*Por Antônio Oliveira 

Juan Lebron e Alexandre Bizinoto falam aos jornalistas (Foto: Altair Albuquerque/Texto)
Juan Lebron e Alexandre Bizinoto falam aos jornalistas (Foto: Altair Albuquerque/Texto)

Quando os primeiros exemplares de gado zebuíno (bos índico), desembarcaram no Brasil, a partir de 1813, ninguém imaginava o que o desenvolvimento desta raça representaria não só para a economia, mas também para a evolução dos estudos e das pesquisas no país. Aliás, estudos e pesquisas que melhoraram a raça (o nelore), criaram outras, com base no sangue zebuíno, tornando a República brasileira detentora do melhor rebanho zebuíno do mundo. Melhor até que os da terra-mãe da raça, a Índia. A partir do nelore, principal raça zebuína, a pesquisa brasileira, por meio do cruzamento industrial, criou várias raças que incrementaram a pecuária de cote e de leite no país, entre as quais o nelore mocho, o tabapuã e o indubrasil.

Inimaginável, também, naquela época, o que significaria o zebu para as relações entre o pecuarista e os outros segmentos da sociedade, leigos à atividade pecuária, principalmente às academias, ou seja, a formação do elemento humano para os mercados de trabalho no setor da agropecuária.

Aí, nós entramos também nas questões capital x trabalho; capital x cidadania; capital x tecnologia e capital x conhecimento, relações que se resumem no desprendimento de homens de negócios, líderes que não se preocuparam apenas com o seu enriquecimento por meio do trabalho honrado, mas também com o aperfeiçoamento do meio social onde se inserem. É o que chamamos, no caso em tela, de “o agronegócio em conexão com as cidades”.

Empreender, não é só buscar lucros e cobrar ações dos poderes públicos. É também dar de si à sociedade, ao processo de desenvolvimento econômico. Dois belos exemplos do que estamos tentando expressar aqui: no oeste da Bahia, enquanto na cidade mais antiga e maior, Barreiras, seus políticos e empresários brigavam com o governo do estado para ampliação do aeroporto da cidade; em Luís Eduardo Magalhães, cidade mais nova, construída e desenvolvida pelo agronegócio, empresários se uniram e iniciaram o projeto de um aeroporto que tem hoje – primeira etapa do projeto -, uma pista com as mesmas condições técnicas (exceto instrumentação) da pista do aeroporto da capital, Salvador. Na falta de investimentos do governo do estado nas estradas que cortam as regiões produtoras, produtores rurais e associações que os representam investem pesado na melhoria dessas estradas no chamado PPP (Parceria Público-Privado). Só a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) investiu cerca de R$ 7 milhões na compra de máquinas pesadas para engenharia de estrada e mais R$ 1 milhão/ano na conservação dessas estradas – recursos oriundos de fundos pró-lavoura do algodão, das áreas pública e privada. No campo social, a Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) investe bem em áreas sociais por meio de um fundo criado por ela, com o apoio de produtores rurais e do Banco do Nordeste.

O zebu e a formação profissional

Vista aérea da FAZU, no perímetro urbano de Uberaba. (Foto: Divulgação)
Vista aérea da FAZU, no perímetro urbano de Uberaba. (Foto: Divulgação)

Os criadores de zebu, reunidos na histórica ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebú), entidade com sede em Uberaba e com mais de 70 anos de existência, são desses empreendedores que não só investiram em seus projetos, mas também na sociedade por meio de iniciativas que promovem o conhecimento. Foram inteligentes, pois beneficiaram ao seu próprio segmento no Brasil, com extensão a alguns países vizinhos. O conhecimento na área de ciências agrárias e o melhoramento do rebanho zebuíno no Brasil devem muito a ABCZ.

Em 1973, tendo como objetivo formar mão de obra qualificada para o desenvolvimento das atividades rurais, a ABCZ  criou a Fundação Educacional para o Desenvolvimento das Ciências Agrárias (FUNDAGRI), entidade mantenedora destinada a criar e manter um complexo de faculdades voltadas para a atividade agropecuária na região do Triângulo Mineiro.

