Gisela Introvini; "Mostrar caminhos a seguir, mas também clamar por melhorias para a região (Foto: Fapcen)
Gisela Introvini; “Mostrar caminhos a seguir, mas também clamar por melhorias para a região (Foto: Fapcen)

Por Antônio Oliveira

Com o tema “Valorização territorial do MATOPI”, começa na próxima segunda-feira, 20, o Agrobalsas 2019.  O evento acontece na Fazenda Sol Nascente, sede e campo de pesquisas da Fundação de Apoio à Pesquisa do Corredor de Exportação Norte “Irineu Alcides Bays” (Fapcen) e atrai expositores e produtores rurais de todo o Norte e Nordeste do Brasil e do país.

– Nós estamos na 17ª edição. Já perdemos para o Tocantins (Agrotins), que começou um ano depois, mas que sempre teve o incentivo do governo do estado para a sua continuidade merecida. Atualmente, nós contamos com o apoio do governo do Maranhão e da prefeitura de Balsas. O Agrobalsas vem provocar as ideias  que vão acontecer lá na frente, para que este produtor possa  escolher que caminhos seguir – diz a superintendente da Fapcen, promotora do evento,  engenheira agrônoma Gisela Introvini.

Na sua entrevista à Cerrado Rural Agronegócios, nesta noite de quarta-feira, 15, ela diz ainda que foi da maneira supracitada que, a partir de  2005, “quando nós trouxemos a Integração Lavoura-Pecuária (IL) e o grande ministro (da Agricultura) Alysson Paolinelli”, que a feira trouxe avanços, aprontou diretrizes a seguir.

Vista área parcial do Agrobalsas, em edição anterior (Foto: Focoagro)
Vista área parcial do Agrobalsas, em edição anterior (Foto: Focoagro)

– Foi assim, também, ainda na primeira edição, quando nós trouxemos a questão da plantabilidade das sementes, num momento  em que nem pensávamos que chegaríamos às maquinas informatizadas que estão, hoje, no campo. Então, já preconizamos uma semeadura com alta precisão, que não desse replantio. Enfim, nós despertamos nesta a região a produção de sementes, as cultivares de soja, quando do nosso convênio com a Embrapa (Soja), que foi o que abriu o Norte e Nordeste do Brasil – lembra.

Para Introvini, muitos produtores da região tiveram sucesso, cresceram, graças aos trabalhos desenvolvidos pela Fapecen e pelas tecnologias difundidas pelo Agrobalsas.

– No passar do tempo, todas as questões que o Agrobalsas  propôs, elas aconteceram 3 a 5 anos após sua difusão. Atuamos sempre visando os eventos tecnológicos de combate às pragas e doenças; de aumento da produtividade, qualidade e sanidade, como a ferrugem asiática, a lagarta da soja; a necessidade da biotecnologia; a necessidade de se ter safrinhas; de se ter um material de híbrido de milho; já se vê as pastagens para a integração Lavoura Pecuária; o biocombustível; a questão de logística e, assim, sucessivamente – aponta Introvini.

A seguir a íntegra da entrevista com Gisela Introvini:

Cerrado Rural Agronegócios (CRA) – O Agrobalsas deste ano tem como tema “Valorização territorial MATOPI”. Por que este tema e por que ter excluído a Bahia dadenominação MATOPIBA, que é de uma região já institucionalizada, que se interage, tem a mesma vocação econômica, potencial e carências?

Gisela Introvini – Porque já vem da própria missão da Fapcen. Quando ela foi criada, há 25 anos, a missão era promover o desenvolvimento sustentável dos três estados: Maranhão, Piauí e Tocantins. E ela segue com sua missão, até onde vai o alcance dos trabalhos da Fapcen.

CRA – O que a organização da feira espera deste foco?

