Planta da Bunge em Pedro Afonso: subvalorização de terra arrendada (Foto: Antônio Oliveira)
Planta da Bunge em Pedro Afonso: subvalorização de terra arrendada (Foto: Antônio Oliveira)

Produtores rurais de Pedro Afonso, na região centro-norte do Tocantins, estão insatisfeitos com a política de arrendamento de terras para a produção de cana-de-açúcar praticada pela Bunge, por meio de sua unidade sucroalcooleira naquele município. A denúncia foi feita ao site T1 Notícias, do Tocantins, pelo produtor rural e um dos pioneiros na exploração dos cerrados da região, Sebastião José de Carvalho,  mais conhecido como  “Tiãozinho”.

De acordo com ele, mesmo com a produtividade da cana no Tocantins ser  cerca de 18% maior que a média nacional, o preço que a multinacional paga por hectare arrendado não chega a 50% dos valores pagos nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil.

Àquele site Tião disse ainda que se basear pelas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, pode-se ver que os contratos de arrendamentos destas regiões se situam nos patamares entre 21 e 29 toneladas de cana-de-açúcar, com a média ponderada de 25 ton/ha, enquanto que o proprietário de terras da região de Pedro Afonso não consegue  alcançar a marca de 15 ton/ha (nos contratos com a Bunge)

– Isso em raríssimos contratos, sendo que a grande maioria dos contratos de arrendamentos está situada entre oito e dez ton/ha, reclamou Tiãozinho.

Ainda de acordo com o produtor rural, a Bunge se utiliza de subterfúgios  para alcançar lucros maiores, já que não repassa  parte desses lucros para aqueles que arrendam suas terras ou fornecem a cana para a empresa. Esses produtores, ainda conforme ele, estão sendo enganados por meio de contratos de parceria agrícola.

– Por que a ‘gigante dos alimentos’ age dessa maneira com os produtores rurais, tendo em vista que as terras, objeto de arrendamento, para o cultivo da cana-de-açúcar, são corrigidas a cada dez anos de cultivo de soja e por este motivo eleva a produtividade?, questionou.

Ao Site T1 Notícias, Tiãozinho explica ainda, para melhor compreensão do leitor ou leigo no assunto, que o valor pago pelas indústrias sucroalcooleiras é de R$ 60,34 por tonelada de cana-de-açúcar e se a terra arrendada produz 21 ton/ha , o rendimento por hectare chega a R$ 1.267,14 por hectare produzido. Porém, quando ela é arredada para a produção de 10 ton/ha, o valor pago pela empresa em questão é R$ 603, 40, ou seja, menos da metade do valor médio praticado no Brasil.

– Mas a produtividade  no Tocantins, na prática, não é inferior à nacional, disse.

Ainda segundo  Tiãozinho, em informações prestadas para o T1 Notícias, “a selvageria dessa empresa não tem limites e se não houver a intervenção das autoridades para o saneamento de tais impropérios, esta gigante continuará massacrando os interesses de toda uma comunidade, concluiu.

O T1 Notícias procurou ouvir a Bunge desde a última quinta-feira, mas até neste sábado, 15, o Grupo não se manifestou.

(Com informações do site T1 Notícias)