Home A opinião de Antônio Oliveira Governo Carlesse: é preciso revisar as peças da máquina político-administrativa

Governo Carlesse: é preciso revisar as peças da máquina político-administrativa

Incentivos fiscais à aviação civil foram corretos, mas estado não e feito apenas de grandes empreendimentos (Foto: Divulgação)
Incentivos fiscais à aviação civil foram corretos, mas estado não e feito apenas de grandes empreendimentos (Foto: Divulgação)

Há alguma coisa errada no governo de Mauro Carlesse, do Tocantins. A máquina está lenta, quase emperrada, reduzindo os índices de popularidade e confiança em um governo que foi eleito sob o manto da estabilidade. E Carlesse não está mal de comunicação e marketing, não. Seu secretário de Comunicação Social, João Aguiar – o João Neto -, radialista e marqueteiro,  é  experiente, inclusive fez as campanhas de Carlesse para o governo do estado, tendo-o preparado bem antes para isto; conhece bem os meandros políticos do estado e quem deveria ser o conselheiro-mor do governador. O staff da Secom é de jornalistas e publicitários competentes; o governador tem demonstrado que trabalha para acertar o alvo do desenvolvimento e da moral no serviço público. O que está acontecendo, então?

A voz de Deus é a voz do povo, segundo os políticos da Grécia antiga. O “avaliômetro” de um governo não deve estar baseado exclusivamente entre assessores palacianos, tradicionalmente dados a bajulações ao chefe e a dizer que está tudo bem. Puxassaquismo ou medo de desagradar, quando não é arrogância.

Uso este parágrafo para lembrar de uma resposta que o líder político goiano Iris Rezende me deu, após ser derrotado por Marconi Perillo para o governo de Goiás, quando ele tinha quase 70% de Ibope e Marconi, saindo de traço zero: “Fui derrotado por vaidade e arrogância de assessores”.

Eu ando muito entre o povo simples, pequenos empresários da cidade e do campo; prefeitos, vereadores e outras lideranças políticas do interior do estado, principalmente da região sudeste do Estado; ouço até as observações de grandes empresários de outros estados com intenção de investir aqui – eles esperam, realmente o governo se firma. Muito

“Ninguém, entre formadores de opinião, em sã consciência tem o direito de ficar calado diante desta situação. É preciso que se mostre ao chefe do Executivo estadual, se medo e usando da sinceridade,  que algo está errado”

observador, noto que já está surgindo o desânimo e a insegurança  entre desde os mais humildes tocantinenses às lideranças políticas; de microempresários a grandes empresários – aqueles, no estado, em número bem menor do que estes. Há exceções nesta insatisfação e elas estão entre duas categorias de empresários:  o da aviação civil e o de vendas de caminhões, reboques e semirreboques, contempladas com a redução da alíquota de ICMS. Medidas acertadas, convenhamos.

Ninguém em sã consciência pode torcer para que este governo não dê certo, porque é adversário a ele ou porque teve ou está tendo interesses políticos, de negócios e pessoais feridos. O Tocantins, em conseqüência de desarranjos políticos, não só de um, mas de vários governadores, passa por um processo difícil, que exige austeridade, coragem, criatividade e determinação para recolocá-lo nos seus trilhos – isto não significa emperrar a máquina, sentar-se sem cima de decisões a serem tomadas, é bronca, principalmente de prefeitos. Trilhos que culminam num grande processo de desenvolvimento social e econômico.

Ninguém, entre formadores de opinião, em sã consciência tem o direito de ficar calado diante desta situação. É preciso que se mostre ao chefe do Executivo estadual, se medo e usando da sinceridade,  que algo está errado. E parte deste erro é visível fora dos círculos palacianos: ela passa pela insegurança, lentidão, birra, má vontade, e/ou  impossibilidade de muitos auxiliares do primeiro e segundo escalões  tomarem decisões usando as prerrogativas que o cargo lhes conferem.

É preciso, com urgência, revisar as peças desta máquina administrativa, para que ela se movimente com mais velocidade. A direção, o acelerador e o câmbio são de Carlesse. Que ele os assuma de fato.

Antônio Oliveira