Feita procura aliar a pecuária à agricultura
Feita procura aliar a pecuária à agricultura

Gisela Introvini – “Valorização terrotorial”. Justamente por causa da agência MATOPIBA. Ela foi criada em 2015, pela nossa então ministra Kátia Abreu e, depois na mudança de governo, ela foi extinta, em outubro deste mesmo ano. E quando ela foi criada, nós tínhamos projetos em comum, nós tínhamos visibilidade, principalmente quando nós focamos Maranhão e Piauí. São estados brasileiros com os menores índices de desenvolvimento humano (IDH). Estamos, vamos dizer assim, esquecidos, quando comparados aos demais estados da Federação. Então, nós precisávamos chamar a atenção para os nossos problemas. Nossas  estradas, que servem os campos de produção, continuam as mesmas de 20 anos atrás. Então, o que mudou nesta logística de produção? Os produtores avançaram. Hoje eles produzem altos tetos produtivos, trabalharam bem no perfil do solo. Mas a questão de logística, de escoamento da produção, por mais que tenhamos o Porto de Itaqui por perto,  que é estrategicamente, um dos maiores do Brasil, nossas estradas

“Então, nós estamos assim muito faceiros, na expectativa de atrair muitos negócios e, assim, fortalecer a economia da nossa região”

continuam as mesmas de sempre. Os nossos problemas só mudam de endereço, eles continuam os mesmos. Então, como nós vamos dar valor a esta terra. Nós sabemos que, para atrair a agroindústria, para gerar mais empregos e renda, nós temos que ter aeroporto, estradas. Nós temos que atrair agroindústrias.  A soja e o milho que eram nossos maiores desafios, nós conseguimos produzir bem. Temos grandes tetos produtivos. Então, esta “Valorização territorial”,  busca uma agenda para até 2030 para o Maranhão. O que nós queremos? O que nós vamos deixar para as gerações futuras? Esta é a nossa proposta. E o que nós já temos em contrapartida?

CRA – Diante do contexto político, econômico e dos agronegócios brasileiros, qual é a sua expectativa de faturamento e de público?

Gisela Introvini – Nós estamos sempre baseados nas edições anteriores. Em 2017 e 2018 nós tivemos alguns problemas com a escassez de chuvas, não só no Maranhão e no Piauí, mas em quase  todo o território brasileiro. Mas mesmo assim, em 2017, nós faturamos R$ 460 milhões; em 2018, houve um avanço de mais ou menos 30%, ficando em torno de R$ 640 milhões. Este ano nós esperamos alcançar aproximadamente  R$ 1 bilhão em negociações. A revista “Mapa da Mina”, da Rede Globo, considera o Agrobalsas entre as 20 maiores feiras do Brasil. Nosso público é sempre estimado em torno de 120 mil pessoas. Nós esperamos assim angariar muitos negócios porque já está confirmado a presença do vice-presidente do Banco do Brasil, que deixou a disposição dos agricultores, nesta semana, a importância de R$ 1,1 bi para megócios. Como também está vindo o presidente do Banco do Nordeste. Então, nós estamos assim muito faceiros, na expectativa de atrair muitos negócios e, assim, fortalecer a economia da nossa região.

CRA – O que seria mais importante para a organização do Agrobalsas, negócios ou a difusão de novas tecnologias?

Gisela Introvini – O Agrobalsas é um misto, pelas próprias características da região em que nos encontramos. Então, nós temos a feira do agronegócio que, logicamente,  é o que nos impulsiona a organizar o Agrobalsas, mas sempre de acordo com o número de empresas – revendedoras de máquinas, de implementos e dos principais insumos. Mas nós primamos também pelas pesquisas, por meio das vitrines vivas das principais culturas, onde nós sempre contamos com a colaboração dos pesquisadores da Embrapa Meio Norte. Eles vêm sempre trazendo, de uma maneira muito forte, as culturas alternativas, culturas de adubação verde para nosso solo e também a rotação de culturas que está direcionada a Integração Lavoura-Pecuária. E neste ano, nós contaremos com o lançamento, de um pesquisador, Dr. Geraldo Magela, do boi tropical, que vem a ser um cruzamento específico para as condições de clima da nossa região. É uma raça melhorada e nós estamos muito confiantes de que ela vai fazer pleno sucesso. Teremos também o shopping da pecuária, de uma forma um pouco mais agressiva, diferente, esperando que venha        este entrosamento da pecuária com a região que tem como característica a produção de grãos.

CRA – Quais a novidades, o diferencial para este ano, em relação às edições passadas?

