Por Antônio Oliveira

Consumido no Brasil há mais de 10 anos, por meio de importação, principalmente do Vietnã e cercado de preconceitos e informações distorcidas,  a espécie pangasius, ou panga, vem ganhando espaço na piscicultura brasileira, como mais uma opção de cultura na linha dos exóticos – e com um manejo diferenciado do que é praticado na sua origem, o que lhe confere sabor melhor que o produzido naquele país, diga-se.

O Panga leva em torno de nove meses para atingir o peso de 1,2 quilos, ideal para o abate (Foto: Divulgação)
O Panga leva em torno de nove meses para atingir o peso de 1,2 quilos, ideal para o abate (Foto: Divulgação)

Cultivado há mais de mil anos no Rio Mekong, no Vietnã, o panga rende até 50% de filés. Poucos estados no Brasil estão autorizados a inserir esta cultura nos seus sistemas de produção aquícola. O pioneiro foi o estado de São Paulo, acompanhado pelo Rio Grande do Norte e Maranhão. Vários outros estados tentam a introdução deste exótico – e até já cria, embora de forma tímida -, procurando convencer os órgãos ambientais de seus estados.

Uma das principais características do panga é que ele é um peixe de couro. Conforme o criador e presidente da Associação Brasileira de Criadores de Pangasius (ABCPanga), Caetano Furno, a espécie tem mercado pronto garantido no Brasil.

– O que precisamos fazer, é ampliar nossa produtividade para diminuir a dependência dos importados e ter o nosso Panga no Brasil –  diz ele.

O Panga leva em torno de nove meses para atingir o peso de 1,2 quilos, ideal para o abate. Mas, os produtores brasileiros conseguem finalizar a produção em apenas seis meses. Cada quilo de peixe rende 400 gramas de filé, ou seja, quase 50% de rendimento.

Informação confirmada pelo criador e pioneiro na criação desta espécie, Martinho Colpani.

– É um peixe de couro que aceita uma ração em torno de 32% de proteína – explica.

A respiração do panga é branquial, ou aérea, que é um método facultativo, conta a zootecnista e professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), Luciana Thie Seki Dias.

– Ele utiliza esta respiração aérea quando é necessário. Por isso, não precisa ter uma grande quantidade de oxigênio na água. Não há necessidade de ter um aerador dentro de um tanque de criação, por exemplo. Mas, ele precisa que a água seja renovada, de boa qualidade – diz ela.

Para quem pensa em iniciar uma criação de panga, o preço do alevino varia de R$ 0,60 a R$ 1,20 por unidade. E o preço de venda para o criador varia de R$ 5 a R$ 12 por quilo do peixe vivo.

A produtividade do panga por hectare de tanque é superior a de outras espécies.

– Hoje, nós produzimos, em média, 10 toneladas por hectare de pescado. Se passarmos a produzir 50 toneladas por hectare, otimizamos o uso da água, que é um bem muito precioso – explica Colpani.

O manejo ideal do panga ainda passa por estudos no país, até para saber em quais regiões ele se adapta melhor.

Dicas

Após esta pesquisa em vários sites especializados, busquei no site da Lonas Sansuy algumas dicas para que deseja entrar nesta cultura.

1 -Quais as características do panga?

É um peixe de couro, de água doce e  omnívoro — isso significa que ele come praticamente de tudo: algas, plantas, zooplâncton, insetos, crustáceos e peixes. Em casos de rações, ele aceita opções com cerca de 28 à 32% de proteína bruta, dependendo do manejo alimentar adotado na unidade de produção.

alimentação do peixe é decisiva para o seu bom desenvolvimento. Um panga adulto pode atingir até 3 kg, em cativeiro e até 1,30 metro de comprimento e 44 kg na natureza. Entretanto, geralmente, o abate desse peixe em cativeiro é realizado quando ele atinge 1,25 kg.

2 – Como é feito o cultivo do panga no Vietnã?

O cultivo do panga no Vietnã é feito em tanques artificiais, com a própria água do rio Mekong. A água é tratada e controlada para garantir um padrão de qualidade internacional.

Ainda que existam várias espécies de peixes da família Pangasiidae, divididas em quatro gêneros e 29 espécies, apenas duas são cultivadas no rio Mekong, a Pangasius bocourtie Pangasionodon hypophthalmus. Sendo que a segunda é destinada para a exportação.

3 – Como funciona a produção no Brasil?

A criação de panga ainda é uma novidade no Brasil. Os primeiros criatórios surgiram na cidade de Mococa, interior de São Paulo. No entanto, outros estados, como o Rio Grande do Norte, Maranhão, Piauí e Ceará, já apresentam interesse no cultivo desse peixe. Além disso, universidades estudam qual o tipo de manejo ideal, os cuidados com o crescimento e em quais regiões do país o panga tem melhores condições de se desenvolver.

4- Como é feito o cultivo do panga no Brasil?

O panga apresentou grande adaptação e bom desenvolvimento no Brasil. A sua produção tem alcançado, em média, 25 toneladas por hectare de pescado.

A criação de panga pode ser feita em viveiros naturais escavados, tanques de alvenaria, concreto, argamassa armada e tanques de lona suspensos. Para a criação em viveiros escavados, já foram realizados o alojamento de até 17 peixes por m².

Uma observação no cultivo em viveiros naturais escavados tem relação com a qualidade da água, já que isso influencia na qualidade da carne do peixe.

5 – Qual o custo para sua criação?

Os custos para criação de panga são relativamente baixos comparados com a de outros peixes. As despesas com a mão de obra representam em torno de 5% dos investimentos da produção do peixe.

O preço do alevino também é baixo, varia entre R$ 0,60 a R$ 1,20 por unidade. Já o valor de venda do panga varia de R$ 5 a R$ 12 por quilo do peixe. O custo-benefício da criação de panga vale muito, pois cada quilo de peixe rende ao menos 400 gramas de filé

6 – Como consumir o panga?

O consumo do panga é versátil, já que esse peixe permite vários tipos de preparo: grelhado, frito, assado e ensopado. Com uma textura firme, sabor suave e ausência de espinhas, muitos brasileiros gostam desse peixe.

Apesar de, há alguns anos, terem sido levantadas suspeitas sobre a segurança de se consumir o panga, houve uma série de análises realizadas pelo Ministério da Agricultura do Brasil, com o objetivo de confirmar a qualidade do produto. Nenhum problema foi encontrado, a importação  e o consumo foi então liberado.

Assim, sabendo das facilidades da produção de panga e que esse peixe tem apresentado grande aceitação e rentabilidade, com um mercado consumidor interno que importa em torno de 70 mil toneladas por ano, podemos esperar um crescimento na produção de panga no Brasil.

Se você gostou dessa proposta e está pensando em investir na criação de panga, lembre-se de que é muito importante conhecer bem a espécie e os melhores produtos para utilizar na sua criação. Isso vai influenciar no desenvolvimento da sua produção e na qualidade final do seu produto.

Pesquise bastante sobre as características do panga e como é o seu desenvolvimento na sua região. É importante ter conhecimentos, como: manutenção da qualidade da água nos viveiros de produção, produtos utilizados na criação, onde encontrá-los, alimentação do peixe, resistência a doenças e parasitas comuns do local e tudo que puder encontrar.