Ricardo Khouri, presidente da Coapa (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
Ricardo Khouri, presidente da Coapa (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Por Fred Alves (Especial para Cerrado Rural Agronegócios)

O ano de 2018 para a Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa), que completou duas décadas de fundação, foi marcado por bons resultados não só na área econômica, como também nas diversas ações que integraram cooperados, colaboradores e a comunidade. Com uma identidade sólida, a Coapa tem construído, a passos largos, uma história de referência no agronegócio da região Norte do país. Ao avaliar o ano, o presidente, Ricardo Khouri, destaca os avanços da cooperativa pioneira e as perspectivas para o futuro.

Leia entrevista abaixo:

Cerrado Rural Agronegócios (CRA)- Como avalia a atuação da Coapa em 2018?

Ricardo Khouri – Este foi um ano emblemático por termos completado 20 anos de fundação da nossa cooperativa. Em que pese essas duas décadas, o resultado agronômico e econômico da safra de grãos 2017/2018 foi satisfatório e marcou uma tendência que já vem sendo observada há alguns anos: o crescimento no quadro social da Coapa, com  novos cooperados ingressando no time.

CRA – Qual imagem a Coapa criou nessas duas décadas de história?

Ricardo Khouri – Para minha satisfação, dos fundadores e de todos que participam da vida societária da Coapa, criamos a identidade de sermos genuinamente uma cooperativa tocantinense que extrapolou os limites de Pedro Afonso. Hoje trabalhamos com um público externo que atesta que a Coapa é uma empresa que faz negócios limpos, dentro de uma conduta e princípios éticos, primando pela qualidade dos produtos ofertados ao cooperado, pontualidade nos compromissos financeiros e uma eficácia muito grande no processo comercial.

CRA – Como analisa a integração da Coapa com as comunidades das cidades onde atua?

Ricardo Khouri – Esse é um dos princípios cooperativistas. A Coapa valoriza a integração com a comunidade em que está inserida. Isso, algumas pessoas gostem ou não, é uma das nossas marcas e nunca iremos deixar essa característica. Somos e queremos ser uma cooperativa antenada, que vive os problemas das 13 comunidades em que está inserida, seja no aspecto municipal, regional e até estadual.

CRA – De que forma a atuação da Coapa impacta no desenvolvimento econômico dos municípios em que ela está inserida e na produção agrícola do Tocantins?

Ricardo Khouri – A cooperativa é um agente transformador. Ela faz isso de uma maneira muito  eficiente e busca princípios sólidos de conduta, mas também funciona como um balizador de mercado, impondo tetos aos produtos e serviços oferecidos em todo o estado. Isso por estar de olho na eficiência econômica, mas também no atendimento às necessidades do cooperado. É necessário ter um desenvolvimento sustentável.

CRA – Essa atenção também existe em relação as questões ambientais?

Ricardo Khouri – Sim. Procuramos incentivar e propagar, através do nosso departamento técnico, práticas conservacionistas de solo e de água, inclusive fazendo parcerias com entidades públicas e privadas. Nossa preocupação é promover o desenvolvimento econômico sem perder de vista a questão ambiental. Eu asseguro que o desenvolvimento da região está intimamente ligado a performance da Coapa.

CRA – Durante o ano de 2018, a Coapa investiu bastante na troca de experiências com outras cooperativas. Esse intercâmbio teve resultados práticos?

Ricardo Khouri – Temos buscado boas práticas observadas em qualquer lugar do mundo, principalmente nas regiões mais desenvolvidas, que puderam ser transportadas para nossa realidade, principalmente através de uma parceria com o Sescoop/TO (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Tocantins). Visitamos cooperativas brasileiras e também realizamos missões internacionais nos Estados Unidos, Bélgica e Alemanha. Já implantamos técnicas de produção, programa de fidelização e exemplos de boa gestão e governança.

CRA – A Coapa investe bastante em novas tecnologias para levar conhecimento ao homem do campo, como exemplo temos as pesquisas com variedades de soja e milho, além da realização da Jornada Tecnológica. Quais resultados dessas ações?

Ricardo Khouri – Eu vejo a Jornada Tecnológica por duas vertentes. A primeira que fortalece a relação entre a Coapa e os fornecedores. Já a outra característica é o ensaio de cultivares, que possibilita manter ótimos níveis de produtividade ou pelo menos proporcionar ao cooperado, informações confiáveis sobre produtos e variedade de soja e outros grãos.

(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

“Deste modo, as linhas de produção tendem a funcionar de forma mais dinâmica, possibilitando uma maior eficiência no período de recebimento da colheita”

CRA – Quais são as expectativas para a safra 2018/2019?

A gente teve uma instabilidade de chuvas, com baixo nível registrado em dezembro, o que faz com que a gente tenha um ano tenso, com fortes emoções, como é a vida do produtor. Estamos acompanhando o mercado e já temos cerca de 35% a 45% da produção negociada a um preço bom. Agora, precisamos ver os rumos que o governo brasileiro irá tomar. Estamos atentos à tensão diplomática entre os Estado Unidos e a China, que tem um impacto direto na exportação de soja. Será um ano de muito monitoramento e de produção de informação ao nosso cooperado.

CRA – Para o ano de 2019 à cooperativa pretende investir em seu armazém. O que esperar dessas melhorias?

Ricardo Khouri – A gente aguardou o momento mais adequado, e agora estamos investindo R$ 6 milhões na nossa estrutura de armazenagem, um investimento que possibilitará uma melhor prestação de serviços na recepção, secagem e armazenamento da produção beneficiando nosso cooperado. Deste modo, as linhas de produção tendem a funcionar de forma mais dinâmica, possibilitando uma maior eficiência no período de recebimento da colheita. Paralelo a isso, estamos vendo a possibilidade de arrendar um outro armazém para receber grãos de soja e de milho ao mesmo tempo. A Coapa estará preparada para dar suporte a qualquer planejamento do seu cooperado.

CRA – Como o senhor imagina a Coapa nos próximos anos?

Ricardo Khouri – Nós estamos caminhando a passos largos, conquistando uma solidez no mercado tocantinense, mais precisamente na região Norte do país, dominamos a cadeia no setor primário, e conseguimos implementar uma excelência no atendimento ao cooperado. É chegada a hora de termos um plano para a próxima década de transformar a proteína que temos hoje em proteína animal, por meio de uma indústria para aves e suínos.  Nos próximos anos, nos dedicaremos na criação de agroindústrias para beneficiar nossa produção, criando por exemplo, uma indústria para fabricar fécula e farinha de mandioca. É o tipo de iniciativa que beneficia o pequeno, o médio e até o agricultor empresarial. Queremos ser uma cooperativa transformadora.