Estudantes têm a oportunidade de conhecer práticas corretas de  cultivo (Foto: Uema Agro)
Estudantes têm a oportunidade de conhecer práticas corretas de cultivo (Foto: Uema Agro)

Gisela Introvini – A grande novidade deste ano é a Feira de Indústria e Comércio do Estado do Maranhão,  pela primeira vez em Balsas, por meio da Secretaria de Estado da Indústria e Comércio. Teremos bastante produtos produzidos aqui na região e também teremos um workshop cultural, para o qual nós contamos com o patrocínio da John Deere. Este evento vai envolver aquele trabalho que nós fazemos todos os anos, que é a transferência de informação, de tecnologia, sobre agricultura sustentável, sobre sustentabilidade do planeta, questões que envolvem a água, o uso dos defensivos. As crianças das escolas públicas e privadas, das comunidades, das universidades, vão interagir. Contamos, sempre,  também com os nossos grandes parceiros que são a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Rodoviária Federal e a Agência de Defesa Agropecuária do Estado. Temos também uma programação muito rica: cinco palestrantes de nível internacional. Como nós teremos a feira de indústria e comércio e como a Fapcen está trabalhando, vendendo crédito de soja certificada para a Europa, nós pensamos em atrair esses mercados com as nossas riquezas. Por exemplo: no Tocantins, nós temos o Jalapão, que tem um artesanato rico feito com o capim dourado. Nós temos aqui, no Piauí, a Serra da Capivara, outra beleza turística da origem do homem na terra com o artesanato; temos, no Maranhão, buritis, babaçus. Enfim, tantas fontes de rendas. Nós não queremos  apenas vender crédito de soja para a Europa. Nós queremos vender artesanato. Aí então, reforçando a idéia do MATOPI, novamente, como também, nós queremos assim chamar a atenção. Nós conseguimos trazer para perto da Fapcen uma grande rede de supermercados da Alemanha, a rede Lidl de supermercados. São mais de 9.900 mil lojas espalhadas em 23 países. E ela já vai publicar sobre nós; ela já vai mostrar que seus produtos à base de soja são produzidos por produtores que têm responsabilidade socioambiental  e inclusão de pessoas, que  é o trabalho que a Fapcen vem conduzindo. Então, nós estamos muito felizes por esta supervalorização que estamos recebendo e esperamos então esta projeção internacional do Maranhão, do Piauí e do Tocantins.

“Vamos apostar agora que a nova ministra, Tereza Cristina, possa vir e nos auxiliar na forma que nós merecemos”

CRA – Ao longo dos anos, o Agrobalsas tem sido uma tribuna onde os produtores da região reivindicam melhorias para a região, como estrutura, logística e comunicação, e os políticos prometem.  Entretanto, quase nada mudou na região, a não ser a produção, produtividade e o avanço tecnológico na região. O que espera desta tribuna neste ano?

Gisela Introvini – Antônio, você foi o nosso grande parceiro naquela época e acompanhou, de perto,  todos os nossos anseios, as nossas propostas que foram colocadas à mesa. A intenção era maravilhosa, nós teríamos auxílio do ministro do Japão, que foi até ao Tocantins; as propostas de hidrovias e ferrovias e eclusas; a visibilidade que foi dada para as grandes diferenças sociais, existentes nestes estados. Enfim, nós tínhamos todos os dados nas nossas mãos e, infelizmente, envolveu-se, assim,  numa vertente política, não técnica, na minha opinião. Houve, em determinado momento,  um descuido e colocou-se prefeitos vaidosos e esses tiraram a ideia central, que eram esses estados, num conjunto maior,  propor um desenvolvimento que favorecesse  a todos. É o caso da nossa Transpiauí, que sai da Bahia, atravessa o Piauí e passa pela região de Balsas; vem a MA-006,  que até hoje não tem uma logística, sem asfalto que fazem os fretes serem altíssimos, um custo muito grande para o produtor que escoa seus grãos para o exterior via Porto de Itaqui. Então, é este modelo que a gente lamenta ter perdido. Essa força política,  por meio de técnicos,  que pudesse fazer que este estado avançasse mais. Mas, enfim, a senadora Kátia Abreu deixou a visibilidade daquilo que nós somos, daquilo que fazemos. Mas agora falta novamente nós chamarmos  a atenção para estes estados. Na gestão de Blairo Maggi, no Ministério da Agricultura, a gente sabe que ele se voltou mais para o Mato Grosso, que ficamos esquecidos novamente. Vamos apostar agora que a nova ministra, Tereza Cristina, possa vir e nos auxiliar na forma que nós merecemos.

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Gisela Introvini é uma das maiores difusoras, no Brasil e no mundo, do potencial do Corredor Norte de Exportação e defensora da produção sustentável. Ela está há quase 25 anos na Superintendência da Fapcen.

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