A exemplo como ocorreu nas principais agrícolas do Brasil, 2015 para a região agrícola de Pedro Afonso, no centro-norte do Tocantins, foi de “resultados satisfatórios”, disse, em entrevista exclusiva a Cerrado Rural Agronegócios, o presidente da Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (COAPA).

Contudo, ainda seguindo a regra das outras regiões, 2016 deve ser planejado com muita cautela, embora, na visão de Khouri, tenha uma safra satisfatória.

Ainda nesta entrevista, o dirigente cooperativista cobra mais atuação do Governo do Tocantins nas áreas de Saúde e Educação, já que na parte da infraestrutura os problemas são  menores.

Boa leitura.

Por Antônio Oliveira

Para Khouri, 2015 foi bom, 2016 exigirá cautela. (Foto: Ascom/COAPA)
Para Khouri, 2015 foi bom, 2016 exigirá cautela. (Foto: Ascom/COAPA)

Cerrado Rural Agronegócios (CRA) – Qual o balanço que o senhor faz do ano de 2015 para os setores produtivos rurais da região de atuação da COAPA?

Ricardo Khouri – Esse ano de 2015 apresentou resultados satisfatórios, bom nível de produtividade, com rentabilidade satisfatória, isso falando de grãos de uma maneira geral – soja, milho e sorgo. A pecuária de corte, também, com o preço da arroba atingindo níveis de R$ 120,00 a R$ 135,00. Destaca-se que o custo de produção teve acréscimo superior ao esperado devido ao alto índice de doenças de final de ciclo.

CRA – Que perspectivas o senhor tem do próximo ano para esses setores?

Ricardo Khouri – As perspectivas para o ano seguinte, ou seja a colheita da safra atual em fevereiro/março de 2016, segue com tendência satisfatória, muito embora a fraca ocorrência de chuvas (efeito El Ninho) tem trazido certa tensão ao meio produtivo.

CRA – Estamos vivendo uma crise política e econômica no Brasil, que deve persistir durante 2016. Qual é a estratégia da COAPA para enfrentar este período?

ricardo_kouriRicardo Khouri  – Preocupa-nos essas duas vertentes da crise atual e creio que o cenário para 2016 permanece inalterado, tendendo à um agravamento. Estrategicamente, acreditamos que o cooperado/produtor deva fazer uma gestão um pouco mais conservadora, no tocante à administração dos seus resultados, buscando poupar em um nível maior que nos últimos anos, principalmente pelas incertezas dos impactos gerados pela crise política que afeta, por exemplo, a política de crédito para a safra 2016/2017.

CRA – Se bem que,  o governo e alguns analistas de economia, acreditam que o agronegócio será o único setor da economia brasileira que não será afetada por essa crise, crescendo até a média de 2%. Qual o seu ponto de vista em relação a isto?

Ricardo Khouri  – Concordo com esse índice de 2% de crescimento e pelos níveis de preços  praticados em CBOT (Bolsa de Chicago), teremos uma boa perspectiva desde que não tenhamos déficit hídrico doravante na floração e frutificação das lavouras.

CRA – Não bastasse a crise, há fatores climáticos nos cerrados do Matopiba que atrasaram o plantio  ou  causa danos à lavoura já plantada, sobretudo de soja. Na sua opinião, quais os reflexos destes dois eventos na safra 2015/2016?

Ricardo Khouri  – Como já citado, podemos falar concretamente das dificuldades /atraso do plantio dessa atual safra, tendo chuvas bem abaixo da média regional de chuvas, e observa-se um stand de plantas (em alguns casos, mas não poucos) abaixo do ideal e qualquer estimativa de queda de produtividade seria prematuro. Já esse atraso verificado comprometerá a área de milho safrinha, em quantidade de hectares plantados e nas áreas plantadas as chances de produtividades altas também diminuem.

CRA – No âmbito governamental, o senhor acredita que a presidente Dilma tem feito “o dever de casa” em relação aos setores produtivos rurais no Brasil?

Ricardo Khouri – Entendo que o dever de casa da presidente Dilma, praticamente não impacta na nossa atividade, quando pensamos na cadeia primária de grãos, porém a queda da renda dos trabalhadores, a economia em franca recessão, aliadas à perda de credibilidade do País, impactam na menor atuação de fundos de investimentos ligados ao agronegócio. Esse é um cenário ruim.

CRA – Em relação ao governo  do Tocantins. O que esperar dele na atual fase da região e mediante esta crise?

Ricardo Khouri – Entendo que na esfera estadual, o Governo pode fazer muito pouco, destacando a necessidade de manutenção de estradas para escoamento da produção. Outro aspecto é o entendimento que o governo estadual deve centrar esforços em melhorar o nível de serviço na Saúde (precário) e Educação, que garantem melhor nível de qualidade de vida, tão necessária à consolidação dos segmentos do agronegócio. È imperativo entender que esses dois itens precisam acompanhar o desenvolvimento do setor agropecuário, sob pena das empresas buscarem outros polos  de produção.

CRA – Até que ponto a Agência Matopiba pode contribuir para a melhoria das condições da produção agropecuária, do agronegócio e dos impactos sociais destes nas cidades?

240117_1000Ricardo Khouri – Entendo que a Agência citada deveria ter uma atuação focada nos processos de alavancagem de inovação tecnológica, criando oportunidades segmentadas de agroindustrialização e outros nichos. As oportunidades são muitas.

CRA -Por fim, no contexto de sustentabilidade social, ou seja, na relação setores produtivos x sociedade, qual o balanço a COAPA faz deste ano que se finda?

Ricardo Khouri  – A COAPA tem essa interação com as comunidades em que está inserida como sua identidade, seu DNA. Assim continuaremos, pois um cooperativismo moderno e responsável impõe essa premissa. O ano que se finda confirmou isso.