países da região há anos ou décadas retiraram a vacina sem problemas – diz.

A retirada da vacina pode aumentar a exportação de carne bovina em cerca de US$ 1,2 bilhões anuais (Foto: SNA)
A retirada da vacina pode aumentar a exportação de carne bovina em cerca de US$ 1,2 bilhões anuais (Foto: SNA)

O reconhecimento pela OIE deverá consolidar o processo de reconhecimento feito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em dezembro do ano passado, quando foram declaradas novas zonas livres da febre aftosa com vacinação no Amapá, Roraima, em grande parte do Amazonas e em áreas de proteção no Pará, finalizou-se nacionalmente o processo de erradicação da doença. Em abril, o País completou 11 anos sem registro de ocorrência de aftosa.

Para Guedes, que também é presidente da Câmara Setorial da Carne Bovina do Mapa e membro do Grupo Interamericano para a Erradicação da Febre Aftosa (Giefa), em termos epidemiológicos, o Brasil pode retirar a vacina tranquilamente.

– Eventuais recidivas seriam facilmente controladas com a atual legislação internacional e a custo baixíssimo – afirma.

– Porém, temos que cuidar de instalar nosso banco de reserva e de antígenos imediatamente.

Ações

O presidente do CNPC destaca a ação do Departamento de Saúde Animal do Mapa no processo ao planejar e discutir com toda a cadeia, a estratégia e o cronograma da erradicação de maneira inédita no Brasil.

– Todos os envolvidos merecem os parabéns pelo paciente trabalho – elogia.

Segundo o presidente interino do (CNPC) e membro da Academia Nacional de Agricultura, Sebastião Costa Guedes, o Brasil já está preparado para esse processo: ‘Este é o caminho para a evolução da nossa pecuária’ (Foto: divulgação)
Segundo o presidente interino do (CNPC) e membro da Academia Nacional de Agricultura, Sebastião Costa Guedes, o Brasil já está preparado para esse processo: ‘Este é o caminho para a evolução da nossa pecuária’ (Foto: divulgação)

Outra estratégia importante em relação ao enfrentamento da doença é o Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) 2017-2026, com o objetivo de criar e manter condições sustentáveis para garantir o status de país livre da febre aftosa com vacinação e ampliar as zonas livres da doença sem vacinação. Atualmente, apenas o Estado de Santa Catarina mantém o status de zona livre sem vacinação.

– O que precisamos, agora, é que o Departamento de Fiscalização de Insumos Pecuários acelere a modernização da vacina retirando saponina, reduzindo a dose para 2 ml, eliminando o vírus C, a exemplo do que já fez Colômbia, Equador, Uruguai e Bolívia – observa Guedes.

Benefícios

Na opinião de Guedes, os benefícios do anúncio de livre da febre aftosa pela OIE serão enormes, pois essa mostrará ao mundo que o Brasil tem defesa e vigilância sanitárias adequadas.

– Além disso, só com a aquisição de vacinas nas revendas, os produtores economizarão cerca de R$ 600 milhões. Se considerarmos acidentes com animais nos troncos, fraturas e traumatismos em vacinadores, perdas de peso nos deslocamentos, abscessos e lesões nas carcaças no abate, cadeia do frio e equipamentos, a economia ultrapassará mais de R$ 1,3 bilhões para os produtores – calcula.

De acordo com levantamento feito pelo CNPC, a retirada da vacina pode aumentar a exportação de carne bovina em cerca de US$ 1,2 bilhões anuais.

– Por outro lado, esse anúncio propiciará aos suinocultores paranaenses e gaúchos exportarem para Japão, Coréia do Sul e países mais exigentes e com preços mais remuneradores – informa Guedes.

O especialista prevê também que a eliminação da vacina aumentará a economia na quebra da produção de leite em algumas centenas de milhões de reais.

*Com edição de Cerrado Rural Agronegócios

 

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