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Por Antônio Oliveira

Antigamente, Secretaria da Indústria e Comércio. Depois, absorvendo, também, o Turismo. Atualmente, Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Ciências, Tecnologias, Turismo e Cultura, como que estas quatro áreas fossem, por desencargo de consciência, jogadas numa só Pasta. As quatro primeiras até que podem interagir num mesmo espaço. A última, a Cultura, não. Nada a ver. Mas, o  “Pastão”  teve a sorte de ter sido administrada por técnicos nos últimos anos. Entre estes podemos citar, sem medo de errar – e com muita saudade -, o saudoso empresário, político e advogado, Eudoro Zacarias Pedrosa, um homem de visão ampla e apaixonado pelo Tocantins. Geriu a Pasta por dois mandatos consecutivos, sendo sucedido pelo goiano, Alexandre Castro, outro técnico que, não obstante as limitações impostas pelo Palácio – cheio de retóricas, característica de Marcelo Miranda -, pelo Planejamento e pelos cofres da Fazenda, imprimiu sua competência e visão empreendedora.

Atualmente, desde o mandato interino de Mauro Carlesse, a Pasta tem outro técnico, homem empreendedor.  Dearley Kuhn, com atuação empresarial no norte do Tocantins e indicado por vários representantes do empreendedorismo no Estado. Já estive com ele por uma duas vezes, digamos, apresentando nossas credenciais e renovação do nosso ideal de parceria com o Estado, a serviço de seu desenvolvimento econômico. Nesta terceira vez, como seu entrevistador, nesta última entrevista da série com todos os novos gestores das áreas das micro, pequenas e grandes empresas rurais e do setor de agroindústrias.

A conversa nos amimou e, com certeza, animará os setores produtivos do Tocantins e investidores nacionais e internacionais. Visão de futuro – isto é muito bom.

Abaixo, a íntegra da entrevista.

 

Dearleu Kuhn, vem do empreendedorismo (Foto: José Maradona)
Dearleu Kuhn, vem do empreendedorismo (Foto: José Maradona)

Cerrado Rural Agronegócios (CRA) –  Secretário, a Seden tem tido a ventura de bons gestores aqui na sua condução. Agora é o senhor quem ocupa este espaço. Qual a sua bagagem, qual o seu perfil, para o conhecimento do nosso público, que o credencia para esta missão?  

Dearley Kuhn –  Eu sou Advogado de formação, empresário no ramo da construção civil e, também, no ramo rural. Sou associado à Associação Comercial (de Araguaína, no norte do Estado), desde 94, e participo de entidades como associações comerciais e federações. E foi por meio das federações da Agricultura, Comercial, das Indústrias que eu fui indicado para estar Secretário desta Pasta.

CRA – Uma pergunta que tenho feito a todos os novos gestores dos agros, nesta série de entrevistas: Este é um mandato tampão de seis meses. Muito curto. O que é que dá pra fazer nesse curto espaço de tempo na área que a Secretaria abrange?

Dearley Kuhn – Nós estamos tendo algumas dificuldades por ter assumido a Secretaria um pouco parada, sem projetos e sem execução, e ainda estamos enfrentando o período eleitoral que também nos submete à várias restrições. Então, nesse período, nós estamos organizando a Secretaria, organizando atividades que abrangem esta Pasta. Nós temos aqui Indústria e Comercio, que é o desenvolvimento econômico. Nós temos Ciência e Tecnologia, Cultura e ainda Mineração. Então, são áreas que estavam um pouco paradas e que agora nós estamos reorganizando e fazendo atividades administrativas de forma operacional. Estamos, ainda, organizando programas de atração de investimentos para que os empresários venham investir no Estado e trazer o desenvolvimento que a gente tanto espera para o Tocantins.

“O Governador tem visão empresarial. Então, ele tem essa vocação de tirar os estraves para que os empresários possam empreender no Estado. A gente tem que trazer o empreendedor para o Estado e, para isto, nós temos que, primeiro, tirar as barreiras, ver as questão de tarifas, os impostos. Isto é uma visão do Governador”

Tocantins tem uma das melhores logísticas do Brasil (Foto: Antônio Oliveira/CDI-Cerrado Rural Agronegócios)
Tocantins tem uma das melhores logísticas do Brasil (Foto: Antônio Oliveira/CDI-Cerrado Rural Agronegócios)

CRA –  Nesse curto espaço de tempo, qual seria a prioridade determinada pelo govenador Mauro Carlesse?

Dearley Kuhn – Mauro Carlesse é um empresário e como tal acredita no empreendedorismo. Ele tem a pretensão de deixar o Estado com estabilidade jurídica e em seguida trazer novos investimentos para o Estado, compor um ambiente no qual os empresários possam vir constantemente e investir no Tocantins. Para isto, ele está reunindo constantemente empresários, esta recebendo comitivas de empresários de fora do País. Assim como recebemos, recentemente, o Embaixador do Japão, com empresários; um Ministro do Panamá – inclusive, o Embaixador de Panamá esteve com a gente, e o representante da Embaixada da China esteve com o Governador. Ou seja, ele esta tentando convencer os empresários de que o Tocantins é o estado de investimentos, é o estado que tem a melhor logística do Brasil. Nós temos aqui a Norte-Sul, grande modal de transporte de cargas abrangendo Goiás, Mato Grosso, Piauí, parte da Bahia, Maranhão e Pará.

