"Coapa de portas abertas", uma das atividades comemorativas dos 20 anos da Coapa (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
“Coapa de portas abertas”, uma das atividades comemorativas dos 20 anos da Coapa (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Por Antônio Oliveira*

Com vasta programação, que ocorre desde a semana passada, a Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa), está completando seus 20 anos de existência no cooperativismo agroindustrial do Tocantins. Fruto de muito trabalho de seus diretores, colaboradores e associados, a instituição tornou-se a maior de seu segmento no Estado e tem como meta ser a maior de toda a região do MATOPIBA.

Para o produtor rural, José Edgard Castro Andrade, um de seus mais antigos cooperados, a Coapa é o resultado da luta de um grupo de empreendedores rurais, na época chamados de colonos, que, às voltas com a falta de apoio nos primeiros anos do Prodecer III (Programa Nipo-brasileiro de Desenvolvimento dos Cerrados Brasileiros), se reuniram e criaram a Associação dos Produtores Rurais de Pedro Afonso, mais tarde se transformando em Cooperativa.

– Creio que a Coapa é uma cooperativa modelo no estado do Tocantins e de suma importância para nós, produtores, por atender as nossas necessidades e que tem tudo para crescer, tornando-se, realmente, uma cooperativa regional – disse ele, em entrevista a Cerrado Rural Agronegócios.

“Zedigar”, como é chamado, carinhosamente entre seus colegas de luta rural e política – na época que tinha militância política, sendo inclusive prefeito de Pedro Afonso – disse ser inimaginável o setor produtivo de grãos na região sem uma cooperativa do porte da Coapa.

-Ela só cresceu porque teve o apoio e a união de todos. Como diz velho ditado “a desgraça une os desgraçados”. Quando a Copersan (Cooperativa Agropecuária Mista de São João, que antecedeu a Coapa na cooperação dos colonos do Prodecer III), quebrou, deixando todos os seus cooperados no abandono, foi a união de todos que deu condições para que eles ficassem no Prodecer – comentou.

“Zedigar” lembrou um, entre muitos momentos difíceis, pitorescos, contudo de aprendizado durante esses 20 anos da Coapa.

– Eu poderia dizer que foi a luta para a abertura do Prodecer (plantio da primeira safra). No dia 26 de  Junho de 1996, veio a autorização do Banco (Banco do Brasil) para a assinatura dos contratos. Foi uma loucura. Todo mundo recebeu dois tratores, outros implementos e dinheiro para começar a trabalhar, mas tinha que começar o plantio em novembro. Então, foi uma loucura esta corrida contra o tempo, porque a janela foi muito pequena para desmatar, enleirar, catar raízes, gradiar, calcariar em plantar. E o pessoal conseguiu isto. Foi muito bonita a luta – recordou.

(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

José Edgard Castro Andrade, concorda conosco que a Coopa tem que se expandir ainda mais e diversificar com diferentes tipos de cultura, inclusive proteína animal.

– Ela tem que crescer mais. O nosso sonho é o limite, o céu é o limite, temos que sonhar grande. A Cooperativa vai crescer. Ela tem que criar transbordos em outras regiões, como Santa Maria; como próximo a Guaraí, que tem novas áreas de cultivo de grãos. Ela tem que lutar pela BR-235, que vai colocar (no setor produtivo, mais de 150 mil hectares de áreas produtivas na região de Santa Maria, Recursolândia, Centenário, Lizarda e Rio Sono. São áreas que vão produzir grãos, a partir da construção desta estrada – comentou.

Sobre a possibilidade da Coapa entrar nos setores de proteína animal, “Zedigard”, defende que isto aconteça e explicou que os produtores de grãos da região, principalmente os vinculados a Cooperativa, enfrentaram um problema passageiro, que foi a chegada da Usina de Álcool de Açúcar da Bunge na região, travando, de certo modo, o avanço da Coapa e de seus cooperados. A indústria, conforme ele, tirou 35 mil hectares do setor de grão na região, as melhores terras para a produção de cana.

– E como ela é uma atividade de indústria, ela não é democrática como a cultura de grãos, onde todo mundo ganha. Ganha o açougueiro, ganha o borracheiro, ganha a mulher de programa. Todo mundo tem participação na distribuição da riqueza da agricultura de grãos, o que não ocorre com a agroindústria da cana-de-açúcar na região, onde os dividendos vão para o exterior. Eles empregam apenas a não de obra local, o resto vem tudo de fora – lamentou.

