No intuito de agradar às lideranças rurais brasileiras, mudando regras e costumes implantados por órgãos aparelhados pelo PT e demais partidos de esquerda, com pouco ou sem nenhum compromisso com o desenvolvimento sustentável no campo, o governo do presidente Jair Bolsonaro corre sério risco de desestabilizar os agronegócios, por meio de rompimento de parcerias comerciais, mundo a fora, principalmente com a Europa e países árabes.

O líder ruralista Nabhan Garcia está mais preocupado em afrontar a esquerda (Foto: Divulgação)
O líder ruralista Nabhan Garcia está mais preocupado em afrontar a esquerda (Foto: Divulgação)

Na montagem de seu governo, com este ideal, ele cometeu erros gravíssimos como, por exemplo, levar o INCRA e a Funai para o Ministério da Agricultura. Tanto um, como o outro, deveriam apenas ter sido desaparelhados e entregues para técnicos apartidários e isentos de correntes ideológicas para resolver dois problemas gravíssimos no Brasil: a Reforma Agrária e a questão indígena. Os dois órgãos não têm nada a ver com a pasta da Agricultura, isto parece mais provocação à esquerda e é confronto entre classes diferentes.

Outro erro muito grande, é o presidente, desde a campanha, insinuar a quebra dos programas e leis  que garantem o Brasil a condição do país que mais preserva o meio ambiente. E que cada vez produz mais em menos espaço, diga-se. Nessas suas insinuações, ele quer, também, agradar lideranças rurais. Diria eu que não as lideranças dos agronegócios conscientes da necessidade do equilíbrio entre produção e meio ambiente, de aproveitar terras degradadas, de que o Brasil pode produzir muito mais, assumindo a liderança no mundo, sem desmatar mais e correr o risco de tragédias ambientais. Sorte que o governo tem no Ministério da Agricultura uma mulher que é tarimbada no agronegócio, sabe do “riscado” e está procurando o equilíbrio da “barafunda”, em que meteram sua pasta.

Nabhan Garcia, líder da UDR, entidade que está longe de representar o moderno agronegócio, jamais deveria estar com a responsabilidade da questão fundiária. E cada vez mais ele prova que não, que ele está na área mais para se vingar, afrontar e sufocar a esquerda. Que ele faça isto no campo pessoal e político-partidário, não no exercício da função pública e de sua missão no Estado brasileiro.

Li no site do Congresso em Foco, do dia 16 deste mês, uma entrevista com ele e faço aqui algumas considerações, onde ele acerta e onde ela erra.

Sobre o MST: “Este é o recado que recebi do presidente da República: estarei em sérios problemas se receber os foras da lei do MST, que não tem nem personalidade jurídica. O MST não tem CNPJ. Onde eles fizeram cursos, em Cuba, na Nicarágua, com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), ensinaram que o correto é ficar na clandestinidade. Você já viu organização criminosa na legitimidade? Será que o PCC (Primeiro Comando da Capital) tem CNPJ? O Comando Vermelho tem CNPJ?”. Penso que ela está certíssimo, neste caso,  e as principais lideranças do MST já deveriam estar na cadeia respondendo pelos crimes de invasão à propriedade alheia, de destruição e até assassinatos. Ou MST entra na legalidade e se comporta, realmente, como movimento social, ou deve ser extinto e seus líderes processados.

A agricultura familiar é fundamental para o Brasil (Foto: MDA)
A agricultura familiar é fundamental para o Brasil (Foto: MDA)

No seu desiderato de atingir a esquerda disse besteira sobre o Programa Nacional da Agricultura Familiar, o PRONAF: “Agricultura familiar não é minha área, mas sou contra o programa. Dinheiro público não é para ser jogado na lata do lixo. Dinheiro público não é para ser objeto de corrupção. Um país com tantos problemas como o nosso, com deficiências na saúde, na educação, com gente morrendo por falta de remédio, não se pode destinar dinheiro para encher o rabo de políticos”. Criticou, ainda, os recursos que o governo federal destina para o custeio e investimentos na agricultura familiar, da ordem de R$ 20 bilhões.

Ora, se a agropecuária empresarial tem seu Plano Safra, com vultuosos recursos e que são bem aplicados por quem os adquirem no custeio e financiamento de seus projetos, catapultando para cima o setor, tornando o Brasil cada vez mais produtivo, por que a agricultura familiar não pode ter recursos oriundos do sistema financeiro para as mesmas finalidades?

Ressalvando, algumas distorções pontuais, o PRONAF projetou a agricultura familiar – desligada da tutela do MST -, à modernidade, à produtividade e a se vê, também, como agronegócio. É ela, cada vez mais, a responsável pela maior parte dos alimentos que chegam aos lares brasileiros; gera, em média, 38% da receita dos estabelecimentos agropecuários e emprega aproximadamente 74% dos trabalhadores agropecuários do país.

tabela_da_producao_da_agricultura_familiarLevantamento feito pelo portal Governo do Brasil mostra que a agricultura familiar tem um peso importante para a economia brasileira. Com um faturamento anual de US$ 55,2 bilhões, caso o País tivesse só a produção familiar, ainda assim estaria no top 10 do agronegócio mundial, entre os maiores produtores de alimentos.

Como se vê, Nabhan Garcia não conhece a realidade agropecuária brasileira. Ele pode representar a velha UDR criada para confrontar  o MST, não os modernos e conscientes agronegócios empresariais e familiares.

Vai dar dor de cabeça para a Tereza Cristina, para Jair Bolsonaro e para os agros. Vai dar perda total (PT)

Antônio Oliveira