CRA – O Tocantins está passando por um processo de bloqueio do seu desenvolvimento econômico, inclusive assustando os investidores nacionais e internacionais, e piorou, agora, com esse processo político, essas mudança políticas. Qual seria a determinação do senhor e do Governador com vistas a recolocar o Tocantins nos trilhos da credibilidade perante o mercado nacional e internacional? 

Dearley Kuhn – O Governador tem visão empresarial. Então, ele tem essa vocação de tirar os estraves para que os empresários possam empreender no Estado. A gente tem que trazer o empreendedor para o Estado e, para isto, nós temos que, primeiro, tirar as barreiras, ver as questão de tarifas, os impostos. Isto é uma visão do Governador. Mas com o espírito eleitoral vigente, neste período, não podemos fazer alterações tributárias. Mas isto faz parte do plano de Governo dele. Uma alteração na carga tributaria do Estado, mudando a visão de que não é aumentando impostos que vai melhorar a situação do Estado. Temos que diminuir os impostos para que o empresário venha investir aqui. Nós temos que investir nessas áreas do desenvolvimento econômico do Estado. E isso já faz parte do plano do Governo Carlesse.  Já temos vários que são possíveis fazer nesse período eleitoral e já estão sendo feitos.

Anúncio_Mais Conhecimento_Nova Data-001CRA –  O Governador que antecedeu o atual, na minha visão particular, cometeu um erro muito grande ao incluir na pasta do Desenvolvimento Econômico – antiga Indústria, Comércio e Turismo – três outras áreas que não tem nada a ver com os antigos focos desta Pasta:  a Ciência, a Tecnologia e a Cultura. Então, ficou a Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Ciências, Tecnologias, Turismo e Cultura. Haveria pretensão do atual Governo em separar estas áreas?

“O principal é a desburocratização. Nós temos que facilitar que o empresário chegue ao Estado e faça seus investimentos. O Estado não pode estar atrapalhando o desenvolvimento econômico, nós temos que tirar toda essas amarras que existem no processo de abertura de empresas e de investimentos no Estado”

Grandes indústrias, como a Bunge, á estão no Tocantins atraindo outras (Foto: Antônio Oliveira/CDI-Cerrado Rural Agronegócios)
Grandes indústrias, como a Bunge, á estão no Tocantins atraindo outras (Foto: Antônio Oliveira/CDI-Cerrado Rural Agronegócios)

Dearley Kuhn – Infelizmente, agora, no período eleitoral, não. Mas nós já temos a redação legal de alteração de separação destas áreas. O Estado esta passando por sérias dificuldades financeiras e, por isto, não pode aumentar número de secretarias. Contudo, existe estudo para que uma área destas passe a ser agência, com certa autonomia, com condições de fazer um trabalho mais descentralizado. Mas é um estudo que só pode ser feito para o próximo ano e nesse sentido o Governador é muito sensível a toda essa dinâmica que precisa ser realizado para desenvolver o Estado. Precisamos destravar o Estado.

CRA – Na sua opinião, o que seria necessário para que Estado volte a ter credibilidade junto aos investidores, aproveitando essa base bem feita que o Estado tem que está na área dos agronegócios, agropecuária, na produção de grãos, na logística. Enfim, num imenso potencial em muitas áreas?

Dearley Kuhn – O principal é a desburocratização. Nós temos que facilitar que o empresário chegue ao Estado e faça seus investimentos. O Estado não pode estar atrapalhando o desenvolvimento econômico, nós temos que tirar toda essas amarras que existem no processo de abertura de empresas e de investimentos no Estado. Nós temos alguns incentivos no Estado, nós não temos que ficar tendo reserva de mercado, mas abrir o mercado, tanto para quem já investe, ou quem já esta aqui no Tocantins investindo, como também para empresários de fora do Estado, inclusive empresários internacionais.  Nós acreditamos que o Estado tem que ser parceiro do empreendedor, nos temos que nos aproximar dos empresários, facilitando e escutando-os em todas as áreas, verificando o que está impedindo o empresário de investir no Estado.  O empresário precisa de que? De estabilidade? Todo empresário, na hora de investir, ele tem que saber se ele pode investir hoje, não só hoje. É para daqui a dez anos? Então nós temos que ter estabilidade e a garantia jurídica para que ele possa investir e daqui a dez anos o investimento dar retorno. Há que se ter segurança. E segurança, é o que? Estabilidade. Nós vamos conseguir essa estabilidade. O Governador já está demonstrando isso ai, já tem vários empresários que estão visitando o estado do Tocantins com ideias para trazer investimentos. Os empresários daqui já estão tirando da gaveta os projetos que estavam engavetados e nós acreditamos muito que após as eleições nós já vamos começar a ter vários projetos se iniciando no Estado e, assim, no ano de 2019, nós teremos uma mudança radical, em que vão surgir muitos investimentos e isso significa mais renda, mais empregos e, consequentemente, o Estado vai aumentar sua arrecadação e, assim, devolver os impostos em forma de serviços sociais e estruturais para a população.

*Colaborou: Anahyny Aquino.

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