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Paulo de Castro Marques: "O Brasil é o país de maior potencial para a produção de carne bovina" (Foto: Casa Branca)
Paulo de Castro Marques: “O Brasil é o país de maior potencial para a produção de carne bovina” (Foto: Casa Branca)

Por Antônio Oliveira*

Visitar a sede rural da Casa Branca Agropastoril, em Silvianópolis, no interior de Minas Gerais, divisa com o estado de São Paulo, é se encantar com a qualidade, beleza e exemplar manejo de três raças nobres que vêm, cada vez mais, ganhando pastos por este Brasil a fora: Angus, Brahman e Simental. Não só, isto, sua área de tecnologia para pesquisas e fecundação in vitro  é uma das mais modernas do Brasil e alia interesses comerciais da Casa, difusão de tecnologias ao compartilhamento com as comunidades acadêmicas, por meio da Universidade Federal de Lavras (MG)  que tem uma parceria com esta empresa rural de melhoramento genético bovino.

Por trás de tudo isto, está o empresário Paulo de Castro Marques, que também é do ramo da indústria farmacêutica, mas que tem na pecuária a sua maior paixão. “O pecuarista é, por definição, um apaixonado pela atividade. Trabalhar com gado requer muito envolvimento, muito tempo, muitos investimentos. O retorno econômico vem lentamente, mas a satisfação é imediata”, diz ele.

Por duas vezes, a convite, nós estivemos nesta exemplar empresa rural, visitando seu sistema de produção e melhoramento genético. Sempre saímos de lá encantados e, agora, compartilhamos com o leitor um pouco da dinâmica deste sistema de melhoramento genético e da paixão do Dr. Paulo de Castro Marques pelo que faz. “Essas qualidades estão levando o Angus, o Brahman e o Simental da Casa Branca para todo o Brasil, pois os criadores confiam na nossa genética”, frisa ele, com toda a sua paixão e consciência do que faz pela pecuária brasileira.

Filha do empresário, Fabiana Marques, é uma das assessoras de Marques no empreendimento rural (Foto: Casa Branca)
Filha do empresário, Fabiana Marques, é uma das assessoras de Marques no empreendimento rural (Foto: Casa Branca)

Cerrado Rural Agronegócios (CRA) –  Da entrada das raças europeias e zebuínas no Brasil, no século dezenove, à contemporaneidade, qual a avaliação que o senhor faz da evolução genética do rebanho bovino brasileiro?

Paulo de Castro Marques – Eu separo a evolução da pecuária brasileira em dois grandes momentos: antes e depois da última e grande importação de zebu, no início da década de 1960. Até então, o gado estava espalhado pelo país, de norte a sul. Porém,  sem a preocupação com eficiência, com melhoramento genético e produtividade. Nos últimos 50 anos, a pecuária brasileira tornou-se um gigante. Lembre-se que até a década de 1980 nosso país era um grande importador de carne bovina. Hoje somos o maior exportador do mundo, com quase 1,7 milhão de toneladas em 2018. Isso só foi possível com um grande investimento em genética, especialmente em raças mais adaptadas às nossas condições. A profissionalização da pecuária também veio com melhorias nos pastos, na alimentação no cocho, no controle das doenças, na gestão e na mão-de-obra. Foi um conjunto de ações. E esse processo ainda não terminou. Pelo contrário: está cada vez mais sólido.

CRAAinda predomina no Brasil o Nelore, dado a sua rusticidade e adaptabilidade às diferentes situações de clima no país. Na sua opinião, há espaço para o crescimento de raças nobres, digamos assim, como as que o senhor dedica trabalho de melhoramento – Angus, Brahman e Simental?

Paulo de Castro Marques – Sem dúvida. A Casa Branca cria Angus, Brahman e Simental há duas décadas. Nesse tempo, verificamos o aumento da procura por reprodutores (machos e fêmeas) produtivos, que resistem ao calor e são férteis e precoces. O Nelore é excelente, mas o Brahman também é. Aliás, trata-se da raça zebuína mais presente no mundo. O Angus é uma fábrica de carne de qualidade. O Simental sul-africano é resistente e produtivo. Também é preciso destacar que a pecuária brasileira é um gigante. Há mais de 50 milhões de fêmeas para cobrir todos os anos. É preciso touros de boa genética para isso. Porém, segundo os especialistas, há carência de mais de 200 mil reprodutores. Ou seja, há mercado, há espaço e há perspectivas excelentes para a pecuária brasileira nos próximos anos.

CRA – Qual o papel que essas e outras raças nobres exercem ou podem exercer no fortalecimento da pecuária de corte brasileira?

Paulo de Castro Marques – Como eu disse acima, a pecuária brasileira é enorme. Segundo o IBGE, esta é a única atividade presente em todas as mais de 5,2 milhões de propriedades rurais espalhadas de norte a sul do país. Um touro ou uma vaca de boa qualidade genética faz uma grande diferença na produtividade de uma pequena propriedade. Nas médias e grandes, a genética superior contribui bastante para a melhoria da produtividade, com redução da idade do primeiro parto e terminação dos animais. Nos últimos 20 anos, a fertilidade aumentou drasticamente, assim como a precocidade de acabamento e outros indicadores importantes, que comprovam a evolução da pecuária brasileira.

Por meio de leilões a Casa Branca leva sua genética para todo o Brasil (Foto: Casa Branca)
Por meio de leilões a Casa Branca leva sua genética para todo o Brasil (Foto: Casa Branca)

CRA – Aliás, nota-se, a paixão que o senhor tem por estas três raças e os investimentos que faz na melhoria delas. O que, nelas, o atraiu para esta dedicação?

Paulo de Castro Marques – O pecuarista é, por definição, um apaixonado pela atividade. Trabalhar com gado requer muito envolvimento, muito tempo, muitos investimentos. O retorno econômico vem lentamente, mas a satisfação é imediata. O programa de melhoramento genético da Casa Branca foi definido com muito cuidado e atenção. Investimos em três raças que têm características complementares. O Brahman é o zebu mais presente no mundo. É precoce e altamente produtivo. O Angus é a raça que mais cresce no Brasil e no mundo devido à qualidade de carne e à precocidade (sexual e de acabamento).

“Aliás, o mundo espera isso de nós. A FAO (órgão da ONU para a alimentação) projeta que até 2050 será necessário dobrar a atual produção de carne bovina no planeta – e que o Brasil será responsável por 40% desse crescimento”

O Simental sul-africano é resistente e também muito produtivo. Essas qualidades estão levando o Angus, o Brahman e o Simental da Casa Branca para todo o Brasil, pois os criadores confiam na nossa genética. Eles sabem que os animais cumprirão bem sua função produtiva e reprodutiva em qualquer região do país.

CRA – Cada vez mais, o mundo demanda por proteína animal, principalmente a carne bovina. O senhor acredita que o Brasil está preparado – ou se preparando corretamente – para atender o crescimento global nos próximos 20 anos?

Paulo de Castro Marques – O Brasil é o país de maior potencial para a produção de carne bovina. Temos terras, clima, genética, pastos e capacidade para aumentar a oferta. Aliás, o mundo espera isso de nós. A FAO (órgão da ONU para a alimentação) projeta que até 2050 será necessário dobrar a atual produção de carne bovina no planeta – e que o Brasil será responsável por 40% desse crescimento. Estamos trabalhando muito para cumprir a nossa parte, oferecendo proteína animal de qualidade para atender à crescente demanda global.

*Colaborou: Texto Comunicação Corporativa, assessoria da Casa Branca

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