São horríveis os transtornos que o cancelamento de um evento, após meses, até um ano de planejamento, ações e reações, causam aos seus organizadores e ao seu público alvo. Tensão e frustrações deste lado e traumas psicológicos para o outro. Imagino o que o empresário Pedro Siqueira, promotor da ExpoPalmas 2018, em parceria – como se vem anunciando -, com o Sindicato Rural de Palmas e Região, está passando. Não é fácil.

Trabalhadores temporários do evento na espera de informações na porta do Sindicato (Foto: G1 Tocantins)

Contudo, há de se analisar alguns detalhes no arrojado empreendimento do Pedro Siqueira, a começar pelos investimentos que ele fez em melhorias do Parque de Exposições de Palmas, de propriedade deste Sindicato, até no primeiro semestre do ano passado, praticamente em situação de abandono. Pedro promoveu profundas melhorias,  murando a área, reformando baias e pavimentando a área de exposições do parque.

Ele visava transformar aquela estrutura num espaço de mega shows sertanejos.  Uma visão inteligente para esta área de eventos – acredito que ele queria transformar Palmas numa nova Barretos. Louvável e visão inteligente. Para isto, ele usaria o agronegócio, por meio de exposições agropecuárias, ressuscitando a ExpoPalmas que dera seu último suspiro em junho de 2016 (clique aqui para ler sobre o que eu já alertava em 2016).

Em julho do ano passado, por acaso, encontrei-me com uma equipe executiva do Pedro Siqueira, no gabinete do secretário de Desenvolvimento Rural de Palmas, Roberto Sahium, que fora lhe expor o projeto da nova ExpoPalmas e me pedira para ficar na reunião.  Exposto o projeto, elogiei a iniciativa e o arrojo do Pedro Siqueira no que diz respeito a criação de um espaço para a realização de grandes shows e rodeios. Isto trás renda e empregos para a cidade, mas discordei do resgate da ExpoPalmas por dois motivos: primeiro por a capital não ter tradição em exposições agropecuárias, papel assumido pela Agrotins, completa feira de agronegócios, como se evidenciara em 2016 e evidenciado por mim no artigo supralinkado; segundo,  pelo Pedro não ter experiência nesta área de eventos, nem com o próprio agronegócio, querendo apenas usar este para chegar ao seu objetivo principal. Recusei, inclusive, preservar a imagem de minhas marcas, a oferta de um estande que me fora feita para expor meus produtos – editorial e os eventos PISCISHOW & AVISULEITE e repudiei, também,  sua iniciativa de usar a piscicultura.  Alertei a equipe que a Pedro Siqueira Produções poderia prejudicar o PISCISHOW e o Pavilhão da Piscicultura, promovido pela Agrotins em todas as feiras, com a excelente experiência dos técnicos da Secretaria de Agricultura do Tocantins e do Ruraltins. “Empreender em iniciativas que  envolvem o desenvolvimento social e econômico do município, Estado ou país, é muito mais que visar lucro, há que se ter comprometimento, sacerdócio, se não, na primeira frustração, se cai fora”, disse para a equipe do Pedro e tenho isto em mente, como filosofia.

Pois bem: a ExpoPalmas foi realizada com grande sucesso na área dos shows e um fracasso na área de agro, frustrando e gerando aborrecimentos aos poucos expositores que lá estiveram e investiram. Frustrações e aborrecimentos. O agro foi usado, como previra eu.

Neste ano, o pior aconteceu e não se sabe ao certo ainda de quem é a culpa e os reais motivos pelo cancelamento dos shows, deixando público e expositores da cadeia do agronegócio – poucos que lá se instalaram, novamente – a verem navios.

Outra coisa: na Nota dirigida ao público, por meio da imprensa palmense, a Pedro Siqueira Produções bate injustamente no Governo do Estado e na Prefeitura de Palmas. Ora, nem aquele, nem esta, tem obrigação em patrocinar shows que visam lucros. Teria compromisso sim, não como obrigação, mas como comprometimento com o desenvolvimento, com a parte do agro no contexto do evento em voga.

Isto serve de alerta, também, para o amadurecimento de muitas empresas e instituições representativas dos agronegócios e do desenvolvimento econômico do Tocantins.

Antônio Oliveira