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Entendo que, por mais que um chefe de qualquer um dos três ente federados queira montar uma equipe altamente técnica, principalmente em áreas do desenvolvimento econômico, das micros, pequenas, médias e grandes agropecuárias e agronegócios e do meio ambiente, não é fácil para ele decidir nomes sozinho. Há as pressões políticas por parte de líderes partidários que trabalharam na campanha e que, depois desta, querem integrar o governo por se acharem importantes nele, ou por defesa de interesses pessoais e/ou de grupos.

No Tocantins, observo este processo de uma forma geral desde a implantação do Estado, há 30 anos e, há 15 anos, atuando nos agronegócios, por meio do jornalismo, as pastas da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura (possível nova denominação); Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins) – braço de ATER do Governo do Tocantins -, Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec) e a Secretaria do Desenvolvimento Econômico (ex-Indústria e Comércio). São pastas, com seus titulares e técnicos nossos parceiros ao longo destes 15 anos da revista Cerrado Rural Agronegócios, independente de matiz política do governante, pois que nossa relação sempre foi técnica, de respeito mútuo e de trabalho pelo desenvolvimento econômico do Tocantins e do Brasil.

Sempre opinei, às vezes defendendo um ou outro nestas pastas, respeitando os meandros políticos, acatando as decisões tomadas e me colocando em apoio ao titular indicado para essas áreas. Felizmente, até agora, esses órgãos tiveram a felicidade de terem sido dirigidos por bons técnicos.

Novamente, neste início de governo, acompanho este processo com a expectativa de sempre. Adapec, na noite desta sexta-feira, 4, teve a felicidade de receber de volta o médico veterinário Adalberto Mendes da Rocha, um funcionário de carreira que já presidiu o órgão por duas vezes e que vinha fazendo um bom trabalho. Haverá de continuar assim.

Pelizzari, na espera do seu retorno ao Ruraltins (Foto: divulgação)
Pelizzari, na espera do seu retorno ao Ruraltins (Foto: divulgação)

As atenções estão voltadas agora para a Secretaria do Desenvolvimento Econômico, que está sem titular há meses – absurdo, é verdade -,  e que já teve nomes competentes como o saudoso Eudoro Pedrosa (meu grande amigo, parceiro, a quem devoto muito respeito e carinho); Alexandro de Castro e, mais recentemente, embora por pouco tempo, mas com uma perspectiva muito boa, Dearley Kuhn; Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura, que já foi dirigida por nomes como Jalbas Manduca,  Nasser Iunes, Junior Mazzola, Roberto Sahium, Clemente Barros e, mais recentemente, durante oito meses de governo tampão, Thiago Dourado. E, ainda, para o Ruraltins, igualmente com muitos bons nomes na sua direção desde a sua criação. Neste mandato tampão, desde abril do ano passado, o dirigia, pela segunda-vez, o funcionário de carreira, Junior Pelizari.

"A decisão é do governador", disse-me hoje, Dourado (Foto: Divulgação)
“A decisão é do governador”, disse-me hoje, Dourado (Foto: Divulgação)

Thiago Dourado e Pelizari estão no compasso de espera, com certeza ciente que não podem se oferecer para continuar como titulares e que o governador deve estar recebendo pressões de líderes partidários. No Desenvolvimento Econômico, interinamente gerida por pessoa não menos competente, Wilson Charles, a situação é mais grave, pois a pasta está sem titular há meses e, possivelmente, sob negociação política.

Bom, o que se espera é que haja bom senso, tanto do governador Mauro Carlesse – que é um empreendedor bem sucedido e de ampla visão de gestão privada -, quanto de líderes políticos, no sentido de que essas pastas não sejam dirigidas por pessoas comprometidas apenas com a política partidária. O potencial econômico do Estado é alvo das atenções do capital nacional e internacional.

Particularmente, torço para que Pelizari seja reconduzido ao Ruraltins; Thiago Dourado para a Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura, e que o Desenvolvimento Econômica receba um nome à altura de sua importância e daqueles que já passaram por ela. Pelizzari e Dourado são jovens idealistas, técnicos, funcionários de carreira e conhecedores da agricultura familiar, dos agronegócios empresariais e suas necessidades no Estado. Têm projetos.

Que o governador esteja livre para decidir o melhor para estas pastas e que, caso haja novos indicados, que esses e seus partidos se pautem por uma gestão técnica.

Antônio Oliveira

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