Na região central do estado, o trecho da rodovia TO-050, entre Porto Nacional e Silvanópolis é cada vez mais precário (foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronocios)
Na região central do estado, o trecho da rodovia TO-050, entre Porto Nacional e Silvanópolis é cada vez mais precário (foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Por Antônio Oliveira

Estradas ruins, cheias de buracos e sem sinalização representam risco de morte não só para o cidadão que coloca sua família no automóvel e cruza as estradas mundo a fora – ou Brasil afora. Elas, além de expor a vida de motoristas que fazem o transporte da produção agrícola até aos armazens, terminais rodoferrovíarios ou portos, encarecem o custo da produção devido ao frete cobrado de acordo com as condições de estradas da região produtora onde se atuará, reduzindo lucros, perdendo competividade. Além de afungentar novos investidores.

Maurício Buffont: "Dificil é encontrar rodovias estaduais e estradas vicinais que não estejam em condições precárias" (Foto: Divulgação)
Maurício Buffont: “Dificil é encontrar rodovias estaduais e estradas vicinais que não estejam em condições precárias” (Foto: Divulgação)

– Tocantins e um estado que precisa de novos empreendedores na agricultura e na agroindústria. A Aprosoja-TO tem uma agenda com alguns investidores para trazer ao Estado. Mas, com essas condições, dificilmente conseguimos atrair esse pessoal. Estradas ruins aumentam custo de qualquer setor, o recuo (desses investidores) é certo. Precisamos que o governo estadual recupere a estradas com urgência, só assim conseguimos avançar no desenvolvimento do estado – desabafa o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Tocantins (Aprosoja-TO), Maurício Buffon, que cultiva grãos na região central, e que tem colegas associados em todo o Tocantins.

Na região centro-norte do Tocantins, Cerrado Rural Agronegócios, conversou com o presidente da Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa), a maior da regiao norte e à qual estão ligados mais de 200 produtores (incluindo alguns produtores fora da região) e a produção estimada, na atual safra, 148 mil toneladas, de uma área de quase 50 mil hectares. Ricardo Khouri faz dura crítica ao governo do Estado.

– A gente conversa sistematicamente com o governo do Estado e o retorno que ele dá, não sei se é em função de início da gestão, mas é uma resposta muito inoperante. Ou seja, não se faz compromisso sério com relação a isto (estradas) – reclamou.

Da mesma forma, Maurício Buffon reclama da atenção que a atual gestão está dando aos produtores rurais.

– Temos pedido para Ageto (agência de obras públicas do tocantins) e pouco se avançou em resultado. Algumas operações tapa-buracos se iniciaram, mas muito tímidas. A safra não espera.  Temos que colher e transportar. Safra que traz recursos para o estado, é dinheiro circulando no comércio e impostos sendo gerados – desabafou..

Voltando a Ricardo Khouri, este elencou os pontos mais críticos naquela região.

Ricardo Khouri: "O governo do estado não pode dizer que não foi avisado, este problema é antigo" (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
Ricardo Khouri: “O governo do estado não pode dizer que não foi avisado, este problema é antigo” (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

– Na região de Pedro Afonso, onde nós atuamos, temos problemas pontuais sim, como uma ponte que atende entre dois a três cooperados, porém  com áreas significativas, na região próxima a Goiatins e Itaperatins, e alguns pontos bem críticos da regiões de Anajanópolis e Porto Real – apontou.

Ainda conforme o presidente, que também é produtor pioneiro na região, alguns cooperados que usam o entroncamento da rodovia CBPO até a Agrovila, relatam alguns pontos que precisam ser recuperados.

– Da mesma forma,  os  cooperados que atuam na região do Prodecer enfrentam dificuldades devido ao trânsito muito pesado de caminhões canavieiros – explica.

Khouri disse que quando fala em problemas pontuais, não significa que a situação é, de uma forma geral, boa e que todos os cooperados estão enfrentando situações ruins.

– Porém, esses pontos críticos têm uma abrangência muito grande e encarece o frete. E é bom acrescentar que a ponte sobre o Rio Lajeado, próximo ao lote 17 (no Prodecer), não passa mais caminhões carregados, nem veículos de grande porte – relatou.

Em seguida, chamou a atenção do governo do estado mais uma vez.

– Esta ponte sim, é uma tragédia anunciada, porque está interditada, não passa caminhão, mas uma vez ou outra, passa até transporte escolar sobre ela. O governo do estado não pode dizer que não foi avisado, este problema é antigo – frisou.

Rodovia TO-070, trecho Porto Nacional a Brejinho de Nazaré: uma colcha de retalhos de tantos remendos. Mas o solo não os aceita mais (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
Rodovia TO-070, trecho Porto Nacional a Brejinho de Nazaré: uma colcha de retalhos de tantos remendos. Mas o solo não os aceita mais (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Ja no conhecimento do presidente da Aprosoja-TO, Maurício Buffon, dificil é encontrar rodovias estaduas e estradas vicinais que não estejam em condições precárias.

