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Segundo a FAO, 25% das perdas acontece na fase de produção, outros 25% na logística e armazenagem,5% no processamento e 10% na distribuição (Fotos: Divulgação)
Segundo a FAO, 25% das perdas acontece na fase de produção, outros 25% na logística e armazenagem,5% no processamento e 10% na distribuição (Fotos: Divulgação)

*Da SNA/SP

No ano de 2016 o setor de alimentos perdeu cerca de R$ 7 bilhões, por danos, logística, aparência ou validade, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Os destaques do período foram as frutas, os legumes e as verduras (FLV).

De acordo com o vice-presidente de Comunicação do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Coriolano Xavier, esse valor é relacionado apenas às perdas de alimentos (in natura ou processados) nos supermercados. São alimentos descartados devido à aparência, danos ou validade, a maior parte entre frutas, legumes e verduras, mas também itens de padaria, confeitaria, comida pronta, carnes e peixes.

– Juntos, esses alimentos representaram cerca de 20% das chamadas “perdas operacionais” dos supermercados, naquele ano – informa.

O Executivo acrescentou que os índices de perdas estiveram bem próximos em 2016 e 2015, não havendo ainda consolidação de dados sobre 2017.

– Mas a tendência é uma redução desse tipo de desperdício nos supermercados. Um sinal disso é o fato de que 60% do setor estão de alguma forma profissionalizando a gestão da prevenção de perdas, segundo estudos da Abras – frisa.

Xavier, que também é professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirma que na cadeia produtiva de alimentos tudo o que se perde ao longo de suas fases tem um custo. E tudo o que se perde depois que chegou à mão do consumidor também custa.

– Ou seja, há custo para se produzir, transportar, armazenar, conservar e distribuir. Um custo em dinheiro, em recursos naturais em energia humana e social – explica.

Logística

O vice-presidente do CCAS credita boa parte do alto nível de desperdício aos gargalos relacionados à logística para transporte dos alimentos.

Para o vice-presidente do CCAS, Coriolano Xavier, boa parte do alto nível de desperdício aos gargalos relacionados à logística para transporte dos alimentos
Para o vice-presidente do CCAS, Coriolano Xavier, boa parte do alto nível de desperdício aos gargalos relacionados à logística para transporte dos alimentos

– Basta observar a situação dramática de estradas e portos que se repete a cada safra, e mesmo depois dos picos de colheita, ao longo de todo o ano, devido às condições precárias de sistema de transporte nos modais rodoviário, ferroviário e fluvial – comenta.

– É preciso ter a consciência de que, na maioria das vezes, o desperdício está associado a algum grau de ineficiência, seja na condução e gestão dos processos, seja na criação e manutenção de estruturas produtivas.

Perdas

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 25% das perdas acontece na fase de produção, outros 25% na logística e armazenagem,5% no processamento e 10% na distribuição. O que a experiência mostra, quando se olha da fazenda até a mesa do consumidor, é que o desperdício é maior em segmentos nos quais há um menor rigor quanto à gestão dos processos.

– Os segmentos de menor índice são aqueles em que há uma normatização e controle de processos maior (processamento e distribuição dos alimentos), possivelmente refletindo grau de tecnologia, equipamentos, automatização e automação, gestão, capacitação de mão de obra e outros fatores – pondera.

Ele destaca ainda outra preocupação na pauta constante nas discussões do CCAS, que é o desperdício de alimentos ao nível do consumidor, que no Brasil e no exterior (principalmente nos países desenvolvidos e nas economias emergentes) está na casa de 35%. Levantamento feito pela FAO estima que 30% de todos os alimentos produzidos perdem-se ao longo da cadeia. Essa quantidade perdida ocorre depois que o consumidor adquire o seu alimento, seja por sobras, por consumo mal planejado, problema de conservação, deterioração e prazo de validade.

Soluções

Um ponto importante observado por Xavier é que, na complexa cadeia produtiva de alimentos, em geral as soluções são múltiplas.

– Dificilmente uma só coisa resolve os grandes problemas, e com o desperdício ocorre a mesma coisa.

Para ele, no varejo, o recuo do desperdício está ligado a aspectos de estrutura, como conservação e refrigeração, também a melhorias na gestão de processos, como manuseio dos produtos, inventário, giro e até segurança preventiva em relação a furtos.

– O marketing também pode ser um aliado importante para mudar a percepção das pessoas em relação aos chamados ´produtos feios`, ou aproveitá-los em soluções de maior conveniência como sopas, sucos, saladas e outras – destaca o executivo.

De acordo com Xavier, dados de pesquisa recente mostraram que mais de 40% das pessoas ainda associam produto feio a impróprio para consumo.

– Existe aí um espaço importante para a educação do consumidor, com transparência e dentro de princípios éticos, contribuindo assim para diminuir o refugo de alimentos – argumenta.

– O olho maior que a barriga – costumava dizer minha avó.

E os remédios são parecidos com aqueles que comentamos para as perdas de varejo, educação do consumidor, via campanhas na imprensa, e também ações de marketing educativo por parte das próprias marcas e organizações do agronegócio, já que no momento é difícil contar com apoios governamentais em estratégias dessa natureza –  arremata.

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*Com edição de Cerrado Rural Agronegócios

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