SHARE

Por Antônio Oliveira

A visita que o presidente eleito do Brasil, deputado federal Jair Bolsonaro fez a Taiwan, em março deste ano, onde fez críticas a China, país que é o maior parceiro comercial do Brasil, que o candidato eleito não visitou e continuou criticando, começa a ter reações que podem colocar em risco a exportações brasileiras, sobretudo dos agronegócios.

Bolsonaro e filhos em visita a Taiwan, emmarço deste ano (Foto: Disp. do Google)
Bolsonaro e filhos em visita a Taiwan, emmarço deste ano (Foto: Disp. do Google)

Nesta segunda-feira, 29, o jornal Global Times, diário chinês, considerado um porta-voz do governo da China, publicou editorial cometendo as relações entre o Brasil e o seu país durante o governo do presidente eleito Jair Messias Bolsonaro.

O jornal comenta que, embora a imagem da China tenha sido “injustamente depreciada”, pelo então candidato a presidente do Brasil, “é inconcebível que o novo governo de Bolsonaro vá abrir mão do mercado chinês”.

– A cooperação entre  China e Brasil é totalmente recíproca. A China é o maior parceiro comercial do Brasil e o maior superávit comercial do Brasil foi registrado com a China. Em 2017, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 20 bilhões com a China, que também é o maior comprador de soja e de minerais brasileiros – comentou o Global Times.

Tratando Bolsonaro como o  “Trump Tropical”, o  diário chinês afirma que as políticas do novo presidente relacionadas à China chamaram atenção porque ele visitou Taiwan durante a campanha e acusou a China de “comprar o Brasil”. Global Times  reconheceu que no final de sua campanha, Bolsonaro mudou de ideia em relação à China e afirmou que fará negócios com todos os países e “a China é um parceiro excepcional”.

Ao visitar Taiwan e não a China também, Bolsonaro provocou um mal estar diplomático, o que fez a Embaixada do Brasil na China publicar uma carta manifestando a preocupação e indignação” do governo brasileiro.

A carta disse que a visita de Bolsonaro foi um “afronta à soberania e integridade territorial da China” e poderia levar a ”turbulências na parceria estratégica global China-Brasil, na qual o intercâmbio partidário exerce um papel imprescindível”.

A partir desse mal estar diplomático, a retórica de Bolsonaro e seus aliados se moderou e, neste mês,  Onix Lorenzoni, homem forte do presidente eleito e que com ele esteve em Taiwan,  afirmou que é evidente que a China “é um parceiro comercial vital e basta dar uma olhadinha nas contas brasileiras que a gente reconhece isso”.

Ainda no seu editorial  Global Times, lembra que  “a maioria dos analistas acredita que é impensável que o novo governo brasileiro vá substituir o comércio com a China por comércio com os EUA”. Destacou ainda que Bolsonaro fez “comentários afiados sobre mulheres e gays”, ressalta que sua eleição se deveu a suas “políticas e posições domésticas, e a diplomacia não foi um fator fundamental. O povo brasileiro está insatisfeito principalmente com questões domésticas, não com a política externa”.

O Global Times é tido como porta-voz do governo chinês (Foto: Divulgação)
O Global Times é tido como porta-voz do governo chinês (Foto: Divulgação)

Disse ainda o editorial que a China nunca interfere nas questões domésticas brasileiras, e que o Brasil não irá “adotar políticas unilaterais. Uma diplomacia equilibrada e diversa é dos melhores interesses do país. Manter boas relações com a China também ajuda o Brasil a negociar com os EUA e a conseguir mais atenção de Washington”.

Ainda conforme o editorial do Global Times, Bolsonaro “precisará de algum tempo para se acostumar à política externa”, e deve saber que relações com Taiwan “não trarão mais benefícios ao Brasil”. Pelo contrário, afirma, “se ele continuar a desconsiderar o princípio básico sobre Taiwan depois de assumir o cargo, isso terá um alto custo para o Brasil”.

Populismo

O jornal diz ainda que o presidente eleito “nunca esteve na China continental” e “acreditou que um posicionamento avesso ao maior parceiro comercial do Brasil o ajudaria a se eleger”.

NO COMMENTS

LEAVE A REPLY