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O lambari em cativeiro pode render mais na engorda do que outros peixes maiores (Foto: Divulgação)
O lambari em cativeiro pode render mais na engorda do que outros peixes maiores (Foto: Divulgação)

Por Antônio Oliveira*

Um pequeno com promessa de ser um dos grandes negócios da piscicultura brasileira: o lambari. Espécie nativa das bacias Amazônica, Araguaia,  Tocantins, São Francisco, Prata e do Atlântico Sul, o peixe está deixando de ser apenas isca de pesca de outros peixes e tira-gosto em botecos para  ganhar  as gôndolas de supermercados e a mesa de restaurantes. Peixe de escamas, rústico, é ideal para o cultivo em pequenas propriedades.

Há muitas espécies de lambari, com destaque para o lambari-do-rabo-amarelo, que é o mais viável para o cultivo comercial. Tem crescimento rápido: com apenas 4 meses chega a sete centímetros e peso entre 20 e 50 gramas, medida e peso ideais para a comercialização.

Um dos maiores projetos verticalizados (recria, engorda e agroindústria) de lambari no Brasil está instalado em Buritizal, no interior de São Paulo, quase divisa com Minas Gerais. Pertence ao empreendedor Jomar Delefrate. No início de seu projeto ele criava outras espécies como a tilápia e pacu. Cada vez que ele fazia a despesca destas espécies, vinha na rede uma abundância de lambaris. Daí surgiu a idéia da criação da espécie.

Curioso, o aquicultor procurou saber como esses pequenos peixes apareciam em seus tanques. Descobriu que eles são trazidos pelas pernas dos pássaros, que pousam nos pequenos riachos e trazem os ovos para a represa grudados nos pés, sendo esses ovos que acabam proliferando nos tanques.

Jomar conta ainda que foi juntando os lambaris num tanque especial para vender como isca. O negócio se propagou na base do boca a boca de um pescador para outro, até que a procura ficou maior que a oferta. Ele resolveu, então, trabalhar apenas com o lambari.

Atualmente, além dos seus 40 tanques próprios com lambaris, Jomar trabalha com outros 200 onde engorda os pequenos peixes pelo sistema de integração.

Conforme o criador, os lambaris ficam nos tanques até a fase de adultos. Há os tanques de matrizes que vão servir à reprodução assistida. Elas foram coletadas no Paranazão, no Rio Grande e em rios do sul de Minas Gerais. Ele tem como objetivo obter um híbrido de bom tamanho. No momento da reprodução, faz-se a coleta nos tanques, separando os machos das fêmeas. O empreendedor tem, na sua planta, um laboratório onde se faz a reprodução artificial dos lambaris. Este peixe se reproduz praticamente o ano todo, exceto nos dias frios de inverno.

Jomar conta que a estimulação das fêmeas é feita com a injeção de hormônios de reprodução dos peixes – hormônio da carpa, que é importado da Hungria. São feitas duas aplicações para a desova.

– Logo após a segunda aplicação, eles vão realizar a dança do acasalamento e a fêmea vai soltar todo o ovo que tem presente na sua barriga – diz o agrônomo Thiago Delefrate.

Jomar: da tilápia e pacu para o lambari (Foto: Divulgação)
Jomar: da tilápia e pacu para o lambari (Foto: Divulgação)

O macho fertiliza os ovos que vão dar origem aos alevinos. A eclosão dos ovos se dá em 3 a 4 dias, quando nasce o lambari ainda em forma de larva. No primeiro dia, o que se vê no tanque são só pontinhos se mexendo. Conforme Jomar, o ideal seria mandar para engorda apenas as fêmeas, que são maiores e mais fortes que os machos. Porém, a sexagem precoce do lambari é um ganho tecnológico ainda não alcançado pelos produtores de alevinos de lambari.

A experiência de quem optou por este tipo de cultura revela que o lambari em cativeiro pode render mais na engorda do que outros peixes maiores.

Os lambaris não dão muito trabalho com a alimentação, pois são onívoros, ou seja, comem de tudo. Gostam de vegetais, desovas e larvas de outros peixes, insetos, crustáceos, sementes, flores, frutas e algas. Também não dispensam rações balanceadas.

Uma grande aposta comercial dos criadores de lambaris é o seu comércio depois de limpos, embalados, prontos para fritar.

Integração

Os 200 tanques citados acima estão dispersos em municípios entre Minas Gerais e São Paulo e funcionam pelo regime de integração com o empreendimento de Jomar, que dá orientação técnica e fornece os alevinos. O integrado entra com o tanque, a mão de obra e a ração. Peixe engordado, Jomar faz a retirada, com preço combinado antes, que é o de mercado

Ainda segundo Jomar, o ciclo de engorda do lambari é de quatro meses. Num ano bom dá três rodadas por ano, o que não é comum. A densidade é de 50 peixes por metro quadrado. Assim, um tanque de 50 x 20, mil metros quadrados, recebe 50 mil lambaris por ciclo. A perda é de cerca de 10% por conta a predadores, erro de contagens, mortes.

