Naban Garcia, líder da UDR (Foto: Agência Brasil)
Naban Garcia, líder da UDR (Foto: Agência Brasil)

Embora demonstrando não estar preparado para administrar um país, porém manifestando humildade e disposição de voltar atrás em decisões erradas, perante a opinião pública, à mídia, ao mundo político e aos seus assessores – mas insistindo em menosprezar a imprensa tradicional -, o presidente eleito Jair Bolsonaro tem acertado mais do que errado, graças a esta virtude demonstrada.

Acertou no alvo e nos anseios da sociedade em indicar para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o juiz Sergio Moro, dando-lhe carta branca para nomear sua equipe para o combate a corrupção, a violência e ao crime organizada. A pessoa certa, no lugar certo.

Acertou na indicação da ruralista, deputada Tereza Cristina, para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e devolver para esta pasta a pesca e aquicultura (Mapa). Embora acredite eu que o nome para a agricultura deveria sair de lideranças do agronegócio sem atividade político partidária.

Acertou em outras indicações, algumas polêmicas, como no caso da Educação.

Mas errou, na falta de diplomacia em relação aos médicos cubanos e seu país; no anúncio de mudança da Embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém e nos comentários sobre a China. Estes dois últimos atos, se não forem bem administrados poderão ocasionar prejuízos enormes para os agronegócios brasileiros; em relação a presença de médicos cubanos no “Mais Médicos”, o estrago na assistência à saúde de milhares de brasileiros pode ser muito grande se o atual governo não conseguir recrutar médicos brasileiros para preencher a lacuna deixada pelos cubanos.

Por fim, e até o momento, Bolsonaro errará redondamente, também, se confirmar o ruralista Naban Garcia para a futura Secretaria Especial de Assuntos Fundiários, a ser vinculada ao Mapa.

Convenhamos que a Reforma Agrária no Brasil, a partir do início dos governos petistas, é uma grande piada de mal gosto, antro de corrupção, anarquia, com atos, inclusive terroristas, do MST. Ou seja a Reforma Agrária petista é mais uma bandeira da esquerda radical, composta por gente que nada tem a ver com a terra, muito menos com o homem que quer terra para produzir, na outra ponta deste processo. Mas indicar um ruralista da ala radical, imediatista e de extrema direita dos agronegócios, principalmente com o carimbo da UDR – de imagem desgastada entre a população urbana – não é correto. É o mesmo que colocar raposa, por mais domesticada que esta seja, para organizar galinheiros. Como seria errado indicar um nome da extrema esquerda para referido cargo.

“Não vejo futuro na indicação de alguém com perfil de um líder da UDR para fazer Reforma Agrária”

A Reforma Agrária e demais questões fundiárias precisam de um nome técnico, moderado, sem vínculos com a esquerda ou com direita; com a agricultura familiar ou com agricultura intensiva. Um nome capaz de mudar o atual conceito de Reforma Agrária dos governos petistas, onde a terra não é para quem tem aptidão para fazer a terra produzir e sim para jogar, literalmente na terra, sem critérios técnicos e sem a devida assistência financeira, técnica e extensão rural, massas de manobra a serviço da ala radical e irresponsável do PT e de outros partidos de esquerda radicais – ressalvem as alas equilibradas, conscientes. E da organização criminosa MST que deve ser chamada a se enquadrar como movimento social, com CNPJ e comportamento de homens civilizados, sob pena de ser extinta com base nas leis vigentes no país.

Mantenho o foco de meu trabalho e atenções aos agronegócios de grande porte e ao de micro e pequeno porte (a chamada agricultura familiar, como se este não faz negócios), há quase 30 anos. Não vejo futuro na indicação de alguém com perfil de um líder da UDR para fazer Reforma Agrária. Haverá desequilíbrio entre setor agropecuário de grande porte, com setor de micros e pequenos porte e injustiça. Convenhamos que a UDR não tem nada a ver com o chamado agronegócio que temos atualmente no Brasil.

Antônio Oliveira