Ele relaciona algumas regiões onde as condições estão mais precárias.

– Porto Nacional a Silvanópolis; o acesso ao terminal de Palmerante. E temos muitos buracos na maioria das estradas estaduais.

Ainda conforme o produtor rural e líder dos produtores de soja e milho no Tocantins, esta situação desmotivam os agricultores, pois gera prejuizos.

– Como estamos começando a colher e o tráfego de caminhões está se intensificando, vamos ter muitos atoleiros. Prejuízos na certa, custo de frete altíssimo – disse.

Questionado como fica, diante desta situação, a competividade da produção agrícola tocantinense, Buffon, ressaltou que, obviamente, muito aquém de regiões com condições melhores que as do Tocantins.

Para que o produtor não veja seus lucros sendo consumidos com frete caríssimo; frota própria quebrando nas estradas; pneus danificados e sem recuperação, Buffon volta suas reclamações para o governo do Tocantins.

– Que providências sejam tomadas sem demora.

Possibilidade das PPPs

Maurício Buffon e Ricardo Khouri foram questionados por nós sóbre a possibilidade das parcerias público privados (PPPs) para a recuperação e manutenção de estradas tocantinenses que servem regiões agrícolas, conforme ocorrem em outros estados, a exemplo da Bahia, onde duas associações representantivas de produtores rurais desenvolvem exemplar parcerias entre governos estadual e municipais na conservação de estradas e até mesmo construção. Uma delas tem até maquinário pesado próprio para a engenharia de estradas.

Diante de tantos buracos, as carretas dividem a pista com o acostamento - quando tem acostamento (Foto: antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
Diante de tantos buracos, as carretas dividem a pista com o acostamento – quando tem acostamento (Foto: antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

– Tudo isso é possível, precisamos sentar à mesa e traçar objetivos e metas. Mas vejo isso com bons olhos.  Obras administradas pela iniciativa privada o  custo é menor e os trabalhos eficientes. É isso o que o Brasil o Tocantins precisa – enfatizou.

Ricardo Khouri também se manifestou simpático a essa iniciativa, desde que observados alguns detalhes.

– Para que os produtores assumam custos de manutenção, talvez até de execução de estradas, ou  do que quer que seja, eu tenho uma posição muito particular:  que nós, primeiro, precisamos criar um modelo. Depois deste modelo criado, é possível, até visitando, in loco, exemplos e lugares onde se implantou esta concepção de parceria. A gente pode iniciar, sim, alguma coisa neste sentido no Tocantins. Mas isto tem que ficar muito fundamentado, tem que ter um marco que configure isto muito bem – observou.

Ainda conforme ele, a princípio a ideia lhe agrada particularmente.

– Mas eu gostaria de ter um melhor conhecimento de causa sobre o tema e a Coapa, como empresa ligada ao agronegócio, maior cooperativa do estado está inteiramente disposta para  uma conversa neste sentindo – concluiu.

São buracos de todos os tamanhos, infernizando a vida dos motoristas e de seus patrões ou clientes. Há buracos  com até 30 cm de profundidade (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
São buracos de todos os tamanhos, infernizando a vida dos motoristas e de seus patrões ou clientes. Há buracos com até 30 cm de profundidade (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

O OUTRO LADO

Governo afirma que obras estão em andamento

Consultado sobre estes problemas, o governo do estado do Tocantins, por meio da Agência Tocantinense de Transportes e Obras (Ageto), informou que quando o governador Mauro Carlesse assumiu a gestão, no primeiro semestre de 2018, determinou a revitalização da malha viária do estado. Esta ação beneficiou 2.106,56 quilômetros de rodovias com serviços de conservação e manutenção.

O órgão argumentou ainda que “os serviços de manutenção das vias estão sendo desenvolvidos em todas as regiões do Tocantins priorizando os pontos críticos e as condições climáticas”.

A Ageto argumentou ainda que Já está prevista, para iniciar este ano, “a realização de obras de reabilitação e manutenção (reconstrução) de 1.382,86 quilômetros de rodovias por meio da segunda Etapa do Contrato de Restauração e Manutenção de Rodovias (Crema) do Programa de Desenvolvimento Regional Integrado e Sustentável (PDRIS). O trecho da TO-335 que dá acesso ao Terminal de Palmeirante foi contemplado com o programa e deve ser reconstruído”.

