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Durante as comemorações de seu aniversário, a Coapa manteve suas portas abertas para a comunidade (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
Durante as comemorações de seu aniversário, a Coapa manteve suas portas abertas para a comunidade (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Por Antônio Oliveira

Nestes 20 anos de existência e constante crescimento, a Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa), não só se preocupou com a questão de números, lucros, sua manutenção. Há na instituição um política de valorização e promoção de seus recursos humanos, respeito aos seus cooperados e parceiros e integração com a sociedade, por meio de ações de cidadania.

Aliás, conforme José Salvino de Menezes, uma das maiores expressões do cooperativismo no Brasil, este sistema é um movimento que se fortalece no mundo todo por promover o desenvolvimento econômico sustentável e inclusivo, gerando o bem-estar social dos indivíduos e comunidades onde está presente.

Ainda de acordo com ele, a importância da cooperação vem desde os primórdios da história da humanidade, quando os homens precisavam se unir para enfrentar as adversidades naturais, as condições climáticas e lutar por sua sobrevivência e de suas comunidades. Dessa forma, a cooperação se evidencia como mola propulsora da evolução do mundo e das pessoas – ensina.

E é justamente sob esta ótica que a Coapa, regida nestes quesitos por Maria Silvana Ramos, gerente de Desenvolvimento Humano e Cooperativista, que a Cooperativa é tocada, com apoio de seus diretores e cooperados.

Conforme Maria Silvana, a Cooperativa, que é, hoje, a maior de todo o Norte do Brasil,  a instituição na região de Pedro Afonso que mais desenvolve políticas de promoção humana nesses últimos 20 anos.

No âmbito interno, são capacitações, lazer e entretenimento de seus cooperadores, colaboradores e familiares. Para isto, foram criados os núcleos Jovem e Feminino.

Com estas ações, os colaboradores da empresa cooperativista se engajam ao trabalho, com amor, carinho e dedicação. Talvez isto justifica o fato de Sirlene Bezerra, recepcionista da sede da Coapa, chamar todos os cooperados pelo nome de cada um deles e ter a simpatia de todos.

– Então, na parte de recursos humanos da Coapa, ela é grandiosa e vem só crescendo, tanto que às vezes temos que adiar alguma capacitação, em virtude, por exemplo, de mudanças internas no armazém; plantio e colheita. Aí a gente tem que saber conciliar – diz a profissional.

Ainda quanto a parte social, Maria Silvana diz acreditar que ela é um ponto forte na Coapa.

– Inclusive, a gente até já ganhou o prêmio Cooperativa Cidadã” (concedido pela Organização das Cooperativas do Brasil – OCB), e eu acho que a gente  deveria ganhar todo ano, por que trabalhamos muito forte. A gente trabalha o social com a Apae local, como, por exemplo, ajudando na melhoria de sua estrutura e bem- estar, o pedagógico, ajudando a pagar os funcionários.  A gente trabalha, também, a questão ambiental, doando mudas e sementes, fertilizantes, até ajudando a plantar – explica.

Neste quesito a Coapa colabora muito com uma ONG da cidade, a Associação dos Amigos do Meio Ambiente (Ama), que trabalha na promoção humana, na preservação do meio ambiente e na reciclagem de materiais.

– No bem-estar da sociedade e na questão ambiental, nós empunhamos a bandeira das duas praças ecológicas da cidade junto com a Ama. É a única organização, fora da Prefeitura Municipal, que todo ano ajuda a revitalizar essas duas praças,  plantando e replantando mudas;  leva pessoas para fazer buracos, replantar e a conhecer a Amo. É assim, parceiro do parceiro – informa.

(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Maria Silvana cita ainda, como exemplo de cooperativa cidadã, o Projeto Vida, parceria com a Prefeitura da cidade, por meio da Secretaria de Saúde, que começou neste ano.

– Trata-se de um projeto inicial para os dois próximos anos, podendo ser renovado por dois anos – explica.

Os esportes também são contemplados com esta política social da Coapa, diz a gestora.

– Nós temos a parte esportiva e artes marciais, como Futsal, karatê, Judô. A gente incentiva e ajuda até nos uniformes. Estamos sempre ligados e ajudando.

Em muitas atividades, ainda conforme Maria Silvana, a Coapa não entra só, mas com outras cooperativas da cidade, a exemplo da Cooperativa Educacional e a de Crédito.

– Tudo que a gente faz, é em conjunto. Tanto que o Ricardo (Khouri, presidente da Cooperativa) uma vez falou que Pedro Afonso é a capital do cooperativismo. Isto por que? Porque são três cooperativas (existentes na cidade) que praticam a intercooperação, que fazem ações conjuntas em prol da comunidade – comenta.

Ainda em conjunto com as outras cooperativas, a Coapa ajuda nas campanhas anuais, a exemplo da natalina; Dia das Mães; Outubro Rosa e Novembro Azul, que são voltadas tanto para os seus colaboradores e cooperados, quanto para a  comunidade.

– A gente não faz nada específico para o cooperado, senão os benefícios normais a que eles têm direito. Eu acredito que o Ricardo deve ter lhe falado, mas a gente busca, por exemplo, fazer com que este conjunto social sinta-se bem no seu dia a dia – explica.

