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Da Redação*

Muito se fala sobre agricultura de precisão, mas você sabia que também existe a pecuária de precisão? Quem participou do 1º Simpósio Pecuária Dinâmica, que ocorreu nos últimos dias 09 e 10 de maio na Agrotins 2019, em Palmas (TO), pôde conhecer as maravilhas que a adoção de tecnologias na pecuária pode promover na criação intensiva ou extensiva de gado. Diversos pecuaristas do estado se mostraram interessados em modernizar sua criação.

Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Corte Pedro Paulo Pires, que falou sobre o desenvolvimento de softwares e hardwares para uso na pecuária, diversos produtores ficaram impressionados com as possibilidades trazidas pela adoção de tecnologias no pasto.

– Nós mostramos as ferramentas, equipamentos, softwares que já estão disponíveis para que o produtor e o técnico gerenciem a produção, saibam quais são os números, o rendimento de cada animal, informações do meio ambiente, bolsa de valores, campanhas de vacinação, etc – pontua Pires.

Transformar pastos degradados em solos férteis novamente. Eis o grande desafio (Foto: Google)
Transformar pastos degradados em solos férteis novamente. Eis o grande desafio (Foto: Google)

Atualmente é possível  controlar eletronicamente todas as atividades em campo, incluindo a altura de pastagem e o tempo de permanência dos animais por área. Também é viável verificar se determinado piquete está engordando da mesma forma que o piquete vizinho, o que indicaria o nível de fertilidade do solo.

– A pecuária de precisão te dá essas informações, mede os números para que você tome as decisões –  destaca o pesquisador, que lamenta a baixa adoção dessa modalidade entre os criadores brasileiros.

– Trata-se de uma grande mudança de comportamento e o pecuarista é muito resistente. O nosso papel é mostrar que esse caminho não tem volta: se o Brasil quiser produzir o que ele se propôs, ele obrigatoriamente tem que passar pelo controle da produção – enfatiza o pesquisador.

Elevação de produtividade

Quem também falou sobre pecuária de precisão durante o seminário foi o analista Pedro Alcântara, da Embrapa Pesca e Aquicultura. Na sua palestra, ela abordou sobre como elevar a produtividade e rentabilidade na recria e terminação a pasto. Por esse sistema, é priorizada a capacidade de suporte (com adubação nitrogenada) e o desempenho individual (por meio de suplementação), visando o abate com idade até 24 meses.

– Por esse método há um potencial produtivo de 40 a 50 arrobas por hectare ao ano – destaca ele.

Pedro Paulo (à esq) e Pedro Alcântara: pecuária de precisão é fundamental (Foto: Elisângela Santos/Embrapa)
Pedro Paulo (à esq) e Pedro Alcântara: pecuária de precisão é fundamental (Foto: Elisângela Santos/Embrapa)

O analista também falou sobre o ABC Corte que está sendo desenvolvido no Tocantins. Trata-se do projeto Rede de Transferência de Tecnologias do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono para a Bovinocultura de Corte do Tocantins com ênfase na intensificação da produção de carne em pastagens. Aqui, cada técnico assume a responsabilidade de implantar uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) entre os produtores que ele já acompanha. Essa URT é então utilizada pra disseminar tecnologias e validar os sistemas para aquela região.

Pastagens degradadas

Se a tecnologia pode ser uma poderosa aliada para o produtor, o cuidado com a pastagem é a base para a boa produtividade. E na hora de recuperar a pastagem degradada vários fatores devem ser considerados, tais como: um bom diagnóstico do que precisa ser recuperado; a análise do ambiente interno e externo da propriedade; o conhecimento das alternativas de recuperação disponíveis e a escolha da opção mais adequada. Para Marcelo Cunha, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura que falou sobre Recuperação e Reforma de Pastagens Degradadas, não existe solução única para alcançar boas produtividades em sistemas de produção animal em pastagens, nem uma solução é melhor do que a outra.

 Os técnicos precisam evitar aplicar a mesma receita de bolo para todos os casos. Cada propriedade deve ser tratada de forma diferenciada, para que as chances de sucesso aumentem – destaca o pesquisador.

*Material produzido pela Embrapa Pesca e Aquicultura, com edição de Cerrado Rural Agronegócios

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