Seguiu afirmando que já está prevista, para iniciar este ano, a realização de obras de reabilitação e manutenção (reconstrução) de 1.382,86 quilômetros de rodovias por meio da segunda Etapa do Contrato de Restauração e Manutenção de Rodovias (Crema) do Programa de Desenvolvimento Regional Integrado e Sustentável (PDRIS).

– O Governo também pretende entregar obras de pavimentação como é o caso da rodovia TO-126, trecho que liga o município de Tocantinópolis ao povoado Ribeirão Grande. O investimento contratual foi de R$ 6.731.631,47. O trecho tem a extensão de 7,8 km – acrescentou.

Quanto ao trecho da rodovia CBPO até a Agrovila, citado pelo presidente da Coapa, Ricardo Khouri, a Ageto afirmou que ele engloba duas rodovias federais e não são de responsabilidade do Governo do Estado.

A Agência falou também sobre as obras da nova ponte sobre o Rio Tocantins, em Porto Nacional, que substituirá a antiga, com estrutura comprometida e tráfego restrito a veículos leves.

“Quanto a proposta de uma PPP governo do estado e produtores rurais, a Ageto disse que a atual gestão pode estudar esta possibilidade”

– O Governo pleiteia financiamento com a Caixa Econômica e está tomando as providências para o enquadramento do Estado na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) o que possibilitará captar os recursos e realizar a obra – frisou.

Já com relação a região de Porto Nacional, reclamada pelo presidente da Aprosoja-TO. Maurício Buffon, a Ageto informou que uma equibe de sua Residência naquela cidade está no trecho da TO-050, entre Porto e Silvanópolis desde o dia 8 de janeiro, realizando os serviços de tapa-buracos na via.

– Os trabalhos priorizam pontos críticos e dependem de condições climáticas favoráveis para serem realizados. O processo necessita de um tempo maior de estiagem para que o material agregue ao solo. Especificamente nesta terça-feira, 29, os serviços foram suspensos para realização da manutenção da usina de asfalto, mas a previsão é de que o processo seja retomado assim que os técnicos concluírem os reparos no equipamento – explicou.

Quanto a proposta de uma PPP governo do estado e produtores rurais, a Ageto disse que a atual gestão pode estudar esta possibilidade.

Ponte entre os campos de produção e os portos de exportação está interditada para os graneleiros (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
Ponte entre os campos de produção e os portos de exportação está interditada para os graneleiros (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

MAIS PROBLEMAS

A ponte que balança mais não cai

Com o susto que todo o Brasil tomou com a tragédia de Brumadinho, a sociedade brasileira ficou alerta em relação aos riscos com as diversas barragens dispesas por todo o país. No Tocantins, esta preocupação se extendeu a ponte sobre o Rio Tocantins, em Porto Nacional, antiga ligação da região sudeste do Estado com a margem esquerda deste Rio e com a BR-253.

Há anos, a ponte está limitada apenas para veículos automotores de leve e médio. Ou seja, restrigindo o tráfego de caminhões, carretas e “treminhões” (carretas com mais de 3 engates).

Nos últimos dias, viralizou nas redes sociais a informação que a ponte estava ainda mais perigosa, na eminência de cair.

Em nota, nesta sexta-feira, 1, o governo do estado reagiu.

Abaixo a íntegra da nota:

O Governo do Estado, por meio da Agência Tocantinense de Transportes e Obras (Ageto), está fazendo uma nova inspeção visual da superestrutura, próximo ao P1 e P4, na Ponte de Porto Nacional nesta sexta-feira, 1° de fevereiro, para esclarecer a população em geral sobre as reais condições de segurança da obra.

Em parceria com policiais militares do Batalhão

Tráfego liberado apenas para os pequenos e médios (Foto: antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
Tráfego liberado apenas para os pequenos e médios (Foto: antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

de Polícia Militar Rodoviário e Divisas (BPMRED) e do Corpo de Bombeiros, a inspeção está ocorrendo nos principais pontos, os quais a população tem divulgado nas redes sociais por meio de fotos e filmagens.

Na ação, os bombeiros descem por rapel até os pontos em questão, tiram fotos e medem com trenas os pontos específicos. Os engenheiros, por sua vez, também adentram nos bolsões da estrutura da ponte fazendo o levantamento da segurança da mesma. Policiais rodoviários controlam o trânsito para a travessia na ponte em apenas uma das faixas, visto que a outra está ocupada com equipamentos dos serviços da equipe de inspeção.

Portanto, NÃO há interdição da ponte, mas um trânsito controlado, em apenas uma faixa para carros e caminhões com carga de até 30 toneladas.

O relatório sobre a inspeção passará por uma análise e, em seguida, será divulgado”.

Nesta manhã de sábado, 2, este repórter esteve sob e sobre a ponte. Ela já estava liberada novamente para o trânsito, com exceção dos “pesados”.

GALERIA DE FOTOS

(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)