Sucessão familiar

A questão da sucessão familiar, assunto complexo e melindroso nas empresas urbanas e rurais, é outra que recebe a atenção da Coapa. Complicado, mas é preciso preparar os filhos dos empreendedores para assumirem seus negócios e, no caso de cooperados, a Cooperativa.

– Temos esse Núcleo Jovem, criado, também com este objetivo: formar o jovem, para dar continuidade aos negócios dos pais. Temos, quase formatado, uma grade modular de capacitação, onde vão entrar contabilidade rural, administração rural, mercado, marketing, para que esses jovens possam dar continuidade não só aos negócios da família, mas  também da administração da Coapa – aponta.

Maria Silvana apregoa que são eles os futuros dirigentes da Cooperativa.

– Já estamos trabalhando nisto há três anos, amadurecendo ainda. Não vou falar pra você que se você pegar hoje dois jovens e coloca-los no Conselho de Administração, que eles vão bombar. Não vão ainda, sabe? Muitos deles já se tornaram cooperados – conclui.

Realização profissional

– Para falar da Coapa e da forma que ela incentiva os trabalhadores, se levaria um bom tempo. Mas, se a gente for resumir, diria que tudo é satisfação em ser um colaborador dela e perceber que a gente faz parte de um organismo vivo, onde nos adaptamos  para poder superar as dificuldades e a Coapa vê isso e percebe essa adaptação e nos beneficia trazendo pra gente novos desafios, novas possibilidades, novas parcerias. Isso é muito importante – a declaração é do colaborador Mauro Carvalho Minuci, gerente da loja de produtos  agroveterinários da Coapa.

(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Minuci começou na instituição há 5 anos na função de vigia dos armazéns graneleiros.

– Então, a gente se sente valorizado e, acima de tudo, a valorização que a Coapa nos dá, nos permite estudar – frisa ele, que é formado em Zootecnia.

O sonho de todo profissional é fazer carreira numa grande empresa, é galgar altos postos, na empresa onde trabalha ou em outras de destaque. Mário Minuci se diz satisfeito onde está, onde também, ainda conforme ele, é possível fazer carreira, se realizar.

– A Coapa nos dá muita oportunidade. No meu caso, por exemplo, quando eu entrei na Cooperativa, foi como vigia e hoje eu estou como gerente de unidade. Então, a Coapa investiu em mim, ela viu que se fizer todo esse trabalho de reciclagem, aprimoramento de melhoria da mão de obra, ela consegue fazer com que os de dentro de casa se tornem líderes, gerentes, ao invés de buscar valores humanos fora de seus quadros – comenta.

Mas há os que fizeram da Coapa escola e partiram para prestar seus serviços em outras grandes empresas.

– Nós temos, hoje, ex-companheiros nossos de trabalho aqui de dentro da Coapa, que estão em multinacionais ou outras grandes empresas. Então, a Coapa tem essa capacidade de transformar seus recursos humanos em grandes líderes.

De valores humanos a números

Cerrado Rural Agronegócios conversou também com o Dr. João Lopes, assessor Jurídico e Contábil da Coapa, um dos colaboradores mais antigos na instituição e que zela para que haja o perfeito equilíbrio entre produção, comercialização, recursos humanos e as legislações tributárias e trabalhistas do País.  Aqui ele fala do diferencial entre a contabilidade de uma empresa convencional e a de uma cooperativa.

– A grande diferença, é que na Cooperativa o associado é, ao mesmo tempo, o cliente e também o fornecedor – diz.

(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios
(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios

Ainda de acordo com João Lopes, é preciso que tudo esteja em perfeito equilíbrio para que o cooperativismo atinja seus objetivos.

– Necessário, para que o associado seja correspondido em suas expectativas, que a Cooperativa atue bem, porteira para fora, na venda dos produtos dos associados, na aquisição de insumos e fornecimento à elas. Ou seja, agregado valor de todas as formas. Então, a cooperativa faz essa junção de força dos associados.

O Assessor diz ainda como é ser contador de uma instituição do porte da Coapa.

– O primordial é a transparência, porque todos os atos da Cooperativa, sejam eles na área de aquisição de produtos para fornecer aos associados, quer seja na venda da produção do associado. Deve ser uma contabilidade de forma transparente e individualizada. Ou seja, aqui a gente tem todas as operações por associados, mesmo porque numa situação de que for distribuir sobras, a gente precisa misturar produtividade desses associados em relação à Cooperativa nos negócios que ele realizou tanto como fornecendo produto, como adquirindo produto – explica.

Ainda conforme ele, esta prática é muito diferente das empresas convencionais. Nas empresas convencionais – diz – “o cliente é um número isolado, objeto de lucro”.

– Aqui, a gente ver o cliente como um associado que tem o mesmo papel de cliente nas empresas, mas com aspecto econômico e de agregação de valor pra ele, o que a cooperativa fez de melhor para seu cooperado. Por isso que a gente precisa ter esse detalhe de aprimoramento na contabilidade nesse sentido – conclui.

 

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