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A Aquabel foi fundada por Ricardo e seu sócio Claudio Batirola na década de 1990 (Foto: Reprodução da Globo Rural)
A Aquabel foi fundada por Ricardo e seu sócio Claudio Batirola na década de 1990 (Foto: Reprodução da Globo Rural)

Por Antônio Oliveira

Com chamada de capa “A multiplicação dos peixes”; no miolo o título “Este é o frango dos peixes” e no olho (síntese do texto) da matéria “Carne sem espinhos, bom rendimento de filé, velocidade de crescimento e ótima taxa de conversão fazem da tilápia a proteína do futuro”, a revista Globo Rural deste mês traz envolvente reportagem sobre o crescimento da tilapicultura no Brasil e suas perspectivas no mundo. A reportagem destaca as boas condições de clima e água que o Tocantins dispõe para esta cultura e os investimentos que estão sendo feitos nela pela iniciativa privada e pelo Estado, como a liberação do cultivo da tilápia em águas tocantinenses.

A revista lembra que “no passado a liberação da tilapicultura em Goiás, Mato Grosso e Tocantins potencializou ainda mais o promissor mercado brasileiro. O caso do Tocantins é especialmente celebrado pela cadeia do peixe”.

– A regulamentação libera para a produção 200 mil toneladas de peixes de cultivo. É praticamente um terço do que o Brasil produz – disse, à revista, o presidente da Associação Brasileira de Piscicultura (PEIXE BR), Francisco Medeiros.

A Globo Rural frisa que, conforme os piscicultores brasileiros o estado tem uma temperatura excelente para a criação o ano todo.

– As liberações são muito importantes, porque, além de serem regiões (MATOPIBA) que têm muita água, ela também tem grande disponibilidade de grãos – 70% dos cursos da produção de peixe vêm da ração -, tornou Francisco Medeiros à revista.

O presidente da PEIXE BR discorreu também sobre a expectativa do setor na liberação e revisão das concessões para o cultivo de peixes nas águas da união (lagos de usinas hidroelétricas), caso onde se inclui o Tocantins, com seus três grandes lagos de hidroelétricas.

– Temos pedidos aguardando a liberação na Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, do Ministério da Agricultura para a produção de mais de 3 milhões de toneladas de peixes – informou Medeiros.

Mas o presidente da PEIXE BR ponderou:

– Claro que, se isto entrar em produção, nós não temos mercado interno, o que torna mais importante o estímulo à exportação – explicou.

Ainda de acordo com Francisco Medeiros, na sua fala a Globo Rural, estados com potencial como o Pará e o Amazonas devem ficar de fora deste processo enquanto o setor espera pela definição da política ambiental do novo governo.

Neste quesito a revista explica que em grandes quantidades, as fezes dos peixes em criação podem ser poluentes. “Por isso, qualquer projeto só pode ser iniciado com a autorização do órgão ambiental local”.

Conforme lembrou Globo Rural, a Agência Nacional de Águas (ANA) tem uma metodologia de análise de corpo hídrico que determina o volume de peixes que podem ser criados em determinado curso d´água de modo a não provocar impacto no meio ambiente. Os lagos do Tocantins, conforme já publicou este site e sua versão impressa, já está dentro desses limites legais.

A Aquabel investe em biosegurança (Foto: Reprodução da Globo Rural)
A Aquabel investe em biosegurança (Foto: Reprodução da Globo Rural)

Investimentos no Tocantins

Tendo como base as informações de Ricardo Neukirchner, CEO da Aquabel, sua principal fonte nessa reportagem, Globo Rural anunciou que até março de 2020, o EW Group (com sede na Alemanha), deve inaugurar em Palmas, capital do Tocantins, o GenoMar Genétics, que deve ser o principal centro de genética do mundo. A expectativa, ainda conforme a revista, é que o centro, que deve receber investimentos entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões, possa oferecer um cardápio de opções como melhor rendimento de filé, maior resistência a doenças, maior aceitação de níveis de salinidade, maior conversão alimentar, mais resistência ao frio, entre outras alternativas. O EW comprou, em 2016, 75% da Aquabel.

– O grupo poderá desenvolver linhagens para ser produzidas no Brasil e exportadas para outras empresas, países e unidades que o EW pretende abrir na América Latina, como é o caso da Colômbia, previsto para este ano – escreveu Globo Rural.

Capa do twitterAinda falando sobre mercados interno e externo, Globo Rural volta a consultar Francisco Medeiros, que lembrou que a tilápia é comercializada em 140 países, mas que a participação neste mercado é insignificante.

Globo Rural informa que o Brasil exporta filé de tilápia para os Estados Unidos e Canadá, além de alguns subprodutos, como pele e escamas, para o Japão.

– Todo mundo quer esse mercado. Temos 137 países a serem conquistados – pontuou Francisco Medeiros.

“Desde o começo Ricardo buscou a interlocução com diversos governos para conseguir uma legislação mais efetiva para o setor”

Fazendo história e defendendo bandeira

– O Brasil hoje é o quarto produtor mundial de tilápias e tem perspectivas de se tornar o segundo, para isso é preciso um crescimento muito grande nos próximos anos. Isso vai ocorrer de qualquer maneira. Não é uma possibilidade, mas uma necessidade – disse a Globo Rural Ricardo Neukirchmer, CEO da Aquabel, empresa que já tem um centro de produção de alevinos de tilápia na cidade de Brejinho de Nazaré, região centro-sul do Tocantins, que até antes da liberação da tilápia no Estado, fornecia sua produção para estados produtores da espécie.

A Aquabel fui fundada por Ricardo e Claudio começaram a produzir tilápia numa alternativa a cultura de arroz irrigada na propriedade da família de Ricardo, na cidade de Rolândia, no Paraná. O projeto era fornecer o peixe para os pesqueiros em regime de pesque-e-pague. Ricardo contou a Globo Rural que naquela época o valor de produção de 1ha de peixe equivalia a 56 hectares de soja e milho.

– Todo mundo começou a entrar no peixe – lembrou Ricardo, que fará palestra no PISCISHOW 2019, em Palmas.

– Eu tinha 6 hectares de produção, mas não conseguia comprar alevinos. Como eu só fazia tilápia, decidi montar uma empresa para fornecer alevinos aos pesqueiros – informou.

Conforme Ricardo Neukichner a Globo Rural, o mercado piscicultor é muito informal. “Desde o começo Ricardo buscou a interlocução com diversos governos para conseguir uma legislação mais efetiva para o setor. Com isso, acabou sendo membro fundador de diversas associações de piscicultores, sendo a maior deles a Associação Brasileira de Piscicultura (PEIXE BR), onde hoje preside o Conselho de Administração”, escreveu Globo Rural.

A Aquabel dispõe de dez unidades em seis estados onde produz alevinos e juvenis. Com essa estrutura, a empresa tem condições de atender todo o Brasil. Importante que ela investe em biossegurança, o que segundo o empresário, não é muito comum na piscicultura brasileira.

*Com informações da revista Globo Rural, edição de fevereiro/2019

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