Um tanque de lambaris, dos integrados de Jomar, pode chegar a um total de R$ 5.850,00. Tirando as despesas com a criação, sobraram R$ 2.340,00. Levando-se em conta que o ciclo é de quatro meses, isto dá uma renda de R$ 585,00 por mês em cada tanque.

Recolhidos dos integrados, os peixes passam primeiro por uma seleção de tamanho: os maiores vão para o mercado de isca viva e os menores para o frigorífico.

Investimentos

O investimento necessário para iniciar a criação de lambaris parece elevado. Porém, é preciso levar em conta que os cálculos são realizados para o período de um trimestre, prazo em que os pequenos peixes já estão prontos para a comercialização. Os lambaris podem ser vendidos como iscas-vivas a 20 centavos de real cada, ou por três reais a bandeja com 250 gramas para bares, restaurantes e lanchonetes.

Investimento: R$ 8.500  para uma criação inicial de 50 mil alevinos (com a existência de viveiro de mil metros quadrados na propriedade);

Equipamentos: R$ 1.500 reais (rede, puçá e balança);

Instalações: R$ 3 mil para a construção de um tanque de mil metros quadrados;

Preço dos lambaris: R$ 100  o milheiro de alevinos

Capital de giro: R$ 3 mil para o trimestre;

Ração: R$ 2 mil ao longo dos três meses;

Tempo de retorno:  com viveiro pronto na propriedade, a partir do terceiro mês;

Área necessária: mil metros quadrados de viveiro, com 50 alevinos por metro quadrado;

Construção: terraplanagem, tubos plásticos, tijolos, grama;

Reprodução:  a partir do quarto mês, durante a primavera e verão;

Clima:  quente;

Doenças comuns: são raras quando a água é de boa qualidade;

Tratos veterinários: é necessária a presença de um profissional;

Observações relevantes

Uma característica importante para a criação comercial do lambari é sua capacidade de crescimento rápido. Os exemplares atingem a maturidade sexual em quatro meses, quando os machos medem de sete a nove centímetros e as fêmeas, de nove a 12 centímetros. A temperatura de 26 a 28 graus é ideal para iniciar o ciclo reprodutivo dos lambaris, que vai de agosto até março.

A Jo-Mar é um dos maiores projetos de labaricultura do Brasil (Foto: Fazu)
A Jo-Mar é um dos maiores projetos de labaricultura do Brasil (Foto: Fazu)

Uma alternativa na geração de filhotes é a reprodução induzida. Por meio de uma injeção, são aplicados hormônios nos peixes para estimular a desova. A prática permite ao criador fazer um manejo controlado, além de facilitar a produção na alevinagem e engorda.
Compre os lambaris em locais com referência, para garantir a qualidade dos peixes. É recomendado cultivá-los em viveiros retangulares, de terra, com tamanho variando entre 500 e mil metros quadrados e dotados de equipamentos para a renovação da água. Os tanques precisam ser previamente adubados, calcareados, com água tendendo para o teor alcalino (pH de 6,5 a 8). Solte na água cerca de dez adultos por metro quadrado, na proporção de três machos para cada fêmea. Espalhe aguapés no ambiente, de maneira que ocupem 10% da superfície. As plantas irão abrigar as larvas e alevinos (foto).

Para evitar a predação dos filhotes pelos adultos, deve-se realizar a despesca seletiva e a separação dos peixes por tamanho. Ao atingirem um centímetro, transfira os alevinos para outro tanque na proporção de 100 exemplares por metro quadrado; em um mês, eles chegarão à fase juvenil, com cerca de quatro centímetros. Até a despesca final, crie-os na densidade de 50 juvenis por metro quadrado.

Utilize ração balanceada em pó ou triturada, com teor de proteína bruta de 38% a 40%. Três vezes ao dia, ofereça aos peixes o equivalente a 5% do peso vivo dos peixes. Aos 20 dias de engorda, passe a dar ração extrusada. Umedeça a alimentação até o ponto em que se molde ao formato da mão, para evitar a dispersão da comida na água.

Dicas

É importante limpar os tanques antes de introduzir os peixes no novo ambiente, a fim de eliminar a existência de ovos de traíra ou de outros peixes predadores. Deixe a área receber os raios solares para ajudar na oxidação da matéria orgânica presente no fundo.

Monitore diariamente pela manhã e pelo final da tarde a oxigenação da água. Se estiver abaixo de quatro miligramas por litro, significa que o arraçoamento deve ser reduzido. Forneça menos alimentos para evitar o excesso de excrementos liberados na água e a queda do nível do oxigênio, o que permite a proliferação de parasitas e bactérias.

*Matéria produzida com base em informações dos sites da Globo Rural, CPT, Canal Rural e Pesca Amadora

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