Ainda conforme o produtor rural, é preciso que a Coapa e seus cooperados, melhorem a suas  performances, sua eficiência produtiva, para que possam entrar num processo de integração.

–  Como ocorreu no Sul do país, principalmente no Paraná, na produção de aves, na produção de suínos, na produção de peixes – atividade que é muito fácil para nós. O Estado tem condições climáticas para tudo isto. Agora nós temos que ter condições de trabalhar. Ainda não temos, ainda, para isto – concluiu.

A Cooperativa

A Coapa foi fundada em 27 de junho de 1998, com foco no Prodecer, mas logo tornando-se a cooperativa de todos os produtores da região de Pedro Afonso, “pois desde o início de sua história pautou-se sempre pela seriedade na condução dos seus trabalhos” diz ela.

Sua criação se deu, conforme lembrou o produtor José Edgard, porque, infelizmente, durante a implantação do Projeto, essa cooperativa passou por sérias dificuldades financeiras até entrar em fase de liquidação, deixando os produtores e as instituições envolvidas em sérias dificuldades.

A Coapa lembra que por meio de ação da Campo foi conseguido apoio técnico e financeiro da Jica – Agência de Cooperação Internacional do Japão, que viabilizou a contratação da empresa ARA & Consultores Associados para executar a estruturação organizacional da Coapa, trabalho que teve início no ano de 2000.

O Governo do Estado do Tocantins, sensibilizado com a situação, por meio de um decreto declarou a estrutura de armazenagem existente em Pedro Afonso e que atendia os produtores de grãos como sendo de utilidade pública, para fins de desapropriação. Depois de emitido o Termo de Posse, em abril de 2000, a Coapa passou a administrar e operacionalizar a estrutura.

Ao longo de quase 20 anos, a Coapa desempenha um papel importantíssimo não apenas na região de Pedro Afonso, mas também no Tocantins. Tem inúmeros parceiros devido a respeitabilidade e credibilidade conquistadas ao longo deste período. Representa cada vez mais a voz dos produtores, contribuindo de forma decisiva para a consolidação da agropecuária tocantinense.

A cooperativa busca a sustentabilidade, fomentando a pesquisa, fornecendo insumos e serviços técnicos de alta qualidade, prestando serviços na área de armazenamento de grãos, provendo a região com assessoramento e assistência técnica, sempre primando pela ética e pelos valores cooperativistas.

A Coapa, conforme ela se auto define, é sinônimo de vanguarda e competência em termos de cooperativismo, servindo como referência tanto para as famílias que integram seu quadro social quanto para os produtores que chegam todos os dias e de todos os recantos do país, com objetivos de se fixarem nesta região e, com seu trabalho, contribuírem também para o desenvolvimento do agronegócio regional.

Atualmente a Coapa atende cooperados produtores de soja e da agricultura familiar, agrupados ou não em associações na região de Pedro Afonso, estendendo sua área de atuação para Bom Jesus do Tocantins, Tupirama, Rio Sono, Guaraí, Fortaleza do Tabocão, Miracema, Santa Maria, Tocantínia, Itacajá, Itupiratins, Goiatins, Recursolândia e Centenário.

Unidade de produtos agroveterinários da Coapa (Foto:: Antônio Oliveira)
Unidade de produtos agroveterinários da Coapa (Foto:: Antônio Oliveira)

Em 2010 inaugurou sua Unidade Agroveterinária para atender a demanda de seus cooperados, oferecendo produtos necessários à viabilização dos projetos de PRONAF, FNO, entre outros, e prestando assistência técnica especializada (veterinário, zootecnista, engenheiro agrônomo e técnicos agrícolas).

A Coapa mantém parcerias com a Campo (promoção de negócios na atividade Integração Lavoura-Pecuária), com a Embrapa (Projeto Reniva e PIF – Produção Integrada de Frutas) e parcerias estratégicas em áreas de interesse de seus cooperados, com o Ruraltins, Adapec, inPEV, Seagro, OCB/SESCOOP, Sebrae, Sindicato Rural de Pedro Afonso e Região, outros órgãos estaduais, municipais e federais, além de empresas do ramo de commodities e agrobusiness.

A cooperativa também incentiva a sucessão e a participação dos jovens e mulheres em suas atividades. Nesse sentido, foram criados o Núcleo Jovem Cooperativo do e o Núcleo Feminino.

Conta atualmente com 250 cooperados – com meta de chegar a 300 até o ano de 2020 -,   e 51 colaboradores.

*Com informações da Ascom/Coapa