O embrião desse conjunto universitário se materializou  em junho de 1975 com o curso de Zootecnia. Catorze anos mais tarde – 1989 –a FUNDAGRI passou a ofertar o curso de Agronomia, com a entidade de educação superior passando a ser denominado de Faculdade de Agronomia e Zootecnia de Uberaba – FAZU.

Foi nesta bem estruturada instituição, localizada na área urbana de Uberaba, mas dentro de áreas verdes e de um campo experimental  muito grandes – 200 hectares -, que os jornalistas do 9º Road Show desembarcaram na manhã do dia 17, após visita feita ao Simpósio Internacional Phibro sobre o novo compêndio da nutrição do gado de corte (Clic aqui para ver a matéria anterior).

Jornalistas visitam os campos de experimento da FAZU. (Foto: Altair Albuquerque/Texto)
Jornalistas visitam os campos de experimento da FAZU. (Foto: Altair Albuquerque/Texto)

Fomos recebidos por Alexandre Bizinoto, supervisor acadêmico; Juan Lebron, conselheiro e Renata Serafim, coordenadora de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão da FAZU. Bizinoto expôs a história do complexo universitário e suas parcerias, e Renata Serafim sobre os cursos de Pós e projetos de iniciação científica. Após essas explanações, Alexandre Bizinoto levou os jornalistas para um giro nos campos experimentais da FAZU, quando, em cada parada, fazia explicações de cada ponto visitado. Era a “via sacra” das tecnologias agrárias. Nesta, entre outras experiências e estudos, a criação de coelhos e de caprinos.

De direito privado, contudo a FUNDAGRI/FAZU não visa lucros. Tudo que é apurado das mensalidades e explorações comerciais de seu complexo é revertido no desenvolvimento da instituição de ensino, desta forma fazendo-a crescer e melhorar cada vez mais.

Sempre buscando atingir inteligências locais e buscando as de fora para somar no processo educativo da instituição, conforme expôs Bizinoto, em 1990 o campus universitário da FAZU ganhou área própria de 200 hectares, na área de expansão urbana da cidade de Uberaba, eem 1997, por meio de uma parceria com a Universidade de Uberaba (Uniube), ABCZ, FUNDAGRI e FAZU, foi criado o curso de Medicina Veterinária, tendo o Hospital Veterinário de Uberaba, também iniciativa da ABCZ, para a prática das suas disciplinas.

Consciente de levar a Faculdade além de seu complexo acadêmico, nesse mesmo ano, a FAZU iniciou o Projeto “Porteira Adentro”, seu maior e mais importante evento de extensão. O Projeto é realizado todos os anos com a participação das comunidades de Uberaba e cidades vizinhas.

Dentro dessa trajetória, ainda conforme Renata Serafim e Alexandre Bizinoto, a FAZU, numa parceria com a ABCZ passou a oferecer o primeiro curso de Pós-Gradução Lato Sensu em Julgamento das Raças Zebuínas.

Um hospital veterinário referência no Brasil

O Hospital Veterinário de Uberaba, a maior referência do setor no Brasil. (Foto: Ascom/FAZU)
O Hospital Veterinário de Uberaba, a maior referência do setor no Brasil. (Foto: Ascom/FAZU)

O complexo avançou anda mais a partir do ano 2000 com a implantação e/ou ampliação de setores acadêmicos e de uso da sociedade como um todo. Tais como o Hospital Veterinário de Uberaba (HVU), instalado numa área de 20 mil metros quadrados, 6 mil dos quais de área construída. É considerado um dos mais modernos centros de medicina veterinária do país.

– O HVU é o maior complexo do gênero na América Latina e conta uma equipe clínica composta por profissionais altamente capacitados e habilitados – informa os coordenadores.

