Por Antônio Oliveira

Medida do Prefeito pode causar enormes transtornos para os produtores rurais. (Foto; Ascom/Palmas)
Medida do Prefeito pode causar enormes transtornos para os produtores rurais. (Foto; Ascom/Palmas), agronegócio em

– O grande desafio de Palmas é ela desenvolver as suas potencialidades econômicas para a gente responder com emprego e renda a uma população em crescimento – disse, em coletiva de imprensa, respondendo às perguntas de Cerrado Rural, na manhã desta terça-feira, o prefeito da capital do Tocantins, Carlos Amastha, durante café da manhã em comemoração ao seu aniversário e anúncio de algumas medidas administrativas de sua gestão.

Conforme o Prefeito, o agronegócio é fundamental (para Palmas) em três sentidos.

– Primeiro: pela posição estratégica de nossa cidade, logisticamente falando. Uma cidade por onde passa muita produção. Segundo: como capital natural do Matopiba – a única capital destes quadros estados (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) é Palmas e que está próxima a produção e, obviamente, isto vai trazer muitos benefícios para a cidade – disse o Prefeito, não citando o terceiro fator.

Amastha lembrou que no início de 2016 a sede da Embrapa Pesca e Aquicultura, em Palmas, será inaugurada.

– É absolutamente fantástica e focada na piscicultura. Quando se fala no agronegócio, falamos também de pecuária, de piscicultura – continuou.

O Prefeito citou ainda, como fundamental para o município de Palmas, o fortalecimento do “Cinturão Verde” da capital, criado no projeto original da cidade, mas que se desvirtuaram desde a primeira gestão pública de Palmas com suas chácaras transformadas em sítios de recreio de políticos, desembargadores e altos funcionários públicos. E também por falta de assistência técnica e recursos financeiros para os que nele se assentaram com o objetivo de produzir, diga-se.

– É uma coisa que a gente vem trabalhando faz três anos e que já está nos dando excelentes resultados, como o aumento da nossa produção (na agricultura familiar), Mas nós queremos muito mais – disse.

E este “muito mais”, conforme continuou, em resposta aos questionamentos de Cerrado Rural, é o projeto de ampliação da Central de Abastecimento de Palmas (Ceasa).

– Este grande investimento que também é um potencializador deste mercado. Será um espaço em que nossos produtores possam expor e vender seus produtos. Anteriormente, o que a gente tinha era um centro de vendas de produtos vindo de outros lugares. O que a gente quer é uma Ceasa para os nossos produtores e nisto o secretário Sahium (Roberto, da Agricultura de Palmas) vem trabalhando diuturnamente para que nossa produção cresça, não só na questão agrícola, como também na bacia leiteira – apontou o prefeito Carlos Amastha.

Neste nicho de produção rural, o Prefeito informou já ter dado dois passos, um dos quais, conforme ele é o compromisso de uma empresa de laticínio em se instalar em Palmas.

– Não é opção, é obrigação, em função também das compras de produtos que a gente está fazendo (refere-se à aquisição da merenda escolar). Essa é a nossa vocação. A gente precisa de um agricultor rico, de maneira que ele viva na sua parcela de terra, que usufrua o bem estar de morar no campo e que tenha uma cidade que supra suas necessidades – disse.

Cerrado Rural abordou também com Carlos Amastha a importância da Agência Matopiba, em processo de formatação, para o município de Palmas. Ele acha ser uma ferramenta política de fundamental importância para todo o processo dos quatro estados que formam a região.

– Eu tenho dito, brincando, tanto para a Presidente da República, quanto para a ministra Kátia Abreu, que, sem lugar à dúvida, o segundo cargo mais importante da República será a presidência da Agência Matopiba. Por que? – questionou o Prefeito.

– Porque pela primeira vez na história do Brasil está se fazendo uma coisa planejada.  A área já está delimitada, já existe legalmente. Se esta Agência agir dentro dos moldes em que está planejada, de procurar parcerias públicas privadas, investidores, se ela pensar na infraestrutura de que a região precisa para escoar a sua produção, por exemplo, para incentivar os produtores, nós vamos ter uma área de produção muito grande, uma grande fronteira agrícola do planeta, com altíssima tecnologia e produtividade – enfatizou Amastha.

