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ESPECIAL – Mel, um bom negócio para pequenos e grandes produtores

Wandro Gomes Cruz, ensina todo o processo de manejo da meliponicultura (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Da Redação*

Responsável pela polinização das plantas, garantindo produtividade e qualidade de frutas, verduras, grãos entre outros vegetais, as abelhas cada vez mais estão se constituindo em ótimo negócio, tanto para o pequeno, quanto para o grande apicultor que têm imenso mercado nacional e internacional

Dados, ainda de 2017, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços apontam números expressivos para a atividade: de janeiro a setembro deste ano, foram exportadas quase 21 mil toneladas de mel: um faturamento de 93,4 milhões de dólares.

Na região do MATOPIBA, o Piauí aparece como um dos maiores produtores e exportadores de mel do Brasil.

Processo de povoamento de nova colmeia (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

O Tocantins, não quer ficar para atrás neste setor de produção de alimentos e se movimenta para capacitar produtores e fomentar a cadeia produtiva. Na semana passada, a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Aquicultura do estado promoveu um seminário em Araguaína, no norte do estado. Nesta quarta-feira, 28, foi a vez de Palmas ter um dia de campo sobre a cultura, mais precisamente sobre meliponicultura. Programação integrante do Agosto Verde, da Secretaria do Desenvolvimento Rural de Palmas. O “Dia Técnico sobre Agroecologia”, aconteceu na manhã desta quarta-feira, 28, na Escola de Tempo Integral Professor Fidêncio Bogo, na zona rural de Palmas, e dele participaram  produtores, acadêmicos de Ciências Agrárias do Centro Universitário Católica do Tocantins e  Instituto Federal do Tocantins (IFTO), técnicos do Ruraltins e representantes do Centro Universitário Luterano de Palmas (Ceulp/Ulbra) e até crianças da primeira fase estudantil, que para lá foram conhecer a horta da escola, que também depende das abelhas.

Uma aula ao ar livre

As abelhas sem ferrão, ao contrário das outras com ferrão, não deposita o mel em colmeia, mas sim em pequenos potes que elas constroem com a própria cera. Isto facilita a extração do produto, que é feito com uma seringa (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

O técnico em agropecuária do Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins (Ruraltins), Wandro Gomes Cruz, ele mesmo um criador, apresentou todas as peculiaridades para a criação das abelhas sem ferrão, com orientação sobre a estrutura da caixa que abriga as abelhas; cuidados com os alimentos que elas consomem (flores); meios para combater as principais ameaças, a exemplo da lagartixa, mosca e cupim; e os desafios que os produtores enfrentarão.

– A meliponicultura já era praticada pelos povos nativos da América Latina, em especial no Brasil e México. É uma atividade extremamente prazerosa com diversas vantagens em relação a apicultura: as abelhas sem ferrão não são tão nocivas quanto ao manuseio, exigem menor esforço físico para o produtor, o mel chega a ser cinco vezes mais lucrativo que os das abelhas com ferrão – disse ele.

Ainda conforme ele, outra peculiaridade que facilita o manejo é o fato de que as rainhas não voam para outros locais, portanto a migração dos enxames não será uma preocupação.

– Elas podem até ser criadas em casa e dispensam o alto investimento com material técnico como macacão, fumegador, centrífuga, dentre outros – complementa.

As abelhas sem ferrão podem ser criadas até em casa, inclusive de forma decorativa, como este apiário (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

As espécies mais cultivadas no Tocantins são a tiúba, uruçu amarela, uruçu preta, jataí, tubi manso e tubi bravo. Essas abelhas armazenam o alimento em potes de cerume, ao contrário das com ferrão que se organizada em colmeias.
O sucesso da criação está ligada a disponibilidade de água, proteção e alimentação dos enxames, capacitação do meliponicultor, dedicação, cultivo próxiomo fruteiras e plantas como o pequi, fava de bolota, resedá, funcho, urucum, flamboyant de jardim, ora pro nobis, pitanga. Essas abelhas, ainda conforme Cruz,  precisam de sombreamento adequado.

Ameaças

O técnico ensinou ainda uma simples técnica para evitar o ataque de lagartas e formigas. Com uso de um tronco, de preferência de eucalipto tratado, que também contribui para afugentar cupins, a armadilha é montada com uma lata de leite ninho ou similar, fixada no topo da estaca, de modo que a abertura da lata fique de ponta a cabeça.

“É possível produzir em pequenos espaços e esse mel possui uma alto valor agregado. São insetos fáceis de manusear” – (Gabriel Rios Vogado)

– Nisso, quando o invasor tentar atacar a caixa de abelha, ele não conseguirá subir, pois esbarrará na estrutura interna da lata e não conseguirá seguir seu caminho – ensina o técnico.

Outras ameaças contra a meliponicultura são a proliferação de mel falsificado, a derrubada de árvores, a própria falta de enxames, a disseminação de informações erradas sobre a atividade de meliponicultura, além da introdução de plantas exóticas no habitat das abelhas, a exemplo do neen  indiano, que pode levar a morte desses insetos.

Durante a parte prática, os participantes aprenderam como multiplicar os enxames pelo método tradicional que permite o controle de forídeos (pequenas moscas), mesmo no período chuvoso, a utilização de crias maduras que melhoram o sequenciamento das abelhas e por fim, evita a desorganização nos primeiros dias de vida do enxame.

Laudiceia Thomaz Pereira Noranha, 55 anos, moradora do Assentamento Família Feliz, zona rural de Porto Nacional, se mostrou bem interessada pela meliponicultura.

– Na minha chácara tenho uma horta e comercializo hortaliças e verduras. A facilidade no trato das abelhas sem ferrão é o que mais me agradou. Vou estudar mais sobre o assunto e buscar uma nova fonte de renda por meio da meliponicultura – esclarece.

Não é a primeira vez que o universitário Gabriel Rios Vogado, 19 anos, ouve falar sobre a meliponicultura, mas agora teve a oportunidade de ver na prática como é o tratamento dado a esse tipo de abelha.

– É possível produzir em pequenos espaços e esse mel possui uma alto valor agregado. São insetos fáceis de manusear – exalta.

*Com informações e textos de Fernanda Mendonça da Secom/Palmas.