Inaugurado no início de 2001, o Centro de Reprodução Animal da FAZU é equipado para a realização de algumas das biotecnologias da reprodução, a exemplo da fecundação in vitro. Aliás, o HVU foi o primeiro do gênero a produzir um bezerro pela tecnologia in vitro no Brasil.

A FAZU conta também com um Núcleo de Excelência em Engenharia de Alimentos (NEEA). Inaugurada em março de 2002, ele é composto por unidades industriais de processamento (UIP´s) para vegetais, laticínios e carnes. Possui diversos laboratórios. Anexo ao Núcleo, foi construída uma Oficina Acadêmica para servir de apoio técnico à manutenção e desenvolvimento de equipamentos.

A FAZU além das fronteiras nacionais

As atividades da FAZU extrapolam fronteiras nacionais. Ela mantém, desde 2002,  parcerias com entidades de outros países da América Latina, a exemplo da que tem com a Asociación Bliviana de Criadores de Cebú (Asocebu).

Conforme os coordenadores da instituição, após o convênio, desde o a implantação do sistema acadêmico, em 2007, mais de 22 estudantes bolivianos se formaram na FAZU. Atualmente, mais 54 bolivianos estão cursando Zootecnia, Agronomia e Agronegócio.

Outra parceria internacional é com a Federación Bolivariana de Ganaderos Agricultores de Venezuela (Fegaven). Por ela, quatro alunos se formaram no último semestre do ano passado em Agronomia e em Zootecnia. Um ainda está cursando na entidade.

Bizinoto mostra equipamento de controle de consumo de ração x peso do animal. (Foto: Altair Albuquerque/Texto)
Bizinoto mostra equipamento de controle de consumo de ração x peso do animal. (Foto: Altair Albuquerque/Texto)

No final do ano passado, a entidade de ensino superior firmou convênios com a Universidad de la República (Udelar), Univeridade de la Empresa (UDE) – Facultad de Ciencias Agrarias, Colégio de Médicos Veterinários de Santa Cruz (Comvetcruz).

Ainda neste semestre, conforme explicam os coordenadores, a FAZU deve firmar parceria com outros países como o Chile e Costa Rica, além de ampliar o convênio com a Venezuela.

Mais investimentos no conhecimento

Os investimentos em tecnologias e na ampliação da FAZU não param por aqui. Em 2004 ela entregou para sua comunidade acadêmica uma nova biblioteca, com 1.500 m² de área construída com completa infraestrutura operacional, serviços de reprografia, salas para estudo individual e em grupo e um auditório com 100 lugares.

Há também no Campus da FAZU o Centro Nacional de Avaliação de Reprodutores, uma ampla área coberta para confinamento com capacidade para 250 animais. O ambiente atende a todas as exigências funcionais e normas técnicas e  logística de currais cobertos, dotados de brete e balança. São 12 hectares de piquetes irrigados por um pivô central complementando provas com os animais a pasto.

Ainda no campo da pecuária – a FAZU tem outros cursos na área de humanas e exatas, as Faculdades Associadas de Uberaba desenvolve outros projetos, que complementam seus cursos e auxiliar os setores produtivos da região e do Brasil, como o Banco de DNA das raças zebuínas; Projeto Sistema Orgânico de Produção do Zebu Leiteiro; Programa Intensiva Sustentável eo  Pré-Teste de Progênie da Raça Gir Leiteiro.

Importante destacar  o Programa Pecuária Intensiva Sustentável. Desde 2010 ele acompanha a importância do Zebu e de seus cruzamentos par ao agronegócio nos países tropicais. Conforme explica a FAZU, o plantel inicial é composto por fêmeas jovens com excelente material genético, que serão recriadas e inseminadas para formação de novo plantel.

Importante frisar com boa parte do corpo docente – inclusive na diretoria –  da FAZU é formada por ex-alunos da instituição.

Este é o outro Brasil, o Brasil que trabalha, produz e gera conhecimentos para todo o país e o mundo.

*Antônio Oliveira viajou a convite da Texto Comunicação Corporativa