Ainda conforme o Chefe do Executivo palmense, tudo isto vai enriquecer a sociedade.

– O Brasil perdeu demais com o custo Brasil e continua perdendo muito. Ainda é muito caro produzir no Brasil. E a gente só ganha dinheiro porque o país é abençoado, produz demais. Mas na hora que a gente conseguir diminuir os custos de transporte, de armazenamento, portos, estradas, etc. com certeza isto vem para melhorar.

Cerrado Rural questionou o prefeito Carlos Amastha sobre a produção de grãos na região de Buritirana (terras altas do Município) e os transtornos causados pelo transporte de insumos para a lavoura e o escoamento da produção até os terminais ferroviários (Porto Nacional/Palmas, ou Guaraí – centro e centro-norte do Tocantins). Transtornos, pois os caminhões, carretas bi ou até tri-trens passam pela cidade de Palmas. A resposta do Prefeito foi uma bomba que caberá ao Governo do Tocantins desarmá-la, evitando maiores impactos ao agronegócio regional.

– Vou te falar uma coisa, inclusive isto vai acontecer hoje: nós estamos assinando um Decreto que proíbe a passagem de caminhões e carretas pela cidade de Palmas. Olha, nós precisamos compreender a responsabilidade de cada um. Palmas não pode assumir o ônus de caminhões enormes destroçando nossas ruas e avenidas e trazendo insegurança para a nossa população. Isto não passa pela gente. Há um recurso para o anel viário que está parado há dois anos no Governo Federal por falta de contrapartida do Governo do Estado e este problema o Governo do Estado tem que resolver. Enquanto isto, que passe de ferry boat, que passe por Miracema, mas pelo município de Palmas estes caminhões não vão passar não – enfatizou Amastha.

– Vem bomba pela frente, então? – questionou Cerrado Rural.

– Ô, meu querido amigo, se a vida fosse tão fácil, eu não seria prefeito desta cidade – concluiu.

O outro lado

Cerrado Rural procurou, pessoalmente, instantes após a esta entrevista, a Secretaria de Comunicação Social do Tocantins (Secom), por meio de sua Redação e, por volta das 16h, via WhatsApp , o titular da Pasta, jornalista Rogério Silva, em busca de uma posição do Governo do Tocantins. Porém, até o fechamento desta matéria e sua publicação on line, não obteve resposta.

Esta proibição, se realmente acontecer, vai causar transtornos incomensuráveis as produtores rurais das regiões de Porto Nacional e Buritirana. É que, atualmente, a produção que sai destas duas regiões, geralmente é escoada, até o Porto de Itaqui, em São Luís (MA), por meio do pátio multimodal da Ferrovia Norte-Sul, localizado no distrito de Luzimangue, município de Porto Nacional, a cerca de 30 quilômetros de Palmas.

Com a proibição, as carretas terão que ir até a ponte Lajeado/Miracema, pegar a BR-252 (Belém Brasília) e voltar para Luzimange, no percurso de mais de 200 quilômetros.

Já às 21 horas desta quarta-feira, após ler esta matéria aqui neste site, o secretário de Comunicação do Estado, jornalista Rogério Silva, enviou à nós a seguinte nota, manifestando a posição do governador Marcelo Miranda.

A íntegra da nota:

“Essa obra que pode ‘aliviar’ esse trânsito sai se tiver dinheiro! Só de contrapartida seriam necessários mais de 50 milhões dos cofres estaduais. E cadê esse dinheiro?!?

Por causa dessa dificuldade, o Estado entende que a obra mais prioritária é a nova ponte de Porto (Porto Nacional, sobre o Rio Tocantins/Lago)! Todos os esforços estão sendo feitos para viabilizar esse empreendimento, que além de resolver o problema do trânsito dos caminhões ainda benificiaría milhares de tocantinenses”