SHARE
maggi
Em seu discurso, Blairo Maggi propôs acompanhar e monitorar as negociações no setor de agronegócios entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (Foto: Mapa)
Em Nanjing, na China, ao participar do 7º Encontro de Ministro da Agricultura do grupo dos BRICS, Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), propôs na sexta-feira, 16, que o Plano de Ação 2017-2020 do bloco estabeleça um grupo de trabalho para monitorar e apresentar propostas que ampliem o fluxo de comércio e de investimento agropecuário e agroindustrial.
– Precisamos nos esforçar para sairmos deste encontro com diretrizes para atingir resultados que beneficiem as populações que representamos. É fundamental contarmos com mecanismo para superar barreiras ao comércio – esclareceu Maggi.
Ainda em conformidade com o Ministro, nesse grupo de trabalho, o que se espera é a discussão de temas, como questões sanitárias e fitossanitárias, regras mais flexíveis e oportunidades de negócio entre as empresas do setor. Para fortalecer o BRICS (formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), na área agrícola, é necessário, além de intensificar a cooperação, promover a inovação.
– Quero destacar a importância de colaborarmos mais intensamente na promoção da pesquisa, pois isso é fundamental para o sucesso de nossos produtores – frisou Maggi, recordando que, nos anos 1970, o governo brasileiro criou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a fim de responder demandas da agropecuária e enfrentar desafios do futuro. O que permitiu, observou, aumentar a produção de grãos em 386%, nos últimos 40 anos, enquanto a área utilizada na agropecuária cresceu 33%, isto é, 11 vezes menos.
Maggi também evidenciou seu ponto de vista com relação à mudança de comportamento em relação ao meio ambiente.
– Deixamos de ser um País que desmatava para extrair madeira ou que vivia de ciclos monocultores de cana de açúcar, café e borracha, para ser um dos líderes mundiais em setores como açúcar, café, suco de laranja, soja, carnes, milho, celulose e tantos outros, cuidando da natureza. O Brasil tem grande orgulho em poder dizer ao mundo que a sustentabilidade é hoje uma marca da agricultura nacional – destacou.
Fórum empresarial
O ministro do Mapa propôs, ainda, criar um fórum empresarial agrícola do BRICS.
– Tenho certeza que podemos aprender muito mais uns com os outros. Todos têm experiências a compartilhar sobre integrar pequenos produtores ao mercado, agregar valor à produção, produzir preservando o meio ambiente – pontuou.
Defendeu um padrão de comércio agrícola “mais aberto e equilibrado”. Considerou que é possível cooperar também na coordenação de posicionamentos nos fóruns multilaterais para garantir ganhos comuns. E lembrou a criação do Banco de Desenvolvimento dos BRICS, como importante instrumento para financiar projetos agropecuários inovadores.
Investimento e Desenvolvimento sustentável
No Fórum de Cooperação Agrícola do BRICS sobre Investimento e Desenvolvimento Sustentável, Maggi afirmou que segurança alimentar é um tema que não pode se limitar às fronteiras nacionais. Ao fazê-lo, os países condenam consumidores a comprar produtos mais caros. A falta de competição faz também com que a inovação não ocorra na velocidade desejável.
Além disso, de acordo com Maggi, as restrições ao comércio impedem o melhor uso dos recursos naturais e a maior parte da população mundial se concentra em regiões cujos recursos estão se exaurindo.
No caso da agricultura, persistem restrições significativas ao comércio exterior, na forma de tarifas, subsídios e toda sorte de barreiras não tarifárias, de acordo com o ministro do Mapa.
– Produtos básicos, como soja, milho, café verde, celulose e algodão circulam com facilidade no mundo e nos países do BRICS. Porém, produtos mais processados, como óleo de soja, açúcar, etanol, carnes, laticínios, papel e café solúvel enfrentam maiores barreiras – analisou.
Conforme o Ministro, é muito difícil garantir ao mesmo tempo volume, preço baixo, qualidade, sanidade e sustentabilidade do alimento que chega aos consumidores, mantendo as fronteiras fechadas ao comércio. Não há como solucionar os desafios globais de segurança alimentar, inocuidade do alimento e sustentabilidade mantendo pesadas restrições ao comércio.
– Não podemos perder a oportunidade que este bloco representa para a ampliação do comércio agrícola entre nossos países. Se pretendermos ser, efetivamente, um Bloco, o comércio entre nossos países deveria ser mais fácil do que com outros países – declarou.
Reuniões bilaterais
Em paralelo à reunião dos BRICS, Maggi se reuniu com parceiros dos países do bloco. Com o ministro da Agricultura da China, Han Changfu, Blairo Maggi reconheceu que o país é grande parceiro comercial, o que tem permitido atrair cada vez mais empresas chinesas a investirem no Brasil nas áreas de agricultura, energia elétrica, distribuição de energia e infraestrutura. E disse haver interesse em estimular cada vez mais a parceria.
– O Brasil é um país seguro, é um País que respeita os contratos, que respeita aquilo que foi combinado. É um país onde, cada vez mais, a China e os chineses podem fazer investimentos, que não terão problemas nenhum – observou.
O Ministro acrescentou que estão em andamento reformas na área da previdência social, e também trabalhista, que permitirão diminuir custos para os produtores e para as indústrias. Além de finalizar destacando que a legislação está sendo modernizada.
 
Maggi combinou com o ministro da Agricultura da África do Sul, Senzeni Zokwana, realizar encontros de empresários de ambos os países para buscar oportunidades de negócios. A África do Sul tem interesse em comercializar navios pesqueiros, vinhos, chá. Do lado do Brasil, carnes bovina e suína.  
– Os BRICS precisam dar preferências e evitar barreiras. Temos que ter vontade política para fechar negócios – sublinhou o Ministro.
Maggi teve ainda encontro com o ministro da Agricultura da Rússia.  Os russos têm interesse em comercializar trigo e pescados, em contrapartida, o Brasil exportaria carnes e soja. 
Da Ascom/Mapa, com edição de Cerrado Rural

NO COMMENTS

LEAVE A REPLY