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Da Redação*

Pesca artesanal é tema do III Seminário Integrador da Pesca Artesanal do Araguaia, que acontece na próxima quarta-feira, 27 de março, no auditório da sede do Parque Estadual do Cantão, em Caseara (TO). A participação é aberta aos interessados. O objetivo é que instituições que tenham projetos nesta temática na bacia dos rios Araguaia e Tocantins apresentem suas ações e resultados, além das perspectivas para os próximos anos. Uma das instituições que vai mostrar resultados de projeto de pesquisa é a Embrapa Pesca e Aquicultura, de Palmas-TO.

"O esforço precisa ser contínuo e coletivo, ou seja, interinstitucional e multidisciplinar" (Foto: Embrapa)
“O esforço precisa ser contínuo e coletivo, ou seja, interinstitucional e multidisciplinar” (Foto: Embrapa)

O projeto “Conhecimento e adaptação tecnológica para o desenvolvimento sustentável da pesca artesanal no rio Araguaia (TO)”, ou PescAraguaia, está sendo finalizado e é coordenado pelo pesquisador Adriano Prysthon, da Embrapa. Segundo ele, o projeto atingiu suas metas:

– Conseguimos, através de um diálogo franco e participativo com as comunidades e lideranças, entender as principais demandas tecnológicas e intervir, na medida do possível, com alguma adaptação para melhorar a produtividade e a qualidade de vida dos pescadores. Infelizmente, três anos de pesquisa são muito pouco para atender devidamente o setor. O esforço precisa ser contínuo e coletivo, ou seja, interinstitucional e multidisciplinar.

Além da experiência do PescAraguaia, serão apresentados os projetos: “Monitoramento e manejo participativo da pesca artesanal como instrumento de desenvolvimento sustentável em comunidades da região amazônica (TO/PA/RR)”, também da Embrapa e liderado por Adriano; “Pescar”, da Cooperativa de Trabalho, Prestação de Serviços, Assistência Técnica e Extensão Rural (Coopter), que trabalha com acordos de pesca nos municípios tocantinenses de Araguacema e Couto Magalhães, também às margens do Araguaia; e projeto sobre monitoramento pesqueiro participativo no Tocantins-Araguaia no estado do Pará, coordenado pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).

– Por fim, mas não menos importante, a ‘Carta aberta da pesca artesanal do Araguaia’, que reúne os principais clamores do setor pesqueiro, será discutida e revisada desde sua criação em 2017 –  acrescenta o pesquisador da Embrapa.

Ainda é preciso mais 

Mesmo com diferentes projetos trabalhando a pesca artesanal na bacia Araguaia-Tocantins, Adriano entende que o setor nessa região não tem a atenção necessária.

– Poucas e isoladas ações têm tentado dar mais atenção a este setor, porém ainda é pouco. É necessário entender que o peixe no rio não interessa apenas aos pescadores que vivem dele. O debate precisa ser feito com a sociedade. Tudo que acontece na Bacia (Tocantins-Araguaia) tem consequências na calha do rio. A agricultura desordenada, a destruição de mata ciliar, a poluição, o mau uso da água, o turismo e a pesca predatórios e sem educação ambiental são alguns problemas enfrentados atualmente – relata.

O pesquisador acrescenta que “a manutenção dos estoques pesqueiros reflete na permanência não apenas de uma atividade produtiva e econômica, mas nos serviços ambientais que representam. Vale salientar ainda o papel fundamental da pesca para a segurança alimentar, sendo muitas vezes a principal fonte de proteína animal nas comunidades, e na representação cultural da pesca como símbolo de ancestralidade, principalmente nas comunidades indígenas.

A participação é gratuita e aberta aos interessados.

*Fonte: Embrapa Pesca e Aquicultura, com edição de Cerrado